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sábado, 28 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo para todos!

 
 
                                                                                                                                                   Maria J Fortuna
 
Lá vem o Ano Novo como enorme papel em branco onde serão escritos os fatos que virão!  Já não interessa o que foi, mas o que será.  Nada de apego às agendas do passado. Os fogos estão prontos para desenhar no céu escuro formas luminosas, que deixarão muitos emocionados.  Vida nova, nova vida, parecem escrever no firmamento.  No Rio de Janeiro, onde estou morando, nuvens pesadas, aqui e ali, se abraçam para que,  a já reconhecida chuvinha na noite do réveillon,  abençoe os que aguardam nas praias a queima de fogos. Corações estarão unidos pelo desejo de que dali pra frente tudo seja diferente! E não tem jeito de não ser. Os que comemoram longe do mar, mas perto dos rios, lagoas e montanhas, como os que estão nos desertos ou na seca em vários países do mundo, todos abrirão o coração para a esperança!
Cada um faz o retrospecto dos momentos bons e difíceis do ano. Sempre a gente faz isso há séculos. E deseja que no próximo, as escolhas sejam mais acertadas, o perdão menos doloroso e o amor muito, muito maior!
O Ano Velho é como Papai Noel dos adultos, às avessas. Ele não dá presente e se retira com sua barba branca de ancião, levando o passado nas costas, ocultando-se nas trevas do tempo que continua existindo, levando e trazendo histórias.  
                 O Ano Novo é como o Natal de Jesus: brilhante e cheio de poesia! Em outras tradições religiosas, outras luzes como a Dele são esperadas para clarear o mundo! Sempre há gente desejando algo que alimente os corações e nos deixe mais amados e cuidados. Somos crianças eternas esperando pela utopia da paz!
                Mais um ano que chega, mais um passo na eternidade para que as coisas caminhem para o Bem. Por mais difícil que nos possa parecer, é para lá que estaremos  indo quando pusermos por terra a ignorância. É nisso que penso quando vejo a imagem de São Miguel Arcanjo matando o demônio.   Por mais que seja difícil de acreditar, mais cedo ou mais tarde chegaremos à Luz do Amor Maior onde tudo será harmonia!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Compaixão



 
 
                                                                                                                                                        Maria J Fortuna
 
O barulho de carros na Rua Curitiba, em Belo Horizonte, era grande naquela tarde em que um filhotinho de gato, recém-saído do ninho materno, atravessava inocentemente a via asfaltada, enquanto um ônibus vinha  em alta velocidade.  De repente, alguém passou por mim dando-me uma  esbarrada. E eu reclamei indignada. Depois vi: Era um homem negro, jovem, forte e muito alto, que se lançou no meio da rua, pegando o gatinho no colo com uma rapidez espantosa,  enquanto o ônibus freava bruscamente. Dentro do ônibus, os passageiros assustados com a freada brusca, reclamavam gritando, insultando o motorista que, muito vermelho,  suava aos borbotões.  Aquele salvamento deixou as pessoas atônitas!   Dos que presenciaram a cena, uns temeram pelo gato;  outros pelo homem. Alguns ainda pelos dois, conforme a resposta do coração de cada um.
Quando os vi  em segurança suspirei aliviada... Minha vontade foi pedir perdão  pelo meu xingamento, abraçando aquele  homem forte, compassivo que,  frente à fragilidade do pequeno animal,  não pensou duas vezes  em arriscar a própria vida para livrá-lo da morte por esmagamento,  trazendo-o, carinhosamente,  em seus braços musculosos. Parecia quase surreal ver aquele gigante de ébano com o bichano tão pequeno, de pelo amarelo e arrepiado, em seu colo.
Este fato me fez refletir sobre a compaixão. Aquele homem deve ter sido amado por alguém. Talvez a mãe. Somente as pessoas que foram amadas são tão compassivas!  Todo o sofrimento da humanidade reside no desamor original, o que nos torna incapazes de amar. Todas as nossas neuroses vêm daí. Pessoas mal amadas geram outras com o mesmo destino. Por isso tantas guerras. Milhares de pessoas transformando o desejo de serem amadas em ódio. Nessas condições não pode haver compaixão. Por isso é tão difícil a paz. O corpo sobrevive sem amor,  mas a alma não. Talvez seja isto que a Igreja Católica chama de inferno: o desamor.  Segundo o budismo,  Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento.”  Todos os budas nascem desse sentimento. Jesus deve ter sido muito amado por sua mãe. Ele é amor e compaixão por inteiro. Por isso é o Cristo, o ungido, o sagrado e ao mesmo tempo tão humano.
Intuitivamente o homem salvou a vida daquele gatinho completamente à mercê da  compaixão dos humanos. O que tanto falta no mundo dos ricos. A má distribuição de renda na humanidade vem da ausência de empatia que se transforma em  amor e compaixão.
Renato Russo tem uma frase que me encanta: “Disciplina é liberdade; Compaixão é fortaleza: Ter bondade é ter coragem”.  É tudo o  que o homem que salvou o gatinho tinha para dar.  Ou ainda tem se ainda tiver entre nós. Nunca mais o vi, mas ele ficou em meu coração como planta viçosa  que dá muitos frutos.  
 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Lágrimas


 

 
 
Maria J Fortuna

 

De onde me vem esta tristeza que brota às golfadas da alma? Quem me machucou? Por que não estou conseguindo mais sorrir? Por que meus olhos estão mergulhados em lágrimas que insistem em não me descer pelo rosto? Para responder a essas indagações da mente, deixe primeiro rolar toda essa água represada. Lave o rosto com elas, tire a máscara de “tudo bem” e mostre-se frágil.  Não espere que o melhor amigo, aquele que não o julga, esteja por perto. Bote a boca no mundo ou derrame-se em lágrimas, quando a dor fica insuportável.  Por que tanta vergonha de chorar se você nasceu chorando? A gente chora quando respira o mundo! Não é fácil, e bastante arriscado viver. Por isso é importante procurar o alivio das lágrimas, por que não?
 Até hoje não sei quem me disse que chorar é feio.  Uma praga jogada isso! Lembro-me do meu pai chorando quando o filho foi gravemente acidentado. Foi quando eu o senti humano. Naquela época, homem não chorava. E meu coração se encheu de compaixão por ele.  Quando alguém conseguia se debulhar em lágrimas, era criticado ou interpretado como pessoa fraca, sem controle sobre si mesmo. Tenho uma tia de 103 anos que nunca vi verter uma só lágrima.  Diz ela que são poucas as mulheres que ficam bonitas quando choram. Seria por causa disso? Ela sempre foi muito vaidosa. Pinta os cabelos até hoje.
Não dá para ficar espremendo o coração sem que o pranto escape pelos olhos. Florbela Espanca escreveu em um dos seus poemas:
“E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!”
A dor silenciosa, aquela que ocultamos dentro de nós sem que deixemos transparecer para o mundo, talvez com medo de julgamentos ou de ser chamado de descompensado, se não borbulhar para fora e cair aos borbotões, deixa-nos com aquele ar de melancolia, de olhar triste   sem sorriso.  
Outro motivo que alguns alegam para reprimir o pranto é não preocupar a pessoa que amam quando está por perto. Mas se eu acolho ou tolero seus desabafos lacrimosos, por que não mostrar que necessito desse acolhimento?
É tão simples chorar. As crianças o fazem com tanta simplicidade... Por que se negar a este conforto?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Reencontrar-se


 
O Espelho de Picasso



Maria J Fortuna

 

Todo mundo tem dentro de si o eu verdadeiro. É preciso preparar o campo para que ele se revele.  Toda  a  luta contra a nossa sociedade capitalista, que cultiva o consumismo e a hipocrisia,  é a  busca da nossa verdadeira identidade. Para os que creem ou não em um Deus onipresente, é necessário resgatar-se  desse sufoco pelo domínio do poder, das novas tecnologias viciantes, etc...  No meio poluído, em todos os aspectos em que vivemos, fica cada vez mais difícil o “Conhece-te a ti mesmo”. A ocultação do eu, que eu chamo de alma, começa desde a infância, quando obrigamos os pequenos a enxergar através de nossa visão já poluída por circunstâncias que levam ao afastamento do ser, portanto a perda de si mesmo, para se adequar a uma falsa realidade.   Tudo contribui para esse desfoque: atitudes preconceituosas, fanatismo religioso, o cultivo da ignorância pelos poderosos da nações.
Todo mundo tem uma voz interior que clama por ser ouvida. Mas, tragicamente, há vidas que passam pela Terra e partem sem que isso aconteça. Isto porque, por um lado,  foram envolvidas na trama que o poder econômico articula em prol da alienação dos povos. Por outro, o vício da dominação de um membro sobre o outro  invade as famílias, e a disputa se torna catastrófica para as gerações que aí estão e as que virão.
 Para isso, nada melhor do que a propagação daquilo que pode nos fazer medo. No caso, os horrorosos noticiários de rádio e TV  que  acontecem 24h em nosso dia a dia, trazendo o medo que paralisa as pessoas. A sociedade cria uma expectativa de comportamento, o chamado “politicamente correto”, que é sempre um convite para mascarar nossa própria identidade.  Pe Fábio de Melo em seu livro Quem me roubou de mim, chama esse processo de  des identificação, sequestro do eu.  Onde entregamos ao outro nossa liberdade de ser e agir. Toda nossa luta diária para proteger ou buscar o eu verdadeiro, resulta no reconhecimento de quem sou e quais são meus limites e possibilidades neste mundo.
Em dado momento, se nos encontramos e nos reconhecemos. É como se partíssemos  uma pedra dura e  fria e,  oculta dentro dela,   déssemos com  nossa verdadeira forma em essência. Sinto esse momento como se a alma rompesse a pedra-casulo  e de lá saísse uma borboleta azul fluorescente! Quebrasse o vidro das bandejas, vendidas aos turistas, que as aprisionam como enfeite, e elas se despregassem dali  em forma de bailado, voando para bem longe daquela opressão. Sutil e suavemente...
Mas não existe viagem mais fascinante do que para o interior de nós mesmos.  Existem as falsas viagens através de drogas e álcool em excesso, mas seria como invadir os portais da mente, para mim um templo,  para fugir ou se extasiar diante do “belo”. Há outros meios para buscar o verdadeiro encontro ou reencontro. De perceber a Beleza!
Pertencer a si mesmo não é uma tarefa fácil. Num jardim todas as flores são belas, mas o ato de escolher uma ou algumas quer dizer renunciar a todas as outras. Diante da Natureza maravilhosa em que vivemos, torna-se difícil escolher sem apego, outro obstáculo o qual sempre nos defrontamos. 
Às vezes ficamos tão perdidos dentro de nós mesmos que, ou optamos por um reencontro através de uma terapia ou meditação, ou começamos a entrar no trágico processo de nos convencermos que não há, para nós,  outra alternativa que “amar” o dominador e fingindo  ser o que não somos. O que eliminaria a  possibilidade   deste encontro que deve ser amoroso e diário.
Vale a pena arriscar-se a cada momento a ser estranha... Diferente! Faz parte. Mas a recompensa é maravilhosa!  É o que fazia Einstein na  Segunda Guerra Mundial durante a terrível perseguição aos judeus. Ele judeu, no ato de se reencontrar,  tocava seu violino...

 





Cabelos brancos

Maria J Fortuna

 

 As mãos do tempo,
 na transparência dos lírios,
assanham-me os cabelos
 
 Como espuma de mar
 quebrando ondas
 na arrebentação
Em nova fase lunar
 agora minguante
A neve aquecida
Cai aos flocos
Tingindo a teia prateada
 esparramando fios brancos
 sobre a testa
 
O  clarão de um raio
luz
Sem tempestade.

 

 

Quem sou eu

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Sou alguem preocupado em crescer.

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