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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Atenção!

QUERIDOS LEITORES DE ARTES E ARTES, ESTOU PROVISORIAMENTE SEM PC, MAS PROMETO QUE NA PRÓXIMA SEMANA TEREMOS UMA ÓTIMA MATÉRIA SOBRE A ARTISTA PLÁSTICA ELIS PINTO. PRINCIPALMENTE AS MULHERES QUE FREQUENTAM ESTE BLOG, VÃO GOSTAR MUITO.

Em setembro de 2014 digo a mesma coisa:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Em tempos de eleições sempre é bom repetir




Maria J Fortuna






É complicado lidar com nosso impulso, agressivo e provocante, de querer submeter ao outro nosso fundamentalismo interior. Tenho certeza de que toda resposta agressiva, desproporcional à realidade do fato, é fruto disto. Assim começam as guerras pessoais e se dilaceram os relacionamentos. É a sede do poder ter mais razão do que o outro e querer que seu desafeto seja também desafeto do outro. Onde está a percepção de tal absurdo, gente?
Quando teremos um pouco de sabedoria para um diálogo tranquilo? Partir pra cima do oponente com toda efervescência, como se os hormônios do corpo de repente pululassem, o sangue circulasse com enorme rapidez, e os pulmões se dilatassem não faz de ninguém um ser humano respeitável. A verbal fica abusada, grosseira, aguda como lança, querendo convencer o outro da superioridade de seus argumentos. Confesso que já fui assim na minha adolescência e um pouco como jovem adulta. Mas não tenho saudade alguma daquele tipo de indignação, dessa intolerância! Fiz pessoas que, poderiam ser hoje amigas, nunca mais querer olhar para minha cara. Salvo que talvez tenham se transformado de alguma forma, como aconteceu a mim. Quero acreditar de todo coração nisto. Mas nem todos crescem com a idade. A mim, soa ridículo, o vomitar de impropriedades desrespeitosas, no gritar e gesticular, ou escrever palavras venenosas, trazendo argumentos verídicos ou suspeitos, no caso de pessoas adultas. Quanto a mim, houve alguns retornos em que, eu e o amigo, conseguimos colar o fio partido da amizade, que ficou solto ao sopro do tempo. Houve renovação. Chegamos até a rir da linguagem predatória que usávamos uns contra os outros. Mas infelizmente para com alguns, não consegui remendar os trapos que restaram da antiga relação. Infelizmente, isto é fruto de alguma discussão provocativa e acalorada, quando no fundo a luta maior e não percebida, era contra a excessiva autoridade interna dos nossos egos feridos.
Ai do mundo se não houvesse indignação contra a injustiça social que assola nosso planeta! Graças a Deus, todos os dias sou possuída por este sentimento, mas a lucidez que adquiri com os anos, não tolera mais provocação e desrespeito. Tanto é que, em caso de discussão política, não dou nenhum crédito a candidato cuja campanha eleitoral se faz depreciando o adversário.

domingo, 24 de agosto de 2014

A presença de Dali







Maria J Fortuna 

A misteriosa presença do pintor espanhol Salvador Dali em minha vida se deu em 1979, quando regressava de uma viagem à Europa. Relógios que se derretem, borboletas que conduzem caravelas para longe, cabelos que se transformam em cascatas, madonas fragmentadas, seres saindo de ovos, homem cujo corpo é cheio de gavetas, e outras figuras ilógicas, tudo isso surpreendeu minha mente que sempre gostou de contemplar o absurdo. E mais fascinante que tudo, a presença de Gala em sua obra, quando se trata de pintura com figura humana feminina.




Meu gosto pelo absurdo, que não faz parte de regras estabelecidas, às vezes contrário ao bom senso e destituído de racionalidade, encontrada na genial obra desse pintor, é um prato cheio para o que me deixa em estado total de perplexidade! É um grande mergulho no subconsciente representado por relógios maleáveis, jogados nas pedras como se o tempo não tivesse mais importância, lembra minha briga com esse milenário objeto metálico. Não consigo dormir com seu continuo e infernal tic tac.  A sensação é de que o tempo passa muito rápido e não espera que aquele algo de especial aconteça e que iria me realizar plenamente. E pior que isso: posso nem saber de que se trata, pois é às vezes  reduzido a uma sensação.  O que seria tão essencial para quem é mortal?  É o conflito existencial para nós ocidentais: nunca haverá tempo para alcançar tudo o que queremos em nossa vida na Terra, porque em algum momento seremos interrompidos pela morte.    Um apego ao que é inútil torna o mergulhar no sono algo muito difícil!  Daí a insônia.  E com o tempo, vai diminuindo para todos nós a probabilidade de realizar o impossível! Fato frequente nos maiores de sessenta anos... A vigília nessa pressa, na busca do inútil.   Infelizmente, nós ocidentais, não temos o hábito de meditar e viver o agora. Sou parte dos ansiosos que querem travar o tempo, o que é tema para outros contos e crônicas. Voltando a Dali, são muitos os relógios jogados nas pedras, dobrando-se, derretendo-se... Como correr atrás do que quero encontrar antes que o tempo me leve? A obra de Dali nos mostra a finitude da vida, mas também o quanto somos ricos na expressão do nosso descontentamento diante das coisas lógicas do mundo e de como podemos escapar através dos sonhos!



Voar pela vida em caravelas levadas por borboletas, deixar que pensamentos escorram como cascatas pelos meus cabelos brancos... E o tigre enfurecido que sai da boca do peixe? Não lembra acessos de cólera e o extravasar da agressividade reprimida de que somos às vezes possuídos e não conseguimos vomitar sob a forma de fera?  




Agora na exposição de Dali aqui no CCBB ( Centro Cultural Banco do Brasil)  no Rio de Janeiro, tive o prazer de apreciar de perto o desenrolar do seu processo  criativo, quando o ilógico ainda não fazia parte de sua arte. Ali me deparei com a figura do D. Quixote derrotado, em plena lucidez de sua loucura! Mais absurdo que isso?  Realmente o pintor foi fiel ao Cavaleiro da triste figura. 
 
Dali me fez suportar ver o Cristo na cruz, coisa que me nego a contemplar na obra de outros artistas. E na sua Santa Ceia, viajo com o simbolismo esotérico que ele mostra em forma figurativa geométrica. Não posso negar o meu amor pela arte desse gênio louco!

 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Amigos, envolvam-se na energia do texto: comentem!

Constância e Joseph


 

 
                                                                                          Maria J Fortuna
Semiacordada no meio da noite, sem as habituais dores no corpo, mas com  leve entorpecimento, Constância sentiu que, naquela madrugada, alguma coisa mágica iria lhe  acontecer.  Qual o motivo?  Perguntava a si mesma. Lembrou-se: estava sonhando com Joseph!  Mas eis que ele parece ter saído do sonho e estava agora em sua cama, sorrindo para ela com seu toque divino. Ah! Joseph há quanto tempo ele não a visitava em seu leito trazendo de presente para ela aquele perfume de angélica!  No entanto, como sempre acontecia, aquele aroma etéreo  ia se metamorfoseando na medida em que ela se envolvia em devaneios frente à bela figura adquirindo certo toque viril. Algo assim como cheiro de suor misturado com terra depois da chuva.   Então ele, quase humano, aninhava-a em seus braços musculosos que iam adquirindo massa, firmeza.  Recolhia as grandes e macias asas para  fazer amor com ela. Transformava-se no bem amado de carne e osso!  E ela se perdia no tempo e no espaço.  E seu útero de oitenta anos enchia-se de sangue e o corpo do anjo se tornava levemente avermelhado.  Os seios de Constância destilavam orvalho e mel, que era sugado por Joseph. E naquele gesto dele, ela navegava entre as estrelas do seu céu interior e brincava  com elas como se fosse criança. Depois o sono chegava e ela nem via a partida de Joseph.
Seria ele um anjo decaído, tão atrevido ficava quando envolto em seu lençol de linho branco? Ela sentia que não. Não podia ser do mal, pela delicadeza como penetrava em suas entranhas com seu pênis luminoso! Não podia ser, porque naquele momento ela encontrava   Deus! Só ele poderia  proporcionar-lhe tanta felicidade! Talvez por isso algumas damas da noite sejam julgadas perdidas... Porque elas se perdiam de verdade e inteiramente nos braços do homem escolhido para amar.    E não sabia mais se o que sentia era êxtase ou orgasmo. Ou as duas coisas juntas! Tal qual no gozo de Tereza d Ávila com seu anjo que a atingiu com sua lança, imortalizados na escultura de  Gian Lorenzo Bernni.
Sentia que aquele novo encontro era especial e resolveu perguntar, timidamente  a Joseph, o que aconteceria se ele a levasse para as bandas do etéreo... Sabia que não precisava morrer para se sentir no paraíso quando ele acariciava e penetrava seu corpo, até então envelhecido e cansado.
- Joseph... Pronunciou aquele nome como se tivesse entrando em solo sagrado.
- Sim...  A voz dele era grave, mas soava como som de harpa aos seus ouvidos.
- Diga-me meu anjo, o que me aguarda do lado de lá, indagou ansiosa, pois não quero perdê-lo..
O anjo sorriu, estreitou o corpo franzino da mulher em seus braços, agora parecendo de  seda, e segredou carinhosamente:
- Estou querendo levá-la comigo
- Mas sempre fui quase descrente... Sempre tive dúvidas... A respeito do lado de lá. Apesar do nosso amor etéreo, tenho medo,  murmurou Constância.
No que o anjo sorriu, olhando-a com ternura e acrescentou:
- Mas não teme em me ter como homem em alguns momentos... E não tem dúvidas sobre minha existência.
Constância fingiu que não ouviu e indagou a Joseph:
          - Sim, mas o que me aguarda? A ressurreição ou a reencarnação?
           Ele sorriu e não lhe respondeu.
Fazer amor com um anjo era bem mais fácil que dialogar com ele.  Desde a infância se fazia questionamentos sobre do que de fato existia do lado de lá e ficava angustiada quando seu coração pesava ao pensar que poderia não haver absolutamente nada, como afirmavam as religiões. E se toda guerra santa por séculos e séculos, deixaram tantos mortos em vão? Como ficariam os mártires cristãos e os homens-bomba do Islam.? E então ela se deu conta refletindo...  Sentia-se tão perto de Joseph...  Mas e Joseph? Fazia todas as suposições caírem por terra.  Todas as dúvidas eram trituradas como frutas no liquidificador. Se o amava, se sonhava com ele, não podia duvidar de mais nada. Afinal ele não era um mortal. E o julgamento do qual ouvira falar a vida inteira?   Não podia ser condenada por amar um anjo! Trevas seriam se ele se ausentasse de repente. Então segredou a seu amante celestial:
- Minha vida está em seus braços, Joseph... Nos braços do amor.
Alguma pessoa mais sensível do prédio onde morava a anciã, e que  se encontrava acordada até aquela hora, certamente ouviu um forte bater de asas naquela madrugada.
Quanto à Constância, estava  ali deitada na cama, olhar parado sem mais respirar e  com um lindo sorriso nos lábios.  
           Um perfume forte de narcisos inundou todo prédio...
 

 

 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Amigos, envolvam-se na energia do texto: comentem!

O terapeuta

 
 
                                                                                                                                                                                 Maria J Fortuna
 
Rosa nem sabia mais quem era ela. Parou no Rio de Janeiro, fugindo do coronel seu pai, que ditava ordens pelos cotovelos o dia inteiro! Era um inferno! Durante as refeições olhava para aquele homem amargo e ficava conspirando  acerca de sua morte. O velho destilava ressentimentos e produzia um mal estar geral na família. Era um sufoco! Talvez conseguisse um pozinho venenoso e discretamente colocasse em seu prato, pensava. Mas depois viria a policia, a autopsia...  Em seus doze anos de idade, hormônios estourando nas veias, coração querendo voar e o velho ali, controlando a vida de todo mundo em casa.  E ainda tinha o irmão mais velho, que mesmo detestando o pai, adquiriu o hábito do controle da vida alheia.   Precisava sair daquilo lá. Do ambiente opressor e largar-se pela vida como papagaio de seda voando nas nuvens, solto no ar. Foi assim que ficou obcecada pelo desejo de liberdade! Tinha que fugir, não para os braços de um homem como a família esperava. Afinal  aprendeu que todo o elemento masculino era violento e controlador, mas fugir dali seria bom para respirar longe  daquela família. Por mal dos pecados, seus irmãos eram três homens.   E a mãe era submissa, com seus olhos cansados e seu meigo sorriso de fada. Queria ir embora, e aos dezoito anos, e foi mesmo. Parecia ter voado pelos ares a presença incômoda dos familiares. Tal como desfazendo um jogo perverso, jogasse para o alto as cartas de um baralho.  Como se de repente, o terço de sua mãe se partisse e as contas se escondessem pelo chão, sem retorno, e  ela não  conseguisse mais rezar.   Como se seus passos na areia fossem soprados pelo destino e ninguém soubesse seu rumo.
                Nem dava para virar a cabeça e deitar o olhar no que ficou pra trás. Queria escorregar da família opressora tal como um caroço de manga, que quando apertado, desliza da casca.   E foi assim.  Era melhor enfrentar a solidão e o desamor, sem arreios. Perder-se na luz ou no caos para encontrar-se. Tudo era preferível à morte lenta ali, atolada no medo e na culpa.
Foram muitos anos lutando contra aquela doença, sem saber na verdade seu nome.  Viveu quase de tudo. Não se prostituiu por causa do velho medo da violência dos homens. Eles sempre seriam opressores, estranhos, desconhecidos. Mas como era bonita, atraiu alguns deles que tinham traços mais femininos. Um belo machão só gostava de ver no cinema, de longe...
Até o dia em que conheceu o terapeuta. Ele era enorme aos seus olhos! E tinha belos olhos verdes! Aos poucos chegou à conclusão que aqueles olhos enxergavam sua alma! Revirou suas origens, sondou o anjo e o demônio que moravam nela. Arriscou-se a tocar as cordas do seu coração medroso e ressentido. Desafiou a doença, mostrando à Rosa que ela  podia montar outro baralho com cartas imperfeitas, e rezar num terço de contas irregulares, enfim conviver com a louca que morava dentro dela e fazê-la sentir que ela, a louca,   era sua força, o fogo, a energia que lhe  queimavam  o útero e coração. Não restava outro jeito de fazer as pazes com sua sombra. Teria que se aceitar. O terapeuta era tido como um louco que se arriscava a atender até esquizofrênicos. Amado e odiado por muitos, ele “cheirava” cada paciente. E a luta era quase corporal, para que o mesmo despertasse de suas descabeladas ilusões e se descobrisse na caverna do próprio ser. Era especialista em desmascarar o demônio de cada um, tal qual um exorcista. E a luta demorou três anos e três meses.
Ela escrevia relatórios depois de cada sessão. Neles, contava tudo que havia vivido e ecoado em seu coração.  Com letra trêmula, numa noite de insônia,  escreveu o último relatório dos muitos que escrevia depois de cada sessão,  e o entregou ao terapeuta. Escreveu à medida que se lembrava dos episódios marcantes que vivenciava no grupo e de como estava se sentindo, com frases soltas. Mas cada  uma dessas frases parecia ser o resultado do refluxo de sua consciência. E foi escrevendo... 
“Humildade é o reconhecer minha estatura diante do mundo.
Quando  a chama da  razão, da inteligência para de servir aos sentimentos eu me perco,  desagrego, não há mais luz nem sanidade mental.  Então sinto medo. O medo é a emoção mais fácil de ser sentida. O mundo do pensamento é o mundo do delírio. A vida é uma eterna busca de unidade e nos meus ensaios e erros reside a alegria do encontro com o outro, que não passa de um reencontro comigo mesma.
Sou a fusão do meu ser com o não ser. Positivo e negativo. Nisso meu dou o direito de errar e conviver com meus irmãos no banquete da vida.
                O sentir e o consentir o outro é um treino constante para o amor a mim mesma. O respeito e a justiça são as condições básicas para que o amor se faça presente.
O homem existe pelo que sente. Deus é o outro, ponto de referência para que eu exista. A confiança que deposito no outro é a entrega nas mãos de Deus.  Não há tempo nem espaço no mundo do sentimento.  Começo a ficar doente na hora em que o tempo passa a existir para mim. 
O sentimento de culpa coloca o outro sob minha dependência e vice-versa.  O sentir e consentir o outro são  treino constante para o amor a mim mesma. O respeito e a justiça são condições básicas para que esse amor exista.
O ato de fazer nascer é um ato  amoroso da mãe, no consentir que em seu universo haja um corpo estranho, gerado por ela, e do pai que dá a liberdade àquele que acabou de gerar.
 A criança é a encarnação da luz por causa de sua espontaneidade.  O herói e a vítima perderam a espontaneidade. Vivem num mundo obscuro.
O pai é a referência da minha liberdade. Deus é Pai, é a liberdade. A minha liberdade. Só possuo consciência à medida que eu sinto. “No mais me restam a atenção e o desgaste.”
 
O terapeuta leu seu texto, pausadamente, enquanto o grupo aguardava o final da sessão. Depois olhou para Rosa. Ele não era mais o homem grande. Agora ele tinha sua estatura, mas seus olhos de esmeralda brilhavam mais do que nunca! . Sorriu  para a moça e , corajosamente, assumiu sua  baixa na terapia. A alta, a vida que dava...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Rosane Zanini em Ante Portas




Rosane Zanini
 
 

                                                                                                                                    Maria J Fortuna

 

Uma das mais agradáveis descobertas em minha jornada como escritora foi conhecer Rosane Zanini e sua obra.  O encontro se deu através da REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras) e desde 2008 mantemos correspondência. Ela, arquiteta e poeta, trouxe para sua poesia “a arquitetura das emoções”, como bem descreve Ronaldo Salas Cabrera, que escreveu o prefácio do seu último livro Ante Portas. Nesta obra, ela nos mostra o quanto a lógica e a razão podem andar de braços dados com a poesia.

 Rosane, arquiteta e urbanista, formou-se na Universidade do Vale do Rio Sinos, no Rio Grande do Sul. É  brasileira, filha de imigrantes italianos e, como muitos jovens,  participou da luta contra a ditadura militar que assolou o país por longos vinte anos durante os anos oitenta. Nesse período, amplifica sua paixão pela matemática e estuda urbanismo no curso de Arquitetura em Berlim, onde concluiu a tese de doutorado. Após esta fase, mudou-se para Zurique, desenvolvendo cada vez mais seu amor pela literatura. Com isso recebeu vários prêmios literários e publicou alguns livros de poesia e um de conto: Horas contadas, em parceria com Silvana Mariani onde, a meu ver mergulhou, sobretudo na alma feminina com todas as suas contradições. Neste livro, sentimos seu  interesse pelas causas sociais, pois o cenários são  vilarejos interioranos e favelas do Brasil.
 
 

Ante Portas deixa- nos ver entre suas frestas luminosas a alma dessa poetisa tão ímpar, que inspirada na leitura da Divina Comédia de Dante Alighieri, deixa escapar os rompantes mais profundos de sua alma como no poema Uma janela:

Uma janela

                               semicerrada

Um olhar distante

                               apático

enfoca as folhas

laranjas que passeiam

na tarde sem sol

Desta janela

                               uma fresta

apenas lembranças

o mundo distante

                               passado disforme

A janela

                               emoldura

desfocadas tristezas

ao longe um ponto qualquer.

 

Ao ler sua poesia sentimos, Entre Portas, a  “arquitetura das emoções” a que se refere Cabrera.

Minha identificação com a mulher Rosane é quase imediata, pois nas poesias ela  fala de suas dores, da solidão nas cidades, onde há um quarto, uma janela, uma porta e um coração solitário, paisagem comum   aos que habitam sobretudo apartamento nas grandes metrópoles.  No poema Uma voz, uma cidade, ela assim escreve: “uma voz, um encontro/uma cidade distante/a chamada furtiva/rápido adeus. É a voz de uma filha de imigrantes italianos que não esquece suas raízes e acrescenta na língua dos seus antepassados:   “ – ora voglio di piú/una storia importante/como ti vorrei/quando ti vorrei...”

Junto a seu livro Entre Portas uma nova Antologia foi publicada, da qual tive a honra de ser escolhida para ser  autora  da   capa: A cidade dos pequenos sonhos,     e ainda participar com algumas poesias tal como nas duas anteriores: A cidade em nós e Um dia em minha cidade. Esta última, também traz  textos em espanhol e português com tradução em alemão, onde participam autores de vários países como Rolando Salas-Cabrera, do Chile,  que vive na Espanha, Virginia Maria Zanini e Rita Rios, do Brasil, Sandra Leonor Mansino Delgado, do Uruguai, Lucia Obando Salazar, da Colômbia, Werner Widenmeier, da Suiça, Wolfgang Kumpfe, da Alemanha, além da própria Rosane Zanini, cuja proposta é mostrar o que há de comum em emoções e sentimentos na cidade interior de cada um,  universalizando a literatura como um canto de união entre os povos,  convocando-os a uma experiência fenomenológica. Interessante Rosane redescobrir sempre a partir de sua vivência como arquiteta, construção da alma de cada um no mundo dos sentimentos e emoções, além dos limites geográficos, como diz sua prefaciadora da Cidade em nós, Olga Lucia Obando. Nessa Antologia, a  cidade é  cantada em prosa e verso, trazendo textos de Berlim, Zurich, Stuttgard, Paris, São Luís do Maranhão quando,  como maranhense, tive oportunidade de escrever sobre os dias iluminados da minha infância.
 
 


Termino com alguns versos de uma das  poesias de Rosane, das minhas preferidas,  que se chama  Giramondo. Ela termina assim:

Se muitas vezes perdi

Não foi porque não tentei

E o alvorecer, radiante aurora

- como foi e sempre será –

                              Não me despertará

Porém, contudo, um pequeno raio

De esperança luz ao anoitecer segredará

- Giramondo, em terras estranhas distantes

Eternamente errante!

(Publiquei em Artes e artes este poema em 2009)

 

 

 

 

domingo, 27 de julho de 2014

Um pássaro é um pássaro...






foto de Krishnamurti

                                                                           Maria J Fortuna


Um pássaro é um pássaro, uma flor é uma flor. Por que para o ser humano é tão difícil ser ele mesmo? Parece uma pergunta idiota, de quem não conhece sua própria natureza e as dificuldades cognoscíveis ou não, por que tem que lutar para conseguir tal intento? A pergunta poderia ser: por que criamos, ao longo do tempo, tantos obstáculos para a realização plena da nossa natureza humana? Sabemos que logo que a luz se faz a nossos olhos, já estamos às voltas com nosso próprio temperamento, que se a princípio não aceito pelos pais, contribuirá para nos transformar num desastre! Depois vem a família, religião, valores culturais que ajudam ou dificultam o autoconhecimento. Isto todo mundo sabe, mas aí me vem outra pergunta: que espaço temos para sermos livres de dogmas e preconceitos em nossas vidas? Sim, porque para que haja autoconhecimento precisamos, acima de tudo, de liberdade.
                         Durante muito tempo li muitos livros e textos de Jiddu Krishnamurti. Este Mestre foi o grande responsável pela quebra de paradigma de muitos dos meus companheiros na década de sessenta. E o que me encantou nele foi a força interior que o fez se negar a ser o veículo para o "Instrutor do Mundo". Krishnamurti, no entanto, não tinha compromisso com nenhuma linha filosófica ou religiosa, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Declarou ser a verdade "uma terra sem caminhos", à qual nenhuma religião formalizada, filosofia ou seita daria acesso. Só tinha compromisso com ele mesmo. Imagine a revolução interior, a ausência de referência quando, de repente, uma pessoa referenciada por crenças e dogmas judaico-cristãos, se depara com tal proposta de liberdade? Krishnamurti afirma que é possível produzir mudanças fundamentais na sociedade, apenas pela transformação da consciência individual. Isto me lembra a proposta de Paulo Freire sobre a importância da necessidade de uma pedagogia dialógica emancipatória do indivíduo oprimido. O que nos oprime afinal? Por que temos tanto medo da liberdade?
                          Neste mundo moderno está cada vez mais difícil o indivíduo ser autor de sua própria história. No apelo do consumismo, na luta desvairada pelo poder, na correria da sobrevivência, estamos nos perdendo. As máscaras se sucedem, conforme as conveniências e, cada vez mais, ocultam a nossa própria verdade. A violência, a exploração e a injustiça estão presentes o tempo todo, sem data para acabar.
Enquanto tudo isto acontece, alguém acorda absolutamente ausente de si mesmo e, nesse estado, consulta o horóscopo do dia, toma um desjejum às pressas, pega condução para o serviço. À noite, ao chegar em casa, liga a TV no noticiário do horror, assiste à novela da onda e vai para a cama dormir ( se conseguir). Acorda no dia seguinte, quando tudo recomeça...
Quem é esta pessoa? Não faço a mínima idéia... Nem ele próprio.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A sala mágica com suas borboletas






                                                                                                                                                          Maria J Fortuna


Eram muitos os casulos que se alojavam nas paredes daquela sala. Todos os dias a moça de branco ia lá ver quais os que tinham se rompido, deixando livre mais uma borboleta. Então algumas casquinhas vazias voavam até cair, aos pedaços, no frio chão da sala onde ela atendia seus pacientes.  Parece que por causa daquelas lindas pequenas ninfas coloridas que a Natureza tingiu de amarelo e laranja,  e a presença da gata que gostava de parir na grande gaveta da escrivaninha, aquela sala era realmente abençoada! Ninguém dizia que se tratava de um cômodo de um posto de psiquiatria! Sem falar nas plantas que se vestiam com um verde magnífico, apesar dos poucos raios de sol das manhãs que penetravam, timidamente, pelo basculante, mas sem tocar em todas elas, nas plantas.  Ali estavam ali, decorativas, refrescando os casulos no calor do verão e mostrando presença solidária no inverno. Mas, invariavelmente, perfumavam a sala! Ninguém dizia que naquele local eram realizadas entrevistas onde seriam atendidos os pacientes com diagnósticos dos mais variáveis em psiquiatria.  Muitas vezes, o contato com aquele ambiente nascedouro de borboletas, folhas verdes e gatinhos, os acalmava.  Alguns chegavam a desembrulhar ali suas mágoas, buscando remédio para suas feridas em longos monólogos ou diálogos com a moça de branco. Debulhavam fantasias e viajavam em seus delírios, ou simplesmente ficavam em silêncio, sentindo os eflúvios do ambiente.
A gata malhada de cinza e branco que gostava de dar a luz ao filhotinhos na gaveta, ali ficava até que chegava a hora da mãe carrega-los na boca, transportando-os para um lugar desconhecido dos profissionais e pacientes do Posto.  Foram três crias em dois anos!
Muitos diziam que a moça de branco tinha pacto com bruxas e fadas; outros que o pacto era celestial: seres de luz visitavam a sala mágica, que atraia plantas, borboletas e gata prenha.
Um dia de inverno, a moça chegou à sala e havia uma mancha marrom saindo de dentro de um dos casulos incrustrados no tapume, próximo às plantas.  O líquido derramado brotava por uma pequena fenda na parte inferior do pequeno envoltório cinza.  A moça viu que em sua   extremidade, duas pequenas asas ensaiavam aparecer.  Então ficou ali, esperando o andamento do parto no desabrochar do momento.  Mas os minutos se passaram e nada do inseto emergir do casulo... O que teria acontecido?  E entre o atendimento a um cliente ou outro, ela deitava o olhar na parede branca onde estava o pequeno casulo,  como se quisesse aquece-lo com seu olhar preocupado. Talvez pudesse ajudar no parto  usando os dedos para libertar o serzinho que parecia ter arrefecido em suas forças na luta pela vida.  Mas tinha muito medo... Podia abrir o casulo sem que o inseto tivesse preparado para nascer. Fugia, outrossim, de vê-lo lá dentro,  com suas pernas longas encolhidas e as asas inertes,  murchas e molhadas no interior do recipiente que não cedeu ao rompimento da vida!   Lembrava-se de como os outros casulos de onde saíram  borboletas amarelas. Elas se contorciam no interior dos mesmos,  talvez dolorosamente, para romper a casaca,  mas de lá partiam,  com as asas úmidas após o período de pupa e que, depois daquele instante, milagrosamente voavam em direção as flores dos canteiros plantados pelos pacientes, que ficava  no jardim, em frente á sala de laborterapia. A partir dali,  era com o sol e o vento secar-lhes as asas. Mas aquela imóvel, de envoltório semiaberto, era diferente.   O que havia acontecido?
Num instante de reflexão sobre nascer e morrer, a moça sentiu que ali estava a representação viva do ganhar e do perder.  Do que é inevitável e do que pode ser superado. E imaginou quantas conquistas e derrotas lhe traziam o atendimento a seus pacientes chamados de “loucos”. Os anos que teria que passar diante da pouca possibilidade de recuperação, mesmo parcial, de uma maioria considerável deles. E de outros que não teriam nenhuma chance de consegui-lo.  O casulo duro, espesso, maldoso, simbolizava naquele momento, além da doença, o ambiente social daqueles cuja superação parecia impossível!    O casulo humano é fincado na parede do útero, dentro de um corpo, próximo ao coração,  e ali se alimenta porque nasce com fome de leite e de amor. Um deles só não basta. Teria que ser a comunhão dos dois, pensou. Quantos haviam nascido do amor?
Ali estava um ser que havia fabricado algo em volta de si  mesmo e que acabou se tornando seu próprio féretro. Teria que celebrar quando um daqueles homens e mulheres voasse, com suas  consciências, em direção ao sol! Para isso a metamorfose seria lenta e ela haveria de ter paciência... Não podia dar voz às suas frustrações.  Mas longos anos de profissão aguardavam a moça de branco para vivenciar o processo do seu próprio crescimento.  Mesmo assim era muito bom estar ali. Porque da dificuldade vem à esperança! Aquela borboleta não havia nascido, mas as demais voavam soltas, felizes!  Disseram sim à vida!
No final do expediente, a moça sentiu o silêncio no Posto de Psiquiatria. Ali estava ela diante do casulo que ainda mostrava as pontas das pequenas asas que não voariam. Retirou o mesmo da parede e respeitosamente arremessou-o pelo basculante em direção ao canteiro de flores rosas que circundava o prédio.  Apagou a luz da sala e saiu.

 


segunda-feira, 7 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Ninguém avisou...


 

Maria J Fortuna

 


Ninguém avisou pra gente que seria assim...
Tem curso para educar crianças, para atender aos vendavais da adolescência, para moços, senhoras menopausadas, etc. Tem até curso para lidar com terminais! Mas ninguém comunica com clareza pra gente o que poderá acontecer depois dos sessenta anos de vida... Salvo nos programas sobre saúde para a terceira idade.
Tal comunicado partiria, logicamente, de quem já vivenciou a estação do outono e chegou ao inverno. O que ocorre no corpo é óbvio. Mas, e no espírito que carece de superação a cada passo? O que toda esta enorme população de idosos está sentindo a respeito?
Salvo a fragilidade física, como denominador comum, o que sente esta grande camada da população à medida que as décadas se sucedem? Estamos ai, trazendo todas as estações em nossos corpos.
Sem chance terapeuta mais novos tratarem de idosos. Falta de referência. É como padre aconselhando casais. Na verdade quem não chegou até lá, não tem a menor idéia da situação. E os que chegaram preferem não comentar.
Procuro dentro de mim onde está o medo que gera preconceitos. Encontrei na caixa preta do inconsciente... Medo da morte! Um compromisso que a gente traz ao nascer. Quem dá a um filho uma coisa dá a outra. Informação melancólica para a criança ou o jovem que fatalmente percorrerá a mesma estrada, mas necessária.
No frigir dos ovos, sinto que toda nossa dificuldade de pessoas, jovens ou idosas, reside no tabu da morte. Fato que não engolimos. Não só a certeza da finitude, mas a velhice é muito dura de ser aceita porque uma sinaliza a outra - o fim da nossa vida na Terra. Por isto evita-se falar sobre o assunto. Talvez em consultórios médicos, ou na confidencia de um individuo para o outro que está passando pelo mesmo processo... Mas é difícil encarar o fato com naturalidade. Tenho conhecido pessoas que apesar de serem muito religiosas, tem a mesma dificuldade.

Mas qual o momento da vida que não temos o desconhecido pela frente? E qual de nós não passa por pela sinfonia inacabada das perdas em todas as fases da vida? O medo de perder será maior que a vontade de ganhar? Quem, por alguns segundos, não se perdeu da mãe quando criança, e ficou desesperado chorando pelos cantos, sentindo um vácuo dentro de si? Dá para avaliar o que significa isto?
O desconhecido é uma questão sem solução para o ser humano. Por isto mesmo existe a esperança e a fé. A gente morre todos os dias por falta de fé. Para os mais intelectualizados há que ter consciência de que a fé vai à frente e o intelecto atrás. Não adianta querer discutir está questão.
Ninguém avisou a gente que seria assim... Mas se descobrimos que assim é, vamos reconsiderar o que estamos vivendo.
Teoricamente eu sabia que meu corpo iria ficar tão cansado algum dia que eu simplesmente pediria, talvez silenciosamente, para ir embora.
Mas também desconhecia que ao mesmo tempo em que o corpo vai caindo por terra uma nova semente nasce em nossos corações – a semente da transcendência! Este apelo estimula nossa capacidade criativa que brota com maior intensidade. Na atenção movida pela curiosidade, o volume de indagações vai aumentando consideravelmente! É hora do passado torne-se aliado e que as experiências antigas fundamentem as novas.
Tenho sentido que ao lado das dificuldades físicas, a capacidade de amar se amplia devido ao exercício de tolerância conosco mesmos e da compaixão para com os outros. A paixão continua existindo... Apenas não temos mais interesse em processar tudo que acontece a ponto de guardar na memória um punhado de coisas inúteis.
A idade é um número que não tem contagem regressiva. Cabe a nós mesmos somar conhecimento, sensibilidade e sabedoria.
Com tanta riqueza acumulada, não podemos pedir licença a ninguém para nos fazer presente, seja aonde for! Melhor que a gente se torne presente em amor e humor.
Importante é acreditar naquilo que estamos criando e vivenciando a cada dia. Nem todo mundo tem este privilégio até a hora partir. Cada um segue com a bagagem que arrumou com cuidado nos porões da alma.
Costumo dizer a mim mesma quando o medo se faz presente: enquanto minha alma passear pela avenida cheia de carnaval e repleta de coisas sagradas, estarei vivinha da silva!
Ouçamos a música do Gonzaguinha em nossos corações: "Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz"... Que seja nosso refrão.
Tristezas do passado e medo do futuro... Péssima dupla!
Bem, Já que ninguém nos contou como seria o inverno da vida, o jeito é, corajosamente, descobrirmos por nós mesmos. Tem outro jeito?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A dentadura de Joaquim - Capítulo 3



Passado menos de uma semana, DoMaria recebeu um telefonema do Hospital Imaculada. Era a respeito de Joaquim. A Assistente Social responsável por seu caso naquele Hospital participava que sua dentadura havia sumido e ele solicitava outra.  Ninguém dava notícia de onde estava a recém-adquirida prótese. Procuraram por toda a enfermaria! Joaquim estava inconsolável!
DoMaria requisitou transporte para visitá-lo. Chegou a  sua enfermaria na hora da medicação dos clientes daquele Hospital.   Joaquim estava moquecado num canto do corredor com a cara emburrada.  Ao ver sua já querida Assistente Social esboçou um sorriso de esperança!
- DoMaria, estou no inferno sem minha dentadura. Não alembro onde foi que ela foi parar. Se minha dona já me viu com ela, o que vai sê de mim sem ela? Indagou com a voz meio embolada, já que havia tomado psicotrópicos para amenizar os efeitos do Trecator.
- Bem Joaquim, se não aparecer mesmo, a gente tem que esperar um pouco para conseguir outra, disse DoMaria, carinhosamente. E continuou: - Agora fique tranquilo. Você vai voltar para o Hospital Julia Kubistchek logo que estiver melhor e a gente vai conversar a respeito.
- Tá bom, mas a senhora me promete mesmo? Indagou aflito.
- Vou fazer todo esforço para conseguir outra, afirmou a moça.
Realmente teria que fazer um longo relatório mencionando o acontecido e justificando a atitude do paciente, com embasamento no atestado do psiquiatra responsável pelo caso, para fazer outra solicitação. Era um pouco complicado já que o primeiro pedido tinha sido recente.  Mas o mistério do desaparecimento da dentadura continuava. Atendentes, auxiliares de enfermagem, pessoal da limpeza, enfermeira, médico, ninguém sabia o que Joaquim havia feito para aquela engrenagem bucal cheia de dentes sumir. Afinal se tratava de uma doação cara  que outros pacientes estavam na fila solicitando. O jeito era aguardar mais um pouco até que alguém  que tivesse  alguma  pista desse uma notícia.
Passaram-se três meses, quando Joaquim voltou ao Hospital Julia Kubistchek. A Assistente Social  disse-lhe da dificuldade que estava encontrando para a concessão de nova prótese, porque realmente sem justificar o que ele havia feito com a mesma, ficaria uma lacuna no relatório, além de comprometer a administração do Hospital Imaculada, o que ela não queria que acontecesse. Em várias entrevistas com o paciente a resposta era a mesma:
- Não sei mesmo, DoMaria, onde botei o trem...
Uma tarde daquele verão quente,  um novo telefonema do Hospital Imaculada dando noticias recentes de um fato que envolvia Joaquim: No prontuário da primeira enfermaria de onde ele havia chegado naquele dia fatídico, estava escrito: O paciente Joaquim da Silva, que deu entrada nesse nosocômio em crise psicótica jogou sua dentadura no vaso sanitário e deu descarga. Assinado:  Auxiliar de Enfermagem Valfrido Sitardino, que logo em seguida ao fato, soubemos que foi transferido para um Centro de Psiquiatria no bairro Padre Eustáquio. E devido à transferência do paciente para outra enfermaria, ninguém mais havia lido o prontuário.

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