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sábado, 27 de julho de 2013

Antes que a porta se feche


 

Maria J Fortuna


         Antes que se feche a cortina do dia de hoje, darei um tempo.  Tempo de não sentir o bafo das coisas ruins que estão acontecendo no mundo. Hoje me nego a ler, assistir e ouvir jornais.  Tanto da TV, quanto do radio. Nem quero escutar discursos inflamados de pessoas que tentam nos sacodir com palavras insossas, sons vocálicos que fazem barulho e desarmonizam o espirito. Parar um pouco de ouvir os merecidos Impropérios, dirigidos aos bandidos da nação. Hoje não quero ouvir notícias cinza, que desmascaram alguns falaciosos homens e mulheres da nossa política. Nem o discurso farisaico de outros que querem livrar as pessoas dos seus demônios, mas esses dentro deles, fazem morada.
 
 
         Após sentir o silêncio do deserto para recolher-me ao meu próprio centro - Lá, onde sei que há um oásis em que eu possa beber água cristalina e descansar de mim mesma - Tento esquecer verões e invernos, os caminhos tortuosos que busquei, das escolhas erradas, dos tropeços no percurso.  Confio que o sopro de boas esperanças apague as pegadas do passado, para que não ocupem minha memória com ruídos infelizes e, no vazio, abram portas para o invisível do amanhã em seu desconhecido. Nesse dia de disponibilidade para o Amor maior, os bons ventos me trouxeram a imagem e as palavras do novo Papa da Igreja Católica
 Hoje só quero ter boas notícias como aquelas ditas pelo alegre Papa Francisco que chegou ao Rio de Janeiro, nesta tarde.  Isto porque depois de mergulhar em minhas utopias, tudo que eu quero, é ouvir a voz da esperança! A que pode trazer boa e sincera convivência entre os seres do mundo.
           Quero deixar os ouvidos bem abertos para aquele que não traz sua verdade congelada no ventre. E que, em sua lucidez, declara que o importante não é impor credos, possuir o mundo, tão transitório...  Não é ter a ilusão do poder que não reconquista suas próprias virtudes. Sede de poder é o gérmen maldito de todas as guerras!  Quero prestar bem atenção no que esse homem vestido de branco nos diz.  Sei que anuncia o marceneiro Jesus de Nazareth, O que nasceu numa manjedoura e falava que os pássaros têm seus ninhos, as feras suas tocas, mas Ele não tinha onde recostar a cabeça. Não o Cristo do luxuoso Vaticano, nem dos suntuosos Templos construídos por algumas denominações Evangélicas, mas o Pastor que caminhava pelas estradas com suas sandálias empoeiradas, mostrando que o verdadeiro caminho é o que nos leva ao coração e resgata nossa infância perdida.
          Quero ouvir a boa nova do homem de branco, que nos quer ver alegres. E anuncia mais a Ressurreição do que enfoca a tragédia da Paixão,  que  assombrava minhas noites da infância. O que olha bem nos olhos e com sua simplicidade lembra-nos seu xará de Assis.
          Tudo indica que Francisco é aquele por quem esperei há tanto tempo, para ser Pai da Igreja na qual fui batizada. O que reflete e anuncia o Mestre, com Quem aprendi a amar, mesmo de forma imperfeita.  Aquele que diz não existir mãe solteira, mas mãe! O que pede para ler a Teologia da Libertação de Leonardo Boff e não anda de sapatos vermelhos, crucifixo de ouro, mas sim de madeira, trazendo no dedo um anel de prata. O que acolhe pessoas de todas as tradições religiosas. Que na favela rezou o Pai Nosso com os Evangélicos. O que não quis dormir no quarto nobre do Vaticano  que acolheu seus antecessores e se preocupa com as misérias morais, espirituais e materiais dos povos do mundo. E para os pobres quer dedicar seu pontificado.
          Tudo indica também que ele está repetindo a façanha de Francisco de Assis na reconstrução da Igreja.  Não material, mas espiritualmente.

         Hoje, antes que a cortina do dia se feche, quero acolher esta presença, com muito amor no coração.

sábado, 13 de julho de 2013

A pior idade




Maria J Fortuna

O ensinamento vem do Oriente: tempo e morte são um só. Viver o tempo significa viver a morte, diz o mestre indiano, já falecido,  Bagwan Sri Rajneesh, chamado hoje de Osho. E continuando,  ele diz que a partir do momento em que o tempo desaparece, a morte desaparece também.
Aqui no Ocidente, nunca o tempo se torna tão presente quanto o desejo do consumo que se faz em nossas vidas.  Possuir dá certa ilusão de que assim a existência individual ficará mais estável, segura, quando é justamente o contrário. É na insegurança que reside a sabedoria. (Allan Watts escreveu um livro sobre o assunto).  Quando em nossas vidas o  ter substitui ,  quase que integralmente,  o  ser, o desastre se faz!  Mergulhamos na expectativa do impossível: como deter, por exemplo,  o avanço das rugas, dos cabelos brancos, da flacidez da pele, sintomas  que também são nossos, usando tais e tais produtos, que segundo o efeito prometido, são cada vez mais caros.  E caro quer dizer também querido.
A maioria das pessoas deixa sua verdadeira essência para buscar o ilusório, o que perfuma e fantasia a realidade.  Isso me faz pensar e sentir, que aquele que se preocupa muito com o passar do tempo, fica paralisado pela pressa em querer, a todo custo, operacionalizar seu potencial numa estação que não permite mais o brotar de algumas sementes. Foi aí que o surto da pior idade se fez em mim.  Foi  ontem, quando olhei para a tela que pintava, e a voz do tempo vestido de consumo, sussurrou aos meus ouvidos:   - Puxa! A pintura poderia ter saído melhor se você tivesse tido incentivo. Se meus pais ou alguém tivessem descoberto seu talento quando você ainda era  jovem...    E agora? Como crescer e amadurecer na arte a essas alturas?  Indaguei a mim mesma: Que vertentes tomar que possam  levar-me a sentir o domino da técnica, encontrar o verdadeiro sentido da minha arte e bem exprimi-lo? Nesse momento a vida tomou tons amarelados e cinzas.
                Foi assim que me senti ontem: numa pressa desenxabida tomando conta do ego. Bateu uma ansiedade neurótica e inútil ao coração.  Fiquei pensando nas circunstâncias que não me deixaram ter sido bailarina, atriz e por fim artista plástica. Tudo o que poderia justificar minha existência. E agora? Como esquecer que não há mais tempo?
Reclamei do Criador porque não nasci no Oriente, onde a pessoa aprende, desde cedo a meditar, chegando a ficar completamente silenciosa, sem nenhum pensamento buzinando na mente e tornando-a ainda mais barulhenta, com coisas indesejáveis, como a sensação de fragilidade e impotência que a velhice nos trás. Onde não existe o se... Se isso... Se aquilo... Em vista disso, senti que estava tendo mesmo o tal surto. Aquele de quem vive no tempo da pressa, na ânsia pelo impossível, no querer resgatar o que não mais nos pertence. De fechar os caminhos da esperança e gelar o coração.
           Os Sufis dão voz a Jesus, fora dos Evangelhos, quando contam o seguinte episódio: um peregrino perguntou a Ele sobre o que seria a coisa mais importante no reino de Deus. No que Jesus respondeu: “O tempo não mais será".

   A solução que busquei para amenizar o surto foi eliminar, a princípio mentalmente, o que na verdade não me interessa e ficar com o essencial. No que ainda  posso me realizar  por aqui, por esse mundo de luz e sombras. Pensei que cada pincelada que faço na tela leva consigo a emoção que desafia e transforma! Que não interessa se não consigo me expressar bem dentro de um código acadêmico mas,  como o faço em relação às minhas poesias, vai todo o coração em cada pincelada. E isso está fora do tempo.  Bem como os sentimentos e emoções que tingem a tela da minha vida. Abençoar cada palavra que escrevo sem pensar qual será minha última palavra.   Dar luz à imagem que existe dentro de mim mesma, feia ou bonita, luminosa ou escura, limitada ou não. Procurar o essencial.
  A pior idade é, com certeza, quando abrimos a porta para o tempo que se passou, esquecendo o que ainda pode ser feito.   É aquela em que a gente busca desesperadamente o que não nos cabe mais. O Buda considerou o desejo como fonte de todo sofrimento. Do desejo consumista vem a loucura do mundo!
  Por mais dura que tenha sido a negação dos dons de si mesmo, ser pleno do que se faz é o segredo da criatividade. E esta é inesgotável!
 Sei que o surto vai voltar, mas quando acontecer devo lhe dizer que não existe coisa mais inútil que me fazer sentir assim.

sábado, 6 de julho de 2013

Culpa ou liberdade?

 
 
 
 
 
Quando vinha, outro dia, pela Rua das Laranjeiras,  aqui no Rio, um cartaz  chamou-me  atenção:
 
 
 
 
Aí pensei: Eis um tema que abre e fecha feridas: o sagrado e o profano, a culpa e o perdão, a coragem e o medo.  Tudo tão arraigado às nossas origens...  Na maioria das vezes, trançadas no coração pela crença em alguma religião, que não foi bem digerida e deixa o  espírito da liberdade aos gritos,  amordaçando a alma, que fica espremida até que cada um perceba a verdadeira  essência da doutrina que abraça.  Para que não nos sintamos aprisionados dentro de leis e de Ética que atrofiam o espírito e amofinam a alma, resta-nos fechar os olhos e sentir o latejar do verdadeiro eu dentro do coração.  Aí vem a pergunta: Sigo tal religião porque desde o nascimento fui dirigida para ela ou porque optei em seguir o Mestre daquela doutrina? Seja Jesus, Maomé, Khrisna, Buda ou o que for. Qual o maior ensinamento da religião que sigo? Ela me liberta e com isso me sinto feliz ou nela o olho de Deus adquire proporções gigantescas de vigília e julgamento, como se eu próprio não fosse juiz de mim mesmo? Quem haveria de ter colocado aquele cartaz ali? Pode ter sido alguém maduro o bastante para indagar às pessoas o que está ocorrendo na alma de cada um. Ou é alguma coisa ligada à política ou tem caráter publicitário?  Afinal esta pergunta não é simples e tem-se  que estar inteiro para respondê-la.  
Creio, porém, que enquanto o poder for entendido como capacidade de dominar, o homem não crescerá. Sei disso pela própria experiência de vida. Fui filha de pai dominador e vivi sob o julgo de uma religião onde me apresentaram o sacrifício, a dor e  a negação do prazer como salvação. Meu próprio Salvador estava coberto de chagas, sangrando com uma enorme coroa de espinhos. E sua história dolorida era contada toda Semana Santa, em todos os quadros e formas de representação dolorosa. Filmes pavorosos sobre sua paixão.  Não me falavam de sua força, coragem e energia, do calor que se desprendia do seu corpo e de seu Espirito em realização e alegria. E eu tremia até os ossos com o pensamento na leve possibilidade de sentir algum prazer e ser feliz porque o Salvador tinha morrido por meus pecados e a culpa não me deixava. Como sentir-me feliz? Foram anos escuros... No entanto a Divina Presença que nele habitava, transcendia qualquer forma dolorosa, quando eu me transformava, em oração. Naquele momento eu me libertava e O via com os olhos da alma. Longe de dogmas e preconceitos!
Nunca consegui, portanto,  tornar-me agnóstica. Não percebo o mundo fechado, acabado em si mesmo.  Uma visão reducionista dos fenômenos da vida está fora de cogitação.  Deixo o coração aberto para o Desconhecido, para as possibilidades. Não odeio a Igreja que foi fundada na Doutrina de Amor e Perdão. Mas tornei-me evolucionista, pois sinto que a natureza renasce a cada instante e se transforma. Daí a esperança que gera minhas utopias. Prefiro o caminho da liberdade.
 Com o tempo, consegui quase emergir daquela rede de sofrimentos. O “quase”  é porque, de tempos em tempos, ainda tenho sonhos com lugares lúgubres onde me perco,  muitas vezes,  dentro de um Templo ou Igreja antiga que me oprimem com sua escuridão.
Mas procurei ser honesta nas minhas respostas. Para ser mais clara, sinto e acho que a religião que não liberta, deve ser repudiada!
 

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