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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A gata francesa

Maria J Fortuna









Ela chegou de Paris, toda linda e faceira! Sua beleza chamava atenção, quando, na passarela do aeroporto, desfilou com sua dona, ao descer do avião. Aquele pêlo espetacular, de mechas amarelo-ouro, olhos amendoados, brilhantes, o enorme bigode branco e a carinha mais longa do que a dos gatos que conhecemos aqui no Brasil, não negava sua raiz norueguesa.
Dentro do container, não dava para ver seu elegante caminhar com a cauda felpuda completamente na vertical. Nem dava para ouvir o miado sensual, baixinho, meio rouco, como convém a uma mademoiselle gatinha francesa, cheio de mistérios e sensualidade... Seu nome? Hum... Que nome! O mesmo que ouvi de alguém, chamando por uma bailarina do Moulin Rouge: Nina!
Fiquei pensando... Como seria o encontro de tão gatíssima figura com minha gata preta, trazida de um estacionamento perto da rodoviária? Minha plebéia Mia, nem sonhava com hóspede de tal estirpe!
O detalhe é que Nina ainda estava no finalzinho de um cio, quando pisou no apartamento em Laranjeiras, aqui no Rio de Janeiro. Fui informada de que ela deu uns miadinhos inconvenientes, quando estava nas nuvens, e sentiu um pouco de enjôo comum às debutantes do primeiro vôo. Mas tudo bem. Não chegou a dar vexame.
No primeiro encontro, Mia, a plebéia, eriçou todos os pelos do corpo, jogou as barbatanas para frente, mostrou todos os dentes e jogou para cima da Nina aquele bafo sonoro, que parecia espantar todos os seres invisíveis que moram em nossa casa. Com o corpo em arco e depois em posição de ataque, ficou encarando a outra, morrendo de medo e raiva. O rabo, mesmo com poucos pelos, parecia um espanador. As pupilas dos olhos ficaram completamente dilatadas. Nina não deu bola. Entrou na sala triunfante, peito erguido, patas largas, o que fazia as da Mia parecer ridículas e, apesar de cansada e sedenta da longa viagem, desfilou despreocupada, com seu andar de princesa. Aquele lixo plebeu não ia ofuscar-lhe o brilho...
Assim foram os dois primeiros dias. Nina ainda se espreguiçava, serpenteada nas pernas da gente, com aquele seu grunhido sensual. Fechava os olhos lânguidos e lambia os pelos com leveza e charme, enquanto Mia subia no guarda-roupa e de lá, arrepiada, olhava a invasora, emitindo os ruídos estranhos, próprio de felino que quer caçar.
No terceiro dia, estávamos almoçando na cozinha, quando se ouviu um miado desesperado e um barulho de objetos caindo. Quando chegamos à sala, um monte de pelos pretos voavam pelo ar. Nina havia saído do cio e com toda a herança dos seus ancestrais noruegueses vindo das florestas, partiu para cima da pobre Mia, cuja valentia desceu pelo ralo da casa e nunca mais voltou! Nina havia perdido toda a doçura e porte de gata nobre, nascida em Paris e transportada para Lyon. Parecia uma gata de rua, daquelas barraqueiras, que reage a um simples cheiro de cachorro ou de gato paquerador. Perdeu a linha!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Onde está nossa indignação?



Maria J Fortuna

O assunto está morrendo por aí... Já não se fala do que aconteceu aos meninos torturados pelos veteranos na Marinha. O tempo vai passando e mudamos de assunto, dizendo aquela velha frase: - Fazer o quê? Mas a prática da tortura na Ditadura militar está de volta... E o mais estranho: dentro das Forças Armadas!

Quem são estes agressores fardados, que torturam meninos que querem servir ao Exército, Marinha e Aeronáutica brasileiros? Será que faz parte da formação militar preparar torturadores? Por que são tão sádicos a ponto de causar a morte dos jovens, durante os tais exercícios ou treinamentos militares?
Vocês se lembram de Márcio Lapoente da Silveira? Aquele rapaz brilhante, que aos 18 anos de idade, morreu num dos bárbaros treinamentos na Academia Militar das Agulhas Negras do Rio de Janeiro? Pois é, o processo foi arquivado. Fico pensando... Para onde foi nosso sentimento de indignação? Por que a Imprensa falada e escrita, além de denunciar as barbaridades, não continua a seguir o processo, até ver os culpados desmascarados e punidos? Por que não houve esta cobrança da sociedade? Até hoje a mãe de Márcio reclama por justiça. Há dor maior do que a perda de um filho? Ainda mais nessas circunstâncias?

E quanto à última chacina na Marinha? Pois é, se tivéssemos dado um basta quando Márcio Lapoente foi torturado e morto, talvez não houvesse tantas outras vitimas do mesmo tratamento bárbaro-crime, como aconteceu recentemente na Escola Naval. Foram 12 aspirantes à Marinha, que sofreram um trote cruel, aplicado pelos veteranos, que os submeteram à situação de humilhação e risco de vida. Portanto são 12 mães, que como Carmen Lapoente, mãe do menino Márcio, estão chorando por seus filhos, que tiveram suas vidas ameaçadas. Mas o Coronel Leonardo Puntel falou ao Jornal da Globo:
- “Nós estamos apurando para ver o que efetivamente aconteceu. Não existe trote na escola naval de maneira nenhuma. Existem atividades físicas, físico-militares, atividades profissionais. Tudo isso muito bem planejado”.
Esses rapazes não foram submetidos a atividades “bem planejadas”. Foram sim, parar no Hospital, onde alguns deles fizeram ou ainda fazem diálise! Afinal houve trote ou “atividades físico-militares-profissionais”? De qualquer maneira o sadismo estava presente, como lembrança dos tempos de chumbo. A coisa foi tão cruel, que os moços, expostos ao sol e sem poder beber água, carregando pesadas mochilas, chegaram a esse ponto!
Lembram-se do oficial da Policia Militar Abinoão Soares de Oliveira que, em Alagoas, foi morto por afogamento durante um treinamento? Não se fala mais dos dois tenentes da PM, que estavam “treinando os subordinados para serem “homens especiais”.
E o que se passou em Curitiba, onde a tortura era aplicada pelos recém-formados no 20º Batalhão de Infantaria do Exército? Isto foi denunciado pelo programa Fantástico da rede Globo de Televisão em 2005, que revelou as sessões de tortura. Será que esses homens nunca ouviram falar em direitos humanos? Pois, se no colégio militar acontece tal coisa, o que não se há de pensar com relação às Forças Armadas, responsáveis pela segurança nacional?
A história anda se repetindo demais! Esta semana Daiana Pereira Fernandes , de 25 anos, que participava de um curso para sargento, após exercícios, que “não apresentavam dificuldades”, faleceu. Foi enterrada nesta quarta-feira, dia 9. Por que partiu assim tão jovem? Sentiu-se mal, após a realização de uma atividade física conhecida como pista de progressão, onde os competidores passam por diversos exercícios. Segundo a nota, os tais exercícios “não apresentavam nenhuma dificuldade, nem demandavam esforços físicos exagerados na sua realização”. Será? Qual é então a causa da morte a uma jovem sadia, conforme comprovação médica, ao ingressar no Exército?
Tudo isto é muito sério. Que garantia os pais terão quanto à integridade dos seus filhos, quando fazem opção pela carreira militar? Carmen Lapoente e outras mães, até hoje esperam do reconhecimento da justiça.
Se não houver uma profunda reforma nas escolas militares deste país, os sádicos continuarão formando outros sádicos e fazendo a festa! Há que resgatar os princípios dos direitos humanos e sacudir estas Instituições, na cobrança dos valores democráticos. Há que ter uma nova pedagogia, que não se atenha à segurança nacional, mas à Paz! E que resgate os valores democráticos. Afinal, todos nós estamos inseguros quanto à formação dos nossos jovens militares. Estejamos atentos! Isto precisa mudar! Que cada um de nós proteste a seu modo. Lembrem-se do que falou Mathin Luther King: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem desonestos, nem dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons”. Tem a ver com o velho ditado: Quem cala, consente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Três anos...





Artes e artes está completando este mês, três anos!

Não pensem que foi fácil para mim, criar este blog! Ouvi de algumas pessoas, mensagens desestimulantes. Achei mesmo que seria apenas uma forma de manter-me disciplinada em relação a escrever todas as semanas do ano. Mas encarei! Alguém estar a fim de ver charges e ler crônicas. E comecei escrevendo e postando charges da Lena Luci, que não foram para frente. Uma amiga, que está na década dos seus 40 e poucos anos, me falou que a personagem estava deslocada no tempo, dando achaques de velha. A turma de 50 anos também fez pressão. Então, ela não apareceu mais no blog. Acho que ficou aborrecida com o comentário. Talvez eu estivesse projetando nela meus pitis da terceira idade... Mas continuei com as crônicas. Estava desanimada porque ninguém deixava comentário. Aí resolvi colocar um contador para ver a quantas andavam as entradas no blog. Aí fiquei realmente surpresa! Teve um dia que entraram 59 pessoas... Caramba! Os meus leitores eventuais e seguidores não gostam mesmo de comentar. E quer ver que nem têm tempo para isso... E daí? O importante é que nos visitem!
Escrever para Artes e Artes é uma delicia! O tanto de gente que acabei conectando, vocês nem fazem idéia! Descobri que meus seguidores têm um perfil com características muito parecidas e que escrevem também.
Fiz contato com pessoas que há muito não via, como Noralia de Castro Mello, uma escritora supimpa! Fazia mais de 30 anos que eu não tinha noticias dela... Apareceu uma turma mais jovem, que descobriu que a linguagem da alma é sempre a mesma, e que tempo não existe, quando se trata de sentimento.
Enfim, tem sido uma alegria ver que tem gente do Canadá, Portugal, Alemanha, Suiça, etc... que comparece ao blog quase todas as semanas! Quem disse que eu ia virar uma escritora solitária, escrevendo para mim mesma?
Agradeço do fundo do meu coração a estes leitores maravilhosos que vêm até aqui para curtir minhas mal traçadas linhas. Sinto-me em família com todos vocês! Afinal a gente vive em rede.
Peço, aos que têm tempo, que viagem crônicas dos anos anteriores de Artes e Artes e conheçam temas que escrevi no passado, mas continuam atuais.
Agradeço a Deus e aos que conseguiram desenvolver esta alta tecnologia da informática, que me proporciona tão bons encontros, com este pessoal bacana que frequenta este espaço.
Maria J Fortuna

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quem sou eu

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Sou alguem preocupado em crescer.

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