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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A culpa original




Maria J Fortuna



Angústia não devia ser coisa de criança. No entanto a menina se esforçava para brincar de casinha com a irmã mais velha, mas tinha o coraçãozinho oprimido por ela - a angústia, dentro do peito.
Tudo se deu quando aos quatro anos foi nos braços do irmão mais velho para o cine Roxy. Não era mais de colo, mas o irmão queria andar depressa para não perder a ultima sessão do filme que estava passando naquela Sexta Feita Santa e seus passinhos ainda eram muito curtos.
A criança observava o belo ator do filme que fazia o papel de Jesus. Seguia atentamente os movimentos daquele homem sublime que falava manso e abria os braços para as criancinhas. Todo mundo dizia que ele estava no céu. Mas estava ali, falando, sorrindo, caminhando com seus amigos... Cheia de encantamento pensou: disseram isto porque não vieram ao cinema vê-lo. Cristo não estava na Missa, escondido naquela hóstia branquinha, estava ali!
De repente o clima do filme mudou. Jesus acabava de ser preso. Foi açoitado e caia com uma cruz enorme nos ombros... Por que aqueles homens maus faziam aquilo com ele? Crispou as mãozinhas e apertou com força a perna do irmão que a havia sentado em seu colo e tomada de pavor pediu a ele para sair dali. Ele se recusou. Começou com choro baixinho, abafado, que foi aumentando de volume à medida que aquela dor, que não conhecia, apertava-lhe o peito. Por fim estava esgoelando.
- Quero ir embora! Quero ir embora!
O irmão teve que abandonar o cinema, rancoroso.
Durante muito tempo a menina parava de repente, absorta em seus pensamentos. Coisa que não é própria de criança da sua idade. Passou comer apenas arroz com manteiga e fazia xixi na rede onde dormia. Sempre havia uma bacia de alumínio embaixo da rede. O que lhe dava, ao despertar, um sentimento de vergonha. Mas era inútil, não havia falatório que a fizesse parar.
Um dia aproveitou a ausência das quatro tias solteiras e arrancou, com as mãozinhas nervosas, quatro Cristos pregados nas cruzes de madeira. Era costume usar crucifixo no espelho da cama. Levou os quatro para trás da porta onde estavam guardados alguns dos seus brinquedos, colocou-os no berço da boneca cobrindo-os com um trapo amarelo, que sua mãe havia-lhe dado para brincar. Ali eles não sofreriam.
As tias acharam graça... Imaginem que criança travessa, mas boa de coração. Isto devia ter sido um milagre de Cristo, imaginou a menina. Havia se safado do castigo.
Não queria contar pra ninguém o que lhe afligia. Falar daquele assunto esquentava sua cabecinha de cachos loiros. Mas criou coragem e, timidamente, indagou a sua mãe:
- Por que mataram Jesus? Por que maltrataram ele?
- Morreu por nossos pecados, filha
- Pecado meu?
- De todos nós... respondeu-lhe a mãe com voz carinhosa.
Mas ela não estava naquele filme. Eles vestiam roupas esquisitas!... Não se viu lá. Como se tivesse um passarinho preso dentro do peito, parecia sufocar. Não queria reconhecer, mas quem disse foi mãe e mãe não mente. E falava pra si mesma:
- Também matei Jesus!
Era difícil dormir, porque no silêncio da noite escura no fundo da rede, a angústia crescia e apareciam fantasmas de gente má para puní-la. Pior: se ele, o crucificado, aparecesse e, apesar do seu olhar doce lhe dissesse: “- Viu o que você me fez? A tia que foi freira dizia isto: “- É só chamar e ele vem.” Sabia que Jesus era bom passou a ter medo dele.
Na escuridão do quarto, de bruços, esmagava a mão esquerda embaixo da coxa e com a direita empurrava a pálpebra do olho direito que podia perder o controle e abrir. Justo o olho que enxergava mais. O olho esquerdo não era problema: estava esmagado contra a lona da rede.
Ficava ali, em agonia, sem mudar de posição com o suor empapando sua camisola de cambraia fina.
Podia ter sido tão diferente, pensava, deviam ter deixado Jesus em paz...




segunda-feira, 27 de outubro de 2008

email para contato

mjfortuna@terra.com.br

Canto da poesia



O canto da poesia é sagrado.

Ela é atemporal, forte como a luz mas se apresenta, as vezes, frágil como asas de uma borboleta. Completamente vulnerável, porque nasce n´alma e vive do amor.

Nesta noite...



Maria J Fortuna

Nesta noite
O leite da lua
Adoça meus lábios
E tudo o quanto é suave
Comunga em meus poros
Alguém revelou às estrelas
Que elas brilham por causa do sol
E meu coração sentiu o pulsar de todas elas!
Só quero brincar como louca
Deixar que o uivo do lobo
Contraia-me o útero
E o cálice da noite
Transborde
Em fecundação
E toda a magia do mundo
Descerá pelos fios escuros
Dos teus cabelos
Nesta noite...

domingo, 26 de outubro de 2008

sábado, 25 de outubro de 2008

O Pivô


Maria J Fortuna

Toda radiante vestiu seu vestido de cotelê azul marinho, última moda naquele inverno, rumo ao banquete. O evento acontecia na Casa do Baile em Belo Horizonte. Lugar de prestígio para grandes acontecimentos na época. Sua disposição era aproveitar, ao máximo, aquela oportunidade naquele ambiente sofisticado. Sonhava com os quitutes do banquete: degustar uma ceia inédita e, quem sabe, arrumar alguma companhia interessante que poderia terminar em namoro. Afinal naqueles idos anos sessenta as pessoas flertavam, namoravam, noivavam e casavam. Todos estes verbos. Agora temos o “ficar”, que junta tudo isso numa só ocasião e, na maioria esmagadora de vezes, não tem futuro.
Assim que chegou, os amigos fizeram festa:
- Maravilha você aqui! Falaram animados. Que bacana você está... E daí por diante.
Sentou-se admirando a grande mesa comprida rodeada por ilustres convidados: diretores e presidentes de várias indústrias, firmas importantes, gente do comércio e altos funcionários de repartições publicas. Um clima elitizado, engomado, cheirando a gente rica.
Os garçons começaram a servir. A comida era ótima e o vinho da melhor qualidade! Risos pra cá e pra lá. Os convidados já estavam descontraídos.
Um homem “bem apanhado”, como se costumava a dizer dos bonitões na época, estava com olhar fixo em sua pessoa. Puxa, parece que havia interesse... Aquele homem elegante armou um sorriso aberto desde sua chegada.
De repente rompeu no salão aquela música louca, maravilhosa, cheia de altos e baixos. Não podia deixar de ser... Reconheceu: era o frevo pernambucano que havia aprendido a dançar quando menina! Oportunidade para mostrar-se original na terra dos mineiros. Partiu para a pista redonda no meio do salão. Depois da terceira taça de vinho, arrancou os sapatos altos e iniciou, descalça os movimentos do frevo. Animada com o som das palmas que se fizeram ouvir, descia e subia tão rapidamente que não notou que o pivô, na arcada superior da boca, cambaleava ao som do daquele frevo estonteante!
Voltou para a mesa abrindo-se num largo sorriso. A amiga ao lado, arregalando os olhos, aproximou-se do seu ouvido esquerdo e segredou:
- Caiu! Caiu!
Ao indagar – Caiu o que? Sentiu que sua voz estava alterada, saia como que soprada. Passou a língua na gengiva superior e verificou que lhe faltava o pivô. Onde estaria o dito cujo? Vasculhou com o olhar a mesa e nada... Chegou então à conclusão que só podia estar no tapete que, por infelicidade, era da cor do dente! Resolveu ir ao encalço do mesmo. Era o jeito... Escorregou, discretamente para baixo da mesa. Não sem antes ser notada pelo “flerte” a sua frente. Procurava o pivô com dedos nervosos. Missão quase impossível! O tapete era marfim felpudo, cor de dente. Por sorte, depois de muita agonia, conseguiu encontrá-lo.
O homem a sua frente percebeu quando sua pequena mão procurou, na superfície da mesa, um pedaço de pão. Achou aquilo estranho... Mas continuou com o olhar fixado ali, como um gato esperando a presa para cair-lhe encima. Ela calçou o artefato dentário com miolo de pão. Recolocou-o aliviada. No stress havia-lhe arranhado o lábio inferior com o pino plantado na gengiva. Mas agora parecia ter provisoriamente solucionada a questão. Emergiu então ainda meio tonta do sufoco... E sorriu...
De olhos arregalados a amiga que estava sentada a seu lado, segredou-lhe ao ouvido:
- Tá ao contrário! Tá ao contrário!
O “flerte” observava com um ar meio idiota. E sorriu desconcertado, fingindo nada perceber.
De susto e surpresa ao ouvir o que a amiga tinha dito e sob os olhares curiosos dos circundantes, entrou em agonia e engoliu o pivô.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Momento poético

Imprudência

Maria J Fortuna


Chegou meio que desesperado
Com suas línguas ardentes
Queimando o azul dos miosótis
Queria por força virar gente
Esqueceu seu calor exagerado
Suas labaredas imprudentes
Meu coração fragilizado...
Então oscilou
Antes de virar menino
E me mostrar seu Amor!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Poemeto de Clevane Pessoa depois da leitura de A peruca cor de rosa:

Venho de ler seu conto encantador.Gosto muito dessas histórias que escreve, onde as questões de gênero são tão fortes - a alma feminina se desnuda...Para você, esse poemeto, brotado após a leitura:

Lembranças

As reminiscências, para as mulheres,
são mesmo essenciais:
volta à presença tudo aquilo que não voltaria mais,
e o passado torna-se presente,
lições são tiradas, saudades trabalhadas,
até as sensações e emoções da alma um dia jovem,
desenham-se à nossa frente, imemoriais...

domingo, 19 de outubro de 2008

A peruca cor de rosa




Maria J Fortuna


Todos os dias abria os olhos com aquela sensação estranha... Por causa disso tinha medo ao acordar. Por causa daquela impressão de abismo. Noite escura sem sonhos era sua velha conhecida. Vasculhou dentro de si mesma o motivo para aquilo estar acontecendo... Iria parar de tomar aqueles comprimidos assim que se sentisse melhor. Apesar de que, com eles, pelo menos conseguia debelar aquela insônia maldita. Mas o medo continuava mordiscando suas entranhas. Se não dormia ocupava a mente com pensamentos melancólicos e rezava para a chegada do sol; se dormia tinha medo de acordar de repente com aquela sensação de abismo.
Melhor coisa era pensar em algo agradável, que tivesse sido tão bom quanto o primeiro aperto de mão de um amor recém conquistado. Então mergulhou em lembranças adormecidas em seu coração. Melhor coisa para espantar o medo é buscar prazer. Gosto e aroma do prazer distraem a mente dos maus espíritos... Um cheiro agridoce penetrou-lhe as narinas enquanto fechava os olhos e se entregava as lembranças sagradamente profanas. Uma em particular recorrente...
Na década de vinte sofrera um eczema agudo no couro cabeludo. Seus cabelos caiam em grande quantidade, chegando ao ponto de deixá-la em calvice. Foram momentos angustiantes, de grande sofrimento ao contemplar sua jovem imagem, aos dezoito anos no espelho do velho casarão.
A mãe havia-lhe comprado uma peruca, mas esta não era suficiente para cobrir-lhe a vergonha de estar desprovida de suas madeixas castanhas. Os dias pareciam-lhe pesados e vivia como que encaramujada, sentindo a vida meia que insossa. Até o dia em que foi convidada para um baile de carnaval no clube da cidade. No inicio recusou o convite, mas o coração materno estendeu-lhe uma peruca cor de rosa. Ela iria de dama antiga!
No baile colorido, pleno de discretos prazeres, conheceu um senhor bem afeiçoado, elegante, simpático. Bem mais velho que ela sim, mas seu charme chamava atenção das moças que trocavam olhares de aprovação e sorrisos de cumplicidade.
Não demorou muito para que um sentisse a presença do outro com grande intensidade! Em meio aos foliões enfeitados de sonhos, os dois se tocaram nas mãos e depois nos lábios. Não havia palavras suficientes para traduzir a alegria daquele encontro! Havia descoberto ali a fonte de prazeres que seu corpo escondia. Todo seu ser dava pulos como criança assanhada e pulsava em ritmo até então nunca experimentado!

A evocação daquelas lembranças deixava-a perdida em pensamentos prazerosos... Uma onda de calor a fez ligar aquele momento ao agora, pelas asas invisíveis do tempo. Abraçou o travesseiro, como o fazia com seus sonhos mais calorosos, afastando o lençol que lhe cobria os pés. Não havia lugar para melancolia ou medo, naquele instante. Importava aquela doce lembrança: baile de carnaval com peruca dor de rosa... Revirou-se na cama com sorriso nos lábios ressecados pelo remédio e voltou a sonhar com o olhar passeando pelas sancas no teto do quarto.

Quando findou o baile a irmã mais velha a levou para casa, que não ficava longe dali. Os comentários se sucederam desde então. Quem seria aquele homem? Dizem ser um viúvo que vive na Suíça. Na verdade não era conhecido da sociedade local, mas aparentado de uma família cheia de bens e tradição. E ele foi gostar justo dela que sabia exatamente a hora em que ele passava pela sua rua. Então corria para o quarto, pegava a peruca rosada e ia para a janela esperá-lo. Ele passava com sorriso nos lábios, ar enigmático, olhando para a janela quando tirava o chapéu em saudação. A esperança havia criados raízes no coração da mocinha e as horas eram difíceis até que o fato se repetisse.
Um dia, brincando com as irmãs, deixou-se mostrar na janela sem a bela peruca cor de rosa... Pior, sem nenhum artefato que lhe cobrisse a calvície. Justo na hora em que o pretendente passava pelo local.

Tal lembrança a deixava tensa e ela crispou a mão esquerda, amassando o lençol que cobria-lhe o corpo senil. Sentou-se na cama com dificuldade, pegou o copo na mesa de cabeceira com as mãos tremulas e bebeu a água que havia colocado ali, de véspera.
Nunca mais, a figura de seus desejos e sonhos, voltou a percorrer as calçadas de sua rua, tirando o chapéu com reverência, como se tivesse em frente a uma deusa...
São tão breves os momentos das lembranças que trazem prazer, pensou.

Novamente envolta por estranha sensação de insegurança, levantou-se cambaleante, da velha cama de casal, para fazer o café.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Texto do Luiz Lyrio

Meu amigo Luiz Lyrio, escreveu um texto que me deixou emocionada. Está aí publicado para vocês lerem. Infelizmente quando recebi o texto as meninas estavam hospitalizadas e uma delas em estado muito grave.

Opção pela Paz

(Para Lindemberg)

Luiz Lyrio

Uma arma não é um simples instrumento de matar. É um instrumento de poder. Ter uma arma nas mãos, dominando a técnica de manejá-la, traz um sentimento indescritível de onipotência. que supera todo e qualquer ensinamento pacifista. baseado em frases feitas e em princípios rígidos.
No mundo, durante um bom período da nossa história, mandou quem usava e, principalmente, quem controlava quem usava armas. Exercia o poder quem contava com a onipotência das armas. Deixava-se dominar quem se via impotente diante da força das armas. O onipotente submeteu o impotente desde o início dos tempos. Não foi à-toa que alguém disse um dia: “Contra a força não há resistência”.
Entretanto, quem conhece a História sabe que o predomínio da inteligência sobre a força foi um ingrediente importante da evolução humana. O uso da força das armas trouxe muito mais desgraças e destruição do que benefícios para o homem e parte de nós, pelo menos, aprendeu que o recurso às armas nunca solucionou problemas e nunca trouxe progresso para a humanidade.
Diante do crescimento da violência urbana, não são poucas, no Brasil, as pessoas que acham que o cidadão deve armar-se para defender-se dos criminosos que infestam o país. Entretanto, essas pessoas estão terrivelmente equivocadas. Um homem de bem não precisa, para se defender, de lançar mão de artefatos ou seres vivos (como cães ferozes, por exemplo) que podem, inclusive, ferir ou matar pessoas inocentes. Um homem de bem usa a lei, o poder da palavra, a denúncia pública ou anônima de criminosos e a proteção das forças de segurança para se defender de quem vive fora da lei.
O uso de armas por cidadãos comuns destituídos de poder de polícia e de treinamento adequado, tem se mostrado cada vez mais desastroso. Todo dia, morrem inocentes vítimas da imperícia de um irresponsável que resolveu armar-se “para defender sua família”. Todo dia, os jornais nos contam histórias de cidadãos “de bem” que mataram no trânsito, assassinaram mulheres que os rejeitaram ou executaram vizinhos que os irritaram por motivos fúteis. E é muito comum uma criança se apoderar da arma de um “homem de bem” e matar acidentalmente outra criança.
Homens de bem não gostam de armas. Homens de bem sabem que armas trazem muito mais desgraças do que as evitam. Se fosse feita uma pesquisa séria, com testes supervisionados por psiquiatras e psicólogos competentes, provar-se-ia que a maioria das pessoas que optam por se armar, excetuando-se parte daquelas que usam armas por exigência de ofício, são pessoas portadoras de algum desequilíbrio que poderá ou não manifestar-se em algum momento de suas vidas, provocando uma tragédia.
A humanidade não se divide em bons e maus, como imaginam os autores de novelas. A coisa é bem mais complicada. Porém uma divisão básica nos ajuda muito a compreender melhor a humanidade. Entre nós, existem dois tipos de seres humanos bastante distintos: os que gostam de usar armas e são capazes de matar um semelhante seu e os que abominam as armas e jamais seriam capazes de tirar a vida de um ser humano. Quem opta por conviver com os últimos, tem sorte e ainda conta com um competente anjo da guarda ao seu lado tem maior probabilidade de desfrutar de uma vida longa e tranqüila.

Luiz Lyrio – Professor de História e autor de NOS IDOS DE 68.
Rua Campo do Brito, 162 – B. 13 de Julho – Aracaju – SE - Tels. (079)32131351/(031)92561840

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Meu lado chargista...

Desenhei estas charges para ilustrar cursos sobre as mulheres na menopausa. Foi lá que nasceu as que publiquei anteriormente com a personagem que criei: a Lena Luci. Postei algumas das minhas charges dessa personagem, vocês viram? Agora estou publicando pela internet este monte de bobagem que acontecem conosco nesta fase crítica.
Tomara que vocês entrem no espírito da coisa e se divirtam.

Mulher de 50







Resolvi fazer um agendamento de minhas atividades. Isto porque estou naquela fase do esquecimento secundário, que é ótimo para não lembrar de detalhes inúteis. Então resolvi Agendar crônica nova para domingo e Mulher de 50 para segunda feira. Meu forte nunca foi ser organizada... Isto não quer dizer que eu não sofra a síndrome dos dedos nervosos e rasbisque, escreva e faça a postagem durante outros dias da semana. Mas vou me esforçar para cumprir a agenda.

domingo, 12 de outubro de 2008

Um grande amigo partiu para uma outra dimensão


Fundador da Universidade da Paz UNIPAZ, este homem, incansável buscador de harmonia entre os homens, nos deixou. Pierre, grande espírito, como o Gandhi, trazia inocência nos olhar. Apesar de toda a sua mestria era humilde. Eu o conheci profundamente. Era transparente e acreditava demais no ser humano.
Espero que os que ficaram na UNIPAZ dêm prosseguimento à sua grande mas não tão simples obra.
Como diz Jean-Yves Leloup:
"Nosso amigo Pierre Weil nos deixou - ele deixou seus limites para ser "um" com este Infinito cuja intuição e pressentimento ele tinha desde a sua mais tenra infância.Sentiremos falta da sua presença forte e frágil ao nosso lado, temos o direito de chorar... no entanto, devemos nos lembrar das suas palavras:
"Saibam que a morte não existe enquanto desaparecimento definitivo da nossa existência; é apenas uma transformação, uma mudança de estado de consciência, comparável ao sonho e ao sono profundo...Se compreendermos isso, poderemos ficar contentes, lúcidos e estar em paz... enviem do fundo do seu coração um voto para que este estado se comunique a todos os seres vivos..."Nossas lágrimas serão, então, como as lágrimas do mestre, que ele freqüentemente mencionou: lágrimas de compaixão."

sábado, 11 de outubro de 2008

O milagre das frutas


Já mencionei Clevane Pessoa aqui no blog diversas vezes. É aquela amiga jornalista, psicóloga e poetisa, que escreveu Mulheres de Sal e Afins. Ela tem um magnífico texto, meu predileto, neste livro, que se chama O Pokã. Ela fala da lingua sensual das frutas suculentas. Descrevendo a cena em que a adolescente se rende aos apelos eróticos do namorado, fundindo-se a pokã que ele descasca introduzindo o polegar nas sua reentrâcias...

Clevane consegue expressar sua sensualidade de forma tão delicada, uma artífice das palavras, sabendo colocar tão bem poesia nessa forma de falar sobre esta energia maravilhosa que escorre pelas nossas veias e nos faz pulsar como relógio até quando a vida se esvai... Ai de nós sem tesão pelas coisas prazeirosas e belas que a vida nos traz... Quem já leu o livro do Roberto Freire "Sem tesão não há solução?

A propósito da fruta pokã, escrevi este texto:



Maria J Fortuna



Aquela fruta que eu tentava mastigar, não lembrava em nada a que outrora conheci em idos tempos ditosos... A velha tangerina! Segundo o Aurélio, feminino de tanjão, que em Minas Gerais chama-se de mexerica e lá em S. Luis do Maranhão, minha terra natal, quando é grandona, a gente chama de tanja. Sei lá porque....
Bem, mas a delícia desta fruta está nas boas recordações de algumas pessoas privilegiadas. Posso dizer que sou uma delas.... Algo muito perverso causou dano aquela fruta, que na feira é apelidada de pokã Sua casca é fofa, deixando solta a fruta quase que por inteiro em seu interior. O corpo gomado perdeu sua cor original. Tem aparência murcha e é fácil de descascar, mas difícil de deglutir. Lutando com a mastigação sinto pobres bagaços, quase secos no interior da boca, teimando em não serem moídos pelos dentes, relutando em misturar-se à saliva. Daí a dificuldade que temos para engolir.
Logo sinto ausência daquele caldo maravilhoso que, a pequena mordida, adoçava suavemente o paladar. Mas, esta, que manipulo neste momento, são pedaços inexpressivos de uma fruta cujo suco, concorria como mel das abelhas!
Caiam ao pé da árvore mãe com o prazer de quem amadurece, cumprindo bem a realização plena de sua natureza. Enfeitavam o mato como pontinhos alaranjados, vistos a distância.. Quando tombavam não sentíamos como desperdício porque eram tantos os que a saboreavam dando-lhes prazer: gente, pássaros, abelhas borboletas e pequenos insetos. Não a víamos senão como pequenos enfeites no chão. Além de tornarem-se esterco para outras plantas irmãs, favoreceam o surgimento de novos pés em abundancia! Refrescavam-nos, em forma de suco, matando-nos a sede nos quentes dias no eterno clima de verão nordestino.
Assim como a tangerina, várias outras frutas estão perdendo seu sabor, suas características: perfume , sumo, sua forma peculiar de ser. Tudo transformado, adulterado, melhor dizendo. Foram "tratadas" depressa, para serem vendidas logo, por lucro imediato.
Encontramos a tal tangerina, além da feira, em supermercado e camelôs ambulantes, anunciadas a preço barato como fruta de época, de estação. Mas dá dó vê-las empacotadas ou jogadas num grande suporte de madeira, completamente inexpressivas.
Lembrei-me de uma mulher maravilhosa, que na época da 2ª guerra mundial, morava num sítio chamado Primavera lá no Maranhão.
Naquela época seu marido, único provedor da casa - como acontecia ao homem naqueles tempos - estava desempregado. Os três filhos mais velhos foram estudar em S.Luis acolhidos na casa de suas irmãs e eu, a caçula, que estava ainda fora da faixa etária escolar, permanecia ao seu lado, naquele sitio de farturas mil!
Ficava a comer deliciosos frutos, brincando num velho tanque de azulejos azuis que, tombado no chão, funcionava como cabaninha ou proteção contra os babaçus que caiam em nossas cabeças. Mas aqueles coquinhos duros mergulhavam num próximo e velho poço que a gente acreditava ser a casa da Mãe D'Água, figura do folclore maranhense, mesma coisa que Iemanjá ou Iara em outros recantos do Brasil a fora.
O sítio tinha de tudo... Frutos da Mata Atlântica, que a gente vê agora por aí em polpa, nas geladeiras e lanchonetes, para fazer sucos. Além de buriti, Jussara, açaí, bacuri, caju em diversas tonalidades de amarelo e laranja, mangas coloridas que faziam um ruído peculiar quando caíam no mato, assim como verdes abacates. Tinha também abricó, jaca, jacama, camapum, cupuaçu, sapoti e sapotas (que parece um sapoti grávido) abricó, pitomba, croasinho, ata, (chamada fruta de conde no sudeste) murici, etc. Com exceção de uvas, peras, maçãs e morangos, que só apareciam por lá, importadas, no Natal, para quem tivesse dinheiro.
Corria um rio atrás da casa, perto do milharal, onde as lavadeiras nuas da cintura pra cima - algumas com seios tão fartos quanto grandes frutas maduras - cantavam canções religiosas do Tambô de Mina e de Crioula, grupos ritualísticos de tradição africana muito comum em minha terra.
As frutas cresciam embaladas por aqueles estranhos cânticos que pareciam mantras da fecundidade. Eu ficava embevecida com os tons e semitons com graves e agudos daquelas alegres mulheres cantantes, com ajuda dos pássaros, que vinham pousar nas árvores e tomar banho no rio. Podiam bicar as frutas à vontade. Tinha pra todo mundo! Pra todos os gostos! Que coisa mais sublime e feliz! No ar um perfume gostoso! Mistura das diversas espécies de frutíferas com o frescor do rio e o cheiro da roupa limpa quarando ao sol.
Pois é, meu pai desempregado, a gente no sítio Primavera e a guerra arrebentando na Europa. O paraíso e o inferno!
Minha mãe com mãos de dama, uma sinhá moça crescida com todo mimo, asmática, franzina, fez o grande milagre para que sobrevivêssemos a tudo aquilo. Era como fada, embrenhada no mato frutuoso com sua cestinha de vime. Entrava pelo milharal como a leveza do vento e dali traziam louras espigas, com aqueles fios macios que viravam cabelos de boneca.
Aqueles frutos exóticos eram transubstanciados em doces maravilhosos!
Chamou Antonio, o filho da cozinheira, e o contratou para vender aqueles incríveis quitutes no aeroporto onde aviões de aliados, pertencentes a várias nacionalidades, pousavam. Ficava perto do Sitio Primavera.
Num tabuleiro com tiras presas ao pescoço, Antonio levava manuê, beiju , pamonha e panqueca de milho , derressol – (cocada de coco com rapadura), doces de quase todas as frutas que aqui mencionei. Um coquetel para nenhum daqueles soldados estrangeiros botarem defeito. Bendito ponto estratégico procurado para pouso de aviões!
O rapaz regressava à noitinha, com o tabuleiro vazio todo santo dia!
E eu, alheia a todo aquele esforço de minha mãe, protegida pela minha inocência, pulava, cantava , lambuzada com sumos e sucos de frutas que funcionavam como perfume natural.
Nem me passava pela cabeça que a linda senhora que cheirava a alfazema e tinha postura de dama, havia se associado à natureza para evitar perder o pouco que tínhamos. Na minha cabecinha ela estava brincando de fazer e vender doces, tal era sua disposição para o trabalho e sorriso ao ver o tabuleiro vazio...
Que saudades das frutas que cumpriam seu destino sem que a mão do homem as submetessem ao tratamento transgênico... Saudades delas, puras, sem químicas ou agrotóxicos.
Saudades das daquelas pessoas curtindo a natureza exatamente do jeitinho que ela é... mas até quando?
Saudades dos tempos que não existia tangerina pokã da feira livre, atrás do meu prédio..

Endereço do blog de Clevane Pessoa: http://www.clevanepessoa.net/blog.php


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Continuando a série Mulher de 50 ...


O fisioterapeuta


Maria J Fortuna

Tenho uma tia que é uma autêntica Sinhá Moça aos 97 anos! Chama-se Esveraldina.
Diz que a velhice, finalmente, está chegando... E por isto ela tem que se cuidar. Decidiu que a pintura do seu cabelo agora seria loiro, que se aproxima do branco e que iria descansar, depois do almoço, numa poltrona mais fofinha. Fora isto gosta de shows no Canecão e é fã de Roberto Carlos, Bruno e Marrone e Alcione. Assiste todas as novelas da Globo e aprecia programa de fofocas.
Foi providenciado pela família, um fisioterapeuta, já que dispensa cuidados médicos. Salvo o cardiologista que controla sua pressão, mas depois de uma repentina queda da mesma, esta se estabilizou e não foi mais preciso freqüentar aquele consultório. Para que cardiologista? Gaba-se de que enxerga sem óculos, desconhecendo que colocou lente interna na operação de catarata.
Bem, voltando ao assunto, o fisioterapeuta contratado pela família é um homem lindíssimo! Alto, moreno, robusto, com um vozeirão cheio de charme e, sobretudo, muito atencioso.
Antes das sessões de fisioterapia o perfume ronda a casa! Entra no banheiro e sai na cozinha...Ronda a vizinhança do prédio. Esveraldina se aromatiza da cabeça aos pés para recebê-lo que comparece duas vezes por semana.
Tal sinal a gente observa nas adolescentes quando se apaixonam por alguém. Quem pensou que a nossa Menina Moça de 97 anos apaixonou-se pelo fisioterapeuta, acertou.
Pensando que fisioterapia é ginástica, arrumou uma incrível roupa de “malhação”, novela que assiste todos os dias. Na noite que antecede a “ginástica” ela não dorme. Acorda assustada de repente com medo de perder a hora em que o “professor” costuma chegar... Vai pra cozinha bem cedo saborear seu desjejum, toma banho e procede ao ritual do perfume...
Depois que o amado se vai, com aquele porte, aquela voz tão bonita, aquele jeito de passar creme em seus braços e pernas, ela fica com ar de garota sonhadora, até que o tempo sopre, de leve, sua querida lembrança.
Claro que só ouvindo um CD romântico do rei Roberto Carlos para deixar o tempo passar mais rápido até a próxima sessão. E assim, sonhadora, embalando-se na cadeira de vime, pensando nos velhos tempos de mocinha, fica devaneando até a hora do almoço. Isto desde os remotos 93 anos vem acontecendo...
O fisioterapeuta atende também sua irmã de 94 anos que infelizmente “saiu do ar”, como diz nossa Menina Moça.Sempre se gabando de que ela está muito melhor em forma do que a irmã caçula.
- Lulu não sabe mais de nada, tá completamente “débélóide” coitada, repete toda vez que visita a irmã, abrindo bem as vogais.
Ocorre que outro dia chegou estapafúrdia noticia de que a irmã fez streap tease em plena sessão de fisioterapia para seu príncipe encantado! Foi um Deus nos acuda!
- Meu Deus que vergonha, que vergonha! Falava Esveraldina ininterruptamente pela casa com as mãos na cabeça! Como Lulu teve coragem de fazer isto?
- Mas tia, ela não sabe mais o que faz... Consolava eu.
- Não tem desculpa para uma coisa dessas, ai meu Deus! Repetia desesperada!
Resolveu apurar de perto a inusitada noticia e indagou as acompanhantes de Lulu se ela teve coragem mesmo para fazer aquilo.
Na afirmativa do evento ocorrido ficou mais inconsolável ainda.
- Eu não vou mais poder encará-lo. Na hora da ginástica eu não vou olhar mais para a cara dele, nunca mais!
- Não fique assim, tia. Ele já esqueceu. E compreenda que ela não sabe o que faz... Falava a neta, tentando acalmá-la. Aí veio a reflexão surpresa para todos nós da família... Tia Esveraldina, sacudindo nervosamente a perna, falou em alto e bom tom:
- Pelo menos se fosse eu, que ainda tenho tudo no lugar, mas Lulu com aqueles peitões caídos...


Este fato se deu ano passado. Agora, aos 98 anos, a "ginástica" continua sem o mesmo entusiasmo. O fisioterapeuta casou-se e Lulu foi para outra dimensão da vida.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Poema do vôo eterno


Maria J Fortuna


Voa coração meu
Em forma de ave
Voa em direção ao mar
Que celebra a vida

Pensamentos
Mergulham e submergem
Nas àguas do amor
Deixando ao farfalhar das asas
Penas que voam livres
Espalhando o frescor
Da alegria conquistada

E a música vem em revoada
Formando blocos de brancas espumas

Suave plumagem
Faz cócegas no tempo
Plaina nas ondas perfumadas
Grávidas de mistério

Que se desenrolam em marolas
sobre abismos de Netuno

Este vôo não tem mais fim
Converge para o Centro
Pomo, ponte e ponto da paz
Movimento cósmico
Que vai e vem
Vem e vai
Distende e recolhe
E me acolhe gratuitamente

Quando me solto alhures
Por escarpadas paragens
Nas imensas reentrâncias
Vejo a Grande Ave pousando
Em seu ninho azul



Poesia menina



Victória Falavigna, atualmente aos sete anos de idade, já nasceu poetisa. Assim ela falou numa entrevista em Belo Horizonte: "A minha primeira poesia nasceu numa noite de maio e, depois, muitas outras. Hoje, tenho uma grande família. Na época, eu não sabia escrever e tinha que pedir para alguém as anotar. Elas são eu, às vezes alegre; outras, tristes."

Clevane Pessoa com seu olhar de psicóloga-poetisa, costuma descobrir estes tesouros!

Para vocês verem uma pequena amostra de sua obra:

"Noite, Dia e Céu!

A noite é boa.

O céu traz luz.

O dia é pouco.

A noite é fria.

O céu não tem arco-íris,olha, escuta e canta."

Gostaram? Eu amei...

domingo, 5 de outubro de 2008

Endereço de email

O contador me informa que este blog tem sido muito visitado, no entanto há pouquíssimos comentários. Então vou deixar meu endereço de email. Ficarei muito feliz conhecendo melhor os frequentadores de Artes e artes

mjfortuna@terra.com.br

sábado, 4 de outubro de 2008

Ninguém avisou...

Pouco antes da minha viagem a Europa escrevi este texto.

Ninguém avisou pra gente que seria assim...
Tem curso para educar crianças, para atender aos vendavais da adolescência, para moços, senhoras menopausadas, etc. Tem até curso para lidar com terminais! Mas ninguém comunica com clareza pra gente o que poderá acontecer depois dos sessenta anos de vida... Salvo nos programas sobre saúde para a terceira idade.
Tal comunicado partiria, logicamente, de quem já vivenciou a estação do outono e chegou ao inverno. O que ocorre no corpo é óbvio. Mas, e no espírito que carece de superação a cada passo? O que toda esta enorme população de idosos está sentindo a respeito?
Salvo a fragilidade física, como denominador comum, o que sente esta grande camada da população à medida que as décadas se sucedem? Estamos ai, trazendo todas as estações em nossos corpos.
Sem chance terapeuta mais novos tratarem de idosos. Falta de referencia. É como padre aconselhando casais. Na verdade quem não chegou até lá, não tem a menor idéia da situação. E os que chegaram preferem não comentar.
Procuro dentro de mim onde está o medo que gera preconceitos. Encontrei na caixa preta do inconsciente... Medo da morte! Um compromisso que a gente traz ao nascer. Quem dá a um filho uma coisa dá a outra. Informação melancólica para a criança ou o jovem que fatalmente percorrerá a mesma estrada, mas necessária.
No frigir dos ovos, sinto que toda nossa dificuldade de pessoas, jovens ou idosas, reside no tabu da morte. Fato que não engolimos. Não só a certeza da finitude, mas a velhice é muito dura de ser aceita porque uma sinaliza a outra - o fim da nossa vida na Terra. Por isto evita-se falar sobre o assunto. Talvez em consultórios médicos, ou na confidencia de um individuo para o outro que está passando pelo mesmo processo... Mas é difícil encarar o fato com naturalidade. Tenho conhecido pessoas que apesar de serem muito religiosas, tem a mesma dificuldade.

Mas qual o momento da vida que não temos o desconhecido pela frente? E qual de nós não passa por pela sinfonia inacabada das perdas em todas as fases da vida? O medo de perder será maior que a vontade de ganhar? Quem, por alguns segundos, não se perdeu da mãe quando criança, e ficou desesperado chorando pelos cantos, sentindo um vácuo dentro de si? Dá para avaliar o que significa isto?
O desconhecido é uma questão sem solução para o ser humano. Por isto mesmo existe a esperança e a fé. A gente morre todos os dias por falta de fé. Para os mais intelectualizados há que ter consciência de que a fé vai à frente e o intelecto atrás. Não adianta querer discutir está questão.
Ninguém avisou a gente que seria assim... Mas se descobrimos que assim é, vamos reconsiderar o que estamos vivendo.
Teoricamente eu sabia que meu corpo iria ficar tão cansado algum dia que eu simplesmente pediria, talvez silenciosamente, para ir embora.
Mas também desconhecia que ao mesmo tempo em que o corpo vai caindo por terra uma nova semente nasce em nossos corações – a semente da transcendência! Este apelo estimula nossa capacidade criativa que brota com maior intensidade. Na atenção movida pela curiosidade, o volume de indagações vai aumentando consideravelmente! É hora do passado torne-se aliado e que as experiências antigas fundamentem as novas.
Tenho sentido que ao lado das dificuldades físicas, a capacidade de amar se amplia devido ao exercício de tolerância conosco mesmos e da compaixão para com os outros. A paixão continua existindo... Apenas não temos mais interesse em processar tudo que acontece a ponto de guardar na memória um punhado de coisas inúteis.
A idade é um número que não tem contagem regressiva. Cabe a nós mesmos somar conhecimento, sensibilidade e sabedoria.
Com tanta riqueza acumulada, não podemos pedir licença a ninguém para nos fazer presente, seja aonde for! Melhor que a gente se torne presente em amor e humor.
Importante é acreditar naquilo que estamos criando e vivenciando a cada dia. Nem todo mundo tem este privilegio até a hora partir. Cada um segue com a bagagem que arrumou com cuidado nos porões da alma.
Costumo dizer a mim mesma quando o medo se faz presente: enquanto minha alma passear pela avenida cheia de carnaval e repleta de coisas sagradas, estarei vivinha da silva!
Ouçamos a musica do Gonzaguinha em nossos corações: “Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”... Que seja nosso refrão.
Tristezas do passado e medo do futuro... Péssima dupla!
Bem, Já que ninguém nos contou como seria o inverno da vida, o jeito é, corajosamente, descobrirmos por nós mesmos. Tem outro jeito?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008



Oi Pessoal! Estou de volta.
Mas como acho entediante ouvir relatos vendo fotos das pessoas que viajam, não vou ficar aqui contando para você o que vi e senti nesse ou naquele lugar.
Para resumir tudo fui a Portugal. Percorri as ruas de Lisboa, com sua gente interessante. Lá visitei Fatima, das aparições da Virgem Maria, Obidos com seus vinhos alicorados, França com sua Paris arrebatadora! E também a Grécia, com suas deslumbrantes Ilhas Gregas. Principalmente Santorini com seu céu e mar comungando em azul como podem ver na foto. Passei pela Turquia, onde visitei a presumível residência de Nossa Senhora, Itália, com sua Roma eterna, Igrejas e Museus incríveis, sobretudo a Capela Sistina. Por fim voltei a Lyon na França para depois conhecer a linda Suíça, com suas montanhas quase nevadas neste outono e suas casas e praças cheias de flores, mesmo sem ser primavera!
Em Porto lancei meu novo livrinho A sementinha que não queria brotar na FNAC. Era domingo e tinha um show aéreo lá fora. As crianças portuguesas me rodeavam como flores e meu coração estava em festa quando contei para adultos e crianças a historia da minha sementinha que depois de tanto medo teve coragem para nascer! Havia então festa dentro e fora da FNAC. Regina Miranda que ilustrou o livrinho estava presente.
Tudo isto foi grande alegria para mim. Agora é tocar pra frente com a mente vagando pelas lembranças e torcendo por uma feliz aterrissagem.

Quem sou eu

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Sou alguem preocupado em crescer.

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