terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Lindo texto de Norália!



Talvez para comemorar o segundo aniversário de Artes e artes, recebí este texto de Norália de Mello Castro, uma das minhas contemporâneas dos anos 60, a propósito da minha crônica Exausta de Deus. Seria muito bom se os leitores do de Artes e artes me enviassem textos comentando o que escrevo, como fez Norália. É muito enriquecedor para mim. Vejam o que ela escreveu:

Exaustão ou Exaltação

Ontem li Exausta de Deus, texto de outra escritora, que estáexausta de Deus por causa de dores e contradições existentes.Quis até responder, mas não o fiz.Esse texto ficou em mim o dia inteiro: dizer que está exausta de Deus é igual a dizer estar exausta da vida.Não estou exausta, por vezes, há um cansaço da vida por não encontrar respostas para as contradições que a vida impõe até à uma insônia, em busca de respostas..Ah, sim, cansaço existe sim quando da inércia, da monotonia e do tédio não se apresentam respostas.Vem à mente um texto do Mestre Meisushama que descreve a monotonia do céu, do tédio de estar lá, onde nada ou quase nada acontece: uma casa branca ao lado de um lago sem ondas, o casal andando pra cá e prá lá, suplicando para voltar a Terra, pois não agüentam mais o tédio do céu. Esta imagem me volta totalmente em preto e branco. Não tem cores no céu? Cores? Tudo em preto e branco?Em seguida, vêm as palavras de Levi Strauss: os povos são diferenciados por que necessitam ser, senão não haveria razão de ser, se todos fossem iguais. Este antropólogo confirma para mim, o que Mestre Meisushama preconiza: as classes existem para que o aprendizado se faça. Por vezes, revoltam-me estas diferenciações, acho injustas, que se utilizem alguns para beneficiar outros ou a eles próprios: fome miséria descaso inércia, tudo me revolta quando vejo uma criança com doença incurável. Então pergunto: por que tudo isto?Se tudo fosse igual, perfeito, não haveria razão de ser e o aprendizado seria engolido pela não- existência. Ele nos fez para que as lições na Terra nos façam crescer, nos tornar sua imagem e semelhança. Afinal a sua própria criação está em constante processo de evolução/transformação. Assim, preciso fazer na minha vida.Insônia? Quase nunca tenho: combato-a com a contagem dos carneirinhos, contagem esta substituída pela Ave Maria, oração curta e de efeito calmante. E, eu durmo o sono dos anjos.Afinal, posso escolher o caminho que quiser, tenho livre arbítrio para tal.Há tempos parei de questionar Deus. Não estou exausta Dele. Eu o exalto através da Mãe Terra, onde ele nos colocou para a grande aprendizagem. Aqui encontro com a felicidade de ser filha Dele, partícula Dele, de estar viva e dormindo, de questionar ou sonhar. Não quero a inércia tediosa de tudo perfeito. Dói. A Dor de viver dói, mas o Silêncio muitas vezes é a melhor resposta. Até o não ao homem que veio pedir um café e me fez ver o poder de medo. Estou viva, aqui e agora, sou parte deste vasto mundo, sou parte da roda da vida hoje. Estar viva é o que realmente importa. Bom é chegar ao fim do dia e poder dizer: ”fiz hoje o melhor que pude”. Sentir Deus que vem da energia do vento, da luz do sol, da ternura da noite, da sofreguidão das tormentas.Sei que Ele existe e sua Inteligência é algo inimaginável e sua capacidade de amor maior ainda. Sou parte Dele e aqui estou junto de sua Criação: o meu planeta, o meu corpo e até mesmo os meus questionamentos.Não estou exausta Dele: eu o exalto neste dia que apenas começou. E diante de tal Beleza, que só um grande amor pode proporcionar, eu me curvo. E amanhã? O amanhã será: hoje eu fiz o meu melhor. Estou cheia de amor por Ele e eu o exalto.Amor? Este será outro tema.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aquela mulher







Maria J Fortuna

Há tempos eu tinha esta vontade: conhecer pessoalmente Marília Gabriela. Agora estávamos tão perto; eu na segunda fila do teatro, e ela no palco onde interpretaria, mais uma vez - Aquela Mulher - a personagem baseada em Hilary Clinton, pré- candidata à presidência dos Estados Unidos nas últimas eleições . O texto é do angolano José Eduardo Agualusa, com direção de Antônio Fagundes.
Antes de começar o espetáculo, havia me feito algumas perguntas recorrentes: será que ela vai ser tão boa no palco quanto é como entrevistadora? Bem, corajosa e versátil sei que ela é, e muito! Mas será que vai se apresentar com a mesma segurança como encara os milhões de espectadores na TV? Escolheu um monólogo... Por que monólogo? Não é esta categoria de peça teatral um desafio para um ator com muitos anos de teatro? Lembrei-me de Fernanda Montenegro, na peça Dona doida, onde ela interpretava os poemas de Adélia Prado. E Paulo Autran, em As mãos de Eurídice. Puxa, uma loucura os fatores memória e interpretação daqueles dois gigantes! No caso de Fernanda, poesia é poesia, não há jeito de omitir ou trocar uma só palavra. Mas a Gabriela escolheu o mais difícil,por quê? Numa entrevista ao Jornal do Brasil, ela responde: “monólogo é mais fácil para mim, não quero atrapalhar ninguém em cena.” Esta entrevista eu li depois do espetáculo.
A batida de Molière soou dentro de mim. Nossa, estou nervosa por ela. Lembrei-me de todas as vezes que, em exercícios de teatro, eu mergulhava na emoção e me envolvia com a personagem, e nela, eu me perdia. Mas o que me preocupava era decorar os textos. Estava ansiosa, sim, por ela. O texto de Agualusa coloca a personagem de forma solitária, com suas indagações, a cerca de si mesma e do mundo do feminino, nas vésperas de tornar-se presidente da nação mais poderosa do planeta. Bem apropriado para uma atriz que vence desafios.
A cortina abriu e eis uma Marília ofegante, sentada no palco com a cabeça baixa, roupão e cabelos em desalinho. Começou a falar com aquela voz grave que a maioria dos brasileiros conhece. Parecia, a meu ver, travar uma luta enorme consigo mesma, para deixar emergir o texto que saia às golfadas. Eu disse a meu ver...
A identificação com a personagem, tão forte quanto ela, facilitou as coisas naquele primeiro instante. A cada momento, a luz se apagava e reacendia. E ela se colocava em um lugar diferente, mas próximo a uma só poltrona daquele cenário quase nu. Encontrei em alguns momentos, a Hilary em Marilia.
Num segundo momento, ela aparece com um terninho claro, para realizar um discurso. Ali, a alma feminina deixa-se transparecer no texto de Agualusa, revelando paixão, solidão, fracasso e tudo a que nós femininos mortais estamos de certa forma mais vulneráveis. Havia humor em algumas frases. Confesso que para mim foi difícil senti-la naquele momento. Definitivamente é verdade que o drama é bem mais fácil que o humor no teatro. Fazer a sutil passagem de um para o outro num texto como o de Agualusa, requer muito suor e talento.
Num terceiro e último momento, ela aparece vestida de pássaro para maior surpresa, acho que de todos. Mais difícil ainda sentir naquela mulher guerreira por natureza, de olhar tão forte, a leveza de uma ave. E com isto, Marília encerrou sua apresentação no palco.
Depois de alguns aplausos, não muito convincentes, retirou-se.
Saí dali pensando: por que pessoas tão talentosas em um campo profissional insistem em enveredar por outros caminhos, numa exposição tão grande de sua própria figura?


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mulher de 50 ou mais... E a grande dúvida!


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O lado sombra...






Maria J Fortuna





(Desconheço o autor da figura)




Alguém me falou que, quando nos aproximamos de outro ser humano, somos quatro e não dois. O que vem a ser isto?
O que seria uma pessoa negativa ou “baixo astral”? Por que o tal campo energético é tão pesado, a ponto de não suportarmos a presença daquela pessoa? Uns dizem que o outro está “carregado” ou "mal acompanhado”, conforme suas crenças ou religião que praticam, e sentem que a simples visão daquela criatura estraga seu dia... O que a torna tão indesejada a nossos olhos?
É verdade, também, que há dias em que nos tornamos insuportáveis a nós mesmos! Esta constatação me levou a consciência de que, o que não toleramos em nós, muito menos suportamos no outro. Neste confronto, começa a brotar a percepção do nosso inseparável lado sombra! Eu me pergunto quantos são conscientes deste seu lado? E quantos acolhem a idéia de que ele existe e interfere em nosso comportamento? É mais fácil dizer que hoje estou de “baixo astral” ou que aquele cara é “carga pesada”, porque não há aceitação, por um e outro, de sua própria sombra. Apenas negamos , projetamos em outras pessoas. Quem não sentiu este lado obscuro do ser se manifestando em forma de insatisfação, inveja, irritação, arrogância e outros monstrinhos?
Os anjos não têm lado sombra, são luminosos! Minha gata brinca com sua sombra todos os dias. Mas a gente, todos os dias, tem que lutar para que a dita não tome conta de nós. E a única forma de conseguir este intento é aceitando carinhosamente que somos humanos, o que trás consigo este preço. E que sem a síntese: luz-sombra, não é possível existir. Esta consciência resgata a autoestima e torna a vida mais leve. Isto envolve o perdoar-se de cada dia. A cada escorregão, um perdão. É o único jeito de não nos tornarmos amargos e intolerantes e arrogantes, como válvula de escape. Mas adianta?
Estar bem consigo mesmo é não negar o lado obscuro que mora dentro de nós.
Semana passada, num dia em que meu lado sombra me deu uma rasteira e eu não me perdoava de jeito algum, resolvi limpar pelo menos o corpo. Na falta de banheira, entrei embaixo do chuveiro. A água geladinha espantou o calor do Rio de Janeiro. Deixei que ela caísse aos borbotões em minha cabeça quente. Logicamente, já me sentindo culpada de estar gastando muita água em tempos de aquecimento global. Mas, em alguns segundos, a água chorou comigo e escorregou carinhosamente por todo meu corpo tomando conta dele, acariciando-o. A bucha de fibra natural ativou-me a circulação do sangue, e o sabonete perfumou o momento. Fiquei pensando, ao fechar a torneira, e contemplando minha própria nudez, assim tão simples e despojada: este bem-estar podia ser completo se a ducha lavasse a sombra desta alma carregada de vaidade! Mas aí aconteceu que meu lado luz indagou: Por que não me permito errar? Preciso ter maior compreensão das minhas carências... Se não tenho corpo físico tão perfeito, por que tenho que me comportar tão perfeitamente? Por que não ser tolerante e respeitosa com a alma, como estou sendo com o corpo? Por que não acalmá-la, lavando e acolhendo com delicadeza, as formas imperfeitas da minha expressão humana? Estava vendo a sombra, que acompanhava meus movimentos, projetada na parede enquanto eu me enxugava e brinquei com ela.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mulher de 50 ou mais...


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sábado, 23 de janeiro de 2010

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