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sábado, 29 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo!


Maria J Fortuna


Continuo sonhando com a Paz!
Renovando os votos de que os passarinhos continuem cantando, as crianças brincando e que o ser humano se reconheça na simplicidade de onde vem a alegria. E que tenhamos  belas notícias, boas novas    grassando pelas avenidas, ruas e becos da alma, anunciando um período  de paz, e que reconheçamos que mudanças às vezes doem, mas são necessárias para nosso crescimento.
Que tenhamos consciência de que precisamos largar nossas antigas cascas e aceitemos o renovar  que tempo pode nos proporcionar,   mesmo na chegado do outono e inverno da vida. Afinal todas as estações são belas!
Que percebamos essa beleza na face imperfeita da humanidade, tão carente de amor!
Na verdade, eu gostaria que Israel fizesse as pazes com a Palestina e que os americanos se desarmassem de tudo, inclusive do capitalismo abusivo que, mesmo em crise, se expande pelo mundo! E que não mais existissem guerras.   Menos guerra, mais amor!
Que as mulheres deixem de ser apedrejadas e que os textos sagrados sejam bem interpretados. Que as pessoas, antes de julgar tão severeamente os outros, percebam a relatividade de todas as coisas e sintam que o amor e compaixão estão acima de qualquer Lei. E que, por isso,  não haja mais tanta barbárie sobre a face da Terra, que precisa se recompor das agressões de que tem sido vítima.  Que todos tenham essa consciência que destruindo o planeta, estaremos nos destruindo.
Menos matança de animais e mais preservação das espécies.
E que morra o preconceito, fruto da imaturidade ou de uma deseducação dada por nossos  antepassados, e alguns intolerantes que passaram a vida relegando seus irmãos, reconheçam finalmente, a Luz da verdade. E que essa Luz brilhe em nossas vidas e das próximas gerações.
Tomara que, neste novo ano, tenhamos mais consciência do Ser que habita em nosso centro em vez de negá-lO. E que paremos de culpar os outros pelos nossos insucessos.  Tomemos a responsabilidade por nossas vidas e ações.   Deixemos que o coração, de mãos dadas com a razão,  ocupe  lugar na existência de todos.
Mais amor e compaixão para que haja misericórdia e perdão. Mais fé e reconhecimento de todo amor que, com certeza, temos para dar.
Assim acredito que estaremos em PAZ em 2013!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Nascido do Amor para o Amor





Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai" (Gl 4.4-6).


                                                                                                                                                                             Maria J Fortuna


Em todos os Natais, desde que me tornei adulta, em meio ao desenfreado consumo, não consigo deixar de pensar no carpinteiro Jesus de Nazareth, com as mãos calejadas, cabelos emaranhados, túnica salpicada pela serragem da madeira, cheiro de suor e âmbar, no Sermão da Montanha! Sinto nele o amor nascendo do Amor, que justifica todas as existências! Vejo-o como o centro de uma grande mandala composta por aqueles que, nesta vida, têm fome e sede de justiça, pelos que ainda creem, apesar de tudo, e por isso ainda têm esperança em si mesmos, no seu próprio crescimento nesse mundo conturbado em que vivemos. Vejo-o, principalmente, no Sermão da Montanha, ali em pé, de braços abertosE, túnica coberta de pó das estradas, falando para seus discípulos, incluindo Maria Madalena, e as pessoas que quiseram ouvi-lo, dizendo em alto e bom tom:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.”

Em minha concepção, é pobre quem se esvazia de si mesmo, para ser preenchido pela Graça. Quem percebe sua pequenez diante de Deus e do mundo. E como necessitamos disso, a cada minuto de nossa vida! Sem esse esvaziamento da arrogância de que sabemos tudo e todas as coisas de Deus e do mundo, a gente se encontra.

"Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. "

Às vezes, pelas circunstâncias da própria vida ou porque somos fiéis a nossos princípios, choramos, mas se as lágrimas forem legitimas, seremos consolados. Se nos importamos com nós mesmos, com nosso desabrochar espiritual e com as pessoas que sofrem com as guerras - como tem acontecido na Síria e Palestina, - preconceitos, fome material e espiritual e morte de inocentes como ocorreu agora com vinte criancinhas de uma escola em Newtown nos Estados Unidos, nossas lágrimas podem ser sementes. Chorar quando erramos é uma porta aberta para o renascimento.

“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.”

Quem são os mansos? Quando nos tornaremos mansos? São aqueles que defendem a verdade pacificamente, mesmo que lhes custe a vida, e sabem que a mansidão não é passiva nem covarde, muito pelo contrário, é heroica, sábia e ativa. Como foi com Gandhi, Zumbi dos Palmares (mártir da luta pela Abolição da escravatura), Nelson Mandela, durante tantos anos preso injustamente por lutar pela independência do seu país, Pedro Casaldáliga, adepto da Teoria da Libertação. 

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.”

Esses mesmos citados como mansos, tem fome e sede de justiça! Os que lutam por um mundo melhor. Os que, coerentes com seus princípios, ideais e ideologias, têm compaixão dos desamparados. Os que protestam contra uma sociedade capitalista, que mantém o povo viciado em consumo, os banqueiros que cobram altos juros do povo, os que são contra a recente proposta do governo em baixar o preço da energia elétrica, para não prejudicar a renda de suas ações. Protestam contra a manutenção da ignorância alienante do ser humano roubando verba para educação. Os que denunciam o envenenamento dos alimentos com agrotóxicos e produtos químicos que deixam o povo doente.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

Estamos nos acostumando com a violência, vista nos principais jornais da TV. São tantos os assaltos e mortes, que acabamos por enxergar o assassinato de alguém como apenas mais um que se foi, que pena! Jesus teve compaixão por um ladrão a seu lado, que estava sofrendo o suplício da cruz com ele. No entanto, nossos presídios andam abarrotados de presos, vivendo em condições subumanas. Não há nenhuma condição para recuperar aqueles seres humanos. E deixamos de ser misericordiosos quando não somos atendidos em nossas expectativas por alguém em quem confiamos. Ficamos cheios de ódio e de ressentimento.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.”

Para mim puros de coração são os que não são hipócritas, um vício humano difundido, mas pouco confessado, claro! Os que não vivem de aparência e são simples, sem máscaras. O hipócrita está sempre julgando. Bem-aventurados a pureza daquele que ama de forma incondicional!
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”

Os pacificadores são mansos de coração que procuram abrir seus próprios olhos e das pessoas em volta, para a inutilidade da violência. Aquela praticada nas ruas de nossas cidades, repletas de traficantes e usuários de drogas. Praticada também pelas TVs, que entram em nossas casas violentando os corações inocentes das crianças, com imagens terríveis e estressando os adultos com notícias horrendas como se só caos existisse em nossos dias. Os pacificadores reforçam o lado positivo da vida e nos enchem de legitima esperança de viver dias melhores.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição, por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus.”

Os que tentam viver cristãmente e são motivo de zombaria, os que são considerados marginais como negros pela cor de sua pele, homoafetivos, por terem seu afeto dirigido a alguém do mesmo sexo, ou religiosos que professam outra fé que não a nossa. Todos esses são perseguidos. E se a luta for pelo reconhecimento de restauração da dignidade do ser humano, é deles o reino dos céus.
“Bem-aventurado será quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por Minha causa.”
Nosso mundo atual encontra-se mergulhado na descrença de Deus. A dúvida, que impulsiona o ser humano em direção à fé, está levando grande número de pessoas ao ceticismo. O cristão tem que ser duplamente corajoso para viver a doutrina de Cristo. Já era bem difícil na antiguidade. Há grande carência de fé, em todo planeta. Alguns cientistas negam o transcender humano e acham que pode dar todas as respostas .É muitas vezes ridularizado o que se encontra em estado de fé em Cristo. Em alguns lugares é até perigoso dizer que se é cristão. A lista de mártires é muito grande por esse motivo.
 
O discurso de Jesus é atual nos dias de hoje. A autoridade do quem fala tem, em si memo, a verdade viva que pode ser ouvida em nossos dias, sem que possa ser alterada uma virgula! Esse é o Natal a ser comemorado: o do carpinteiro Jesus, em seu corpo humano no divino e suas palavras de eterna luz!Coloquemos Papai Noel em seu devido lugar. Como alegre bom velhinho que presenteia crianças. Que seja celebrado o verdadeiro aniversariante, mesmo que digam que ele não nasceu em dezembro.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O primeiro homem

                                                                                                                                                                       Maria J Fortuna
Havia na alma de Tercia um buraco sem ponte. Um vácuo sem luz. Uma dor sem alívio, nem esperança. Embora ela dissimulasse muito bem.
Negava-se a acreditar que existisse um homem com jeito de cavaleiro, asas de águia e cheiro de liberdade. Alguém com quem provocasse lembranças como música boa e tivesse o dom de iluminar, como mulher, seus relacionamentos. Que a tivesse amparado e protegido em seus primeiros passos. Alguém poderoso, repleto de sol, pronto a dar-lhe um abraço apertado, gratuitamente, simplesmente porque a amava. Que teria caminhado com ela nos campos de girassol. Com quem pudesse ter lembrança boa de, quando pequenina, ter subido em seus ombros fortes, quando quisesse apanhar uma fruta que amadurecera no alto da copa da árvore. Alguém que lhe tivesse dito seu amor com um simples sorriso e que lhe ter dirigido ternos olhares. E que, quando ela, em estado de adolescência, tivesse feito questão de acompanhá-la na sala dos espelhos, no momento de encarar a si mesma, buscando identidade. Alguém que não lhe provocasse medo todas as vezes que se aproximasse dela.
Mas como isso não ocorreu, ela torceu as raízes daquele amor frustrado na infância de forma que, tal como planta sufocada, não conseguiria crescer como devia. Pior, estendeu sua ansiedade e angústia aos que vieram depois. Por causa disso, nunca se sentiu bem ao contemplar as fotos do seu primeiro amor. E nem de qualquer dos homens com quem se lhe assemelhassem. E nunca se sentiu bem quando falavam sobre ele, com seu jeito rancoroso, autoritário e distante. Porém, os véus que colocava em cima daquela imagem, no decorrer de sua vida, não foram bastante para esconder o grande buraco sem ponte que se criou dentro dela. Era uma equação sem resultado. Em algum momento de sua vida ele a tinha traído e o espelho se partido. Aquele sentimento ruim de quebra, de perda, parecia uma veste que cresceu grudada a seu corpo, delineando lhe, muito a contragosto, suas formas. Não havia bálsamo que a aliviasse do mal estar, nem remédio para sua cura.
A imagem do primeiro homem de sua vida era tão ameaçadoramente imensa, que se projetava em todos os seus amantes, confundindo-se com eles, impelindo-a a exorcizá-los antes que o coração a traísse. Exceto quando suas mucosas sensíveis os procuravam para uma breve relação, puramente instintiva. Apenas para alivio de tensões, como se naquela situação de deserto, houvesse apenas um tipo de flor que destila água que nunca sacia. Assim não correria o risco de entregar-se de verdade ao desconhecido... E era tudo o quanto aspirava sua natureza feminina.
Teria que conviver com aquele nó na garganta, como se observasse o mar sem poder atirar-se nele. Um estado de aspiração em que tornasse as uvas sempre verdes... Com dificuldade de engolir as pétalas indigestas de sua própria vida que dele veio. E que ele lh´as havia oferecido, embebidas no fel da desconfiança. Não era isso que ele lhe fez crer? Que os homens não prestam e querem apenas copular com a fêmea? E que embaixo de um cajueiro ela foi feita apenas por impulso de um amor carnal? Como poderia sequer imaginar que poderia surgir, dentre os homens, algum espécie raro que a ajudasse a atravessar o buraco negro que habitava sua alma? Qual deles seria a ponte que poderia resgatá-la, fazê-la passar para outro lado, onde poderia respirar amar, viver e procriar? Ou romancearia para sempre um arremedo de homem que de nada tinha a ver com a realidade? Talvez tolerasse um D. Quixote, cavaleiro da triste figura... Com o qual não precisaria se armar, pois a luta quixotesca envolvia apenas moinhos de vento... E Dulcinéia era para ele, sempre bela! Por tudo isso ficou claro para ela, que seu homem ideal era aquele que ficasse bem distante... Assim teria o gosto de sofrer por ele.
Mas gostava de seduzir, isso sim, seduzir! Dirigir aos homens velados olhares de fogo, cheios de promessa. Mas... Se houvesse correspondência, ameaça de toque amoroso, ela daria um jeito de sair devagarinho... De outra feita fugiria mais facilmente se o toque fosse ousado, inesperado, transvestido de indecente. Seria bem mais fácil escapar disso. Negar-se-ia a entrar no jogo, procurando saída através da ética, moral e bons costumes, única herança paterna.
Nenhum homem remendaria sua alma de forma que a fizesse saltar sobre aquele abismo. Nenhum merecia isso! O jeito era contorná-lo. Ver-se livre daquela orfandade eterna. Sempre cuidando para que não deixasse transparecer a sombra daquele primeiro amor unilateral. Aceitar ter um só lado. Um só destino. Desistir de vez da ideia romântica de completude. Deixar tudo muito claro aos olhos do coração. Assim não trairia a si mesma, para que não houvesse engano ao prosseguir...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Rosa Flor


 Foto de Florbela Espanca
 
 
 
 
                                                                     Maria J Fortuna
 
 
Amanheceu em plena consciência do seu estado de rosa. Sabia que, sozinha, não podia tocar com sua beleza todos que estavam a seu redor. E que nem todos iriam apreciá-la ou embriagar-se com o perfume que se desprendia dela. Talvez por causa do poder de sua fragilidade, revelada através da maciez e cor de suas pétalas.
Cresceu assim, desde botão, até aquele momento em que, de tanto se abrir para o mundo, deixava cair várias das suas sementes. Mas só algumas deram flores. Seu nome era Maria. Não podia se dizer imaculada, como a mãe de um ser divino, mas havia se purificado através da renovação dos seus momentos, quer de dor ou alegria, sempre vivida como derradeiros.
- Afinal vou mesmo morrer amanhã, é o que importa, dizia ela.
Sabia-se Maria, rosa. Maria Rosa. Fazia parte da sua transparente natureza de flor. No entanto, costumava cuidar para que seus espinhos não magoassem ou ferissem ninguém, mesmo quando provocada.
Fora criada com grandes pinceladas de indiferença na alma. Isso porque floresceu inesperadamente. Nem os pais, nem ninguém percebiam seu talento para expressar com palavras, escritas e mudas, as estações que aconteciam dentro dela. Silêncio é coisa de flor... Afinal, escutava sempre calada, que viera ao mundo por teimosia e que não era esperada. Mas o que importava sua origem, sabendo-se vencedora na luta pela sobrevivência? Por isso tinha o direito de assistir vários pores-de-sol, várias outras primaveras. Tinha o direito de ser flor.
- Menina estranha, essa Rosa... Ponderava a professora de matemática. Não há nada que a faça aprender álgebra!
- Trata-se de um paradoxo, falava a professora de português. Ela escreve poesias...
Álgebra, poesia... Desafio! Talvez fosse a mesma dificuldade que sentia ao tentar unir realidade ao sonho, sem conseguir costurar uma coisa na outra. Nem saber onde havia perdido o fio da meada. Para ela, a verdade estava nas coisas sonhadas. Apesar de todos os pesadelos que se arriscava a ter em estado de sono. Pesadelo faz parte, pensava... E continuava a sentir, através de suas pétalas, tudo o quanto podia alcançar na procura da beleza!
Um dia, a moça mergulhou por longo tempo em seu mundo onírico. Então o doutor responsável pelo seu tratamento disse em alto e bom tom:
- Longe de mim querer “curar” Rosa! Ela faz parte da natureza e nela exala seu perfume. Não se pode curar um poeta!
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