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quinta-feira, 15 de maio de 2014

A arte de Daruich Hilal


 

Maria J Fortuna

 

                Gosto de apreciar as obras de Daruich Hilal. Não o conheci em suas fases anteriores. Parece-me  que naquela época, o arquiteto falava mais alto em sua linguagem de grafite em tela.



                    Na pequena pesquisa que eu havia feito para conhecê-lo melhor, senti o quanto  ele é apaixonado por cores vibrantes, e tenho observado  nesta sua nova fase o quanto ele se debruçou com todo amor sobre seu trabalho. Sempre me interessei por sua obra desde que ingressei na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Ali apreciei a construção dos seus gigantes coloridos.  Presenciei por instantes, parada em frente a suas grandes telas,  alguns deles nascendo e crescendo.  Uma vez ao vê-los concluídos, procuro libertar-me um pouco da ideia de sua proposta inicial: motivado  pelos apelos da estética homossexual, em sua obsessão contemporânea da busca do macho perfeito, e  sinto o contraste do corpo criado com os elementos que circulam cada um deles e se alastram  sobre os mesmos.
 
 
 


  Estes malhados, musculosos e coloridos corpos, e os pequenos seres como peixes, rosas e pássaros, indiferentes ao exibicionismo de cada um voam e nadam com a mesma simplicidade de como existem na Natureza. Parecem amenizar o conteúdo forte, vigoroso das imagens masculinas ali apresentadas. Bem,  não sei contemplar nenhuma obra de arte sem olhos de poesia.  Vejo no trabalho deste artista de raízes libanesas, filho de imigrantes, que um dia viveu em Damasco,  a poesia de Mahmûd Darwish:

Lá onde, apesar do fantasma da guerra “canta o viajante em segredo:/ não voltarei de Damasco vivo/ nem morto/mas nuvem/que alivia o peso de borboleta/da minha alma fugitiva”.  






Esse contraste é que dá sentido ao que a obra representa. Nele, há um toque de estranheza e sensualidade.   E é justamente o que o  poetisa. O que nos faz pensar além  do que é visto. Há como que uma proposta oculta de reconstrução do homem na crítica do "status quo" desses adoradores do corpo e de suas relações com o mundo que os cerca. Talvez um velado convite para mudança de costumes no desvendar daquilo que realmente importa. Sua obra contemporânea retrata não só o homem homossexual, mas o mundo exibicionista em que vivemos e atende à  expectativa da grande mídia exposta em canais de TV e publicidade em geral e seu sonho de consumo.   

Nas paredes transparentes do Aquário onde está o homem roxo, posso senti-lo  preso em si mesmo, em seu narcisismo, e completamente isolado dentro de paredes transparentes deste aquário na ilusão de si próprio.  

O homem verde é banhado por uma chuva de rosas que parecem mais vivas que ele, como se quisessem ocultá-lo mais do que enfeitá-lo.

              Outras pessoas darão outras interpretações. E isto é que confirma seu talento.


 

Numa pequena entrevista com Daru, como é conhecido ao longo do corredor de artistas que trabalham em suas criações no Parque Lage,  fiquei sabendo que ele,  Daruhich Kamil Hilal,  é filho de imigrantes sírios. Foi pintor precoce e autodidata desde os 11 anos e nunca mais parou, apaixonando-se pela pintura definitivamente. Frequentou a Faculdade de Arquitetura Gama Filho, curso interrompido pelas viagens da família. Foi para a Síria aos 19 anos, quando sua mãe resolveu voltar para a terra natal. Ali fez curso clássico de língua árabe. Soube também que recebeu bolsa de estudos para fazer Literatura Inglesa em Damasco. Ali estudou na Universidade de Letras. Uma vez naquele país, frequentava amiúde   a Galeria de Artes. Trabalhou na rádio como tradutor de árabe para o português e espanhol,  atuando como locutor da rádio Difusora de Damasco.  As notícias eram gravadas e distribuídas por todo o mundo.

Com a morte do pai, retornou ao Brasil  e assumiu os negócios do mesmo,  seguindo a linhagem da família. No entanto seu caminho sempre foi o das artes desde menino, e assim interrompeu a tradição familiar e tem se dedicado às artes  como sempre foi o desejo do seu coração.

  Sua irmã  Mágida Hilal foi convidada para trabalhar como tradutora e intérprete oficial da Embaixada do Brasil em Damasco.

 Nas artes plásticas, foi aluno do grande artista Bahaa al Din  Katbi  com aulas de desenho e crayon  e também do famoso Mestre Nazem Al Jaafari, de critica em desenhos.    Iniciou o desenvolvimento de uma linguagem de grafite em tela. Trabalhava geometria sensível e assim continuou até matricular-se na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, onde é aluno de Luiz Ernesto de Moraes.  Considera-se um artista sempre em transformação, agregando ideias e modificando seu trabalho quando sente que deve tomar outros rumos.  Enfim crescendo sempre para alegria de todos nós que amamos a arte.

 
Na Exposição ao lado de Daruich


   

6 comentários:

Margaret disse...

Maravilhoso trabalho de Daruich Hilal de quem sou fã desde que o conheci no Eav do Parque Lage. Lindo texto Maria! Parabéns a ambos!

Margaret disse...

Maravilhoso trabalho de Daruich Hilal de quem sou fã desde que o conheci na Eav do Parque Lage. Lindo texto Maria! Parabéns a ambos!

MJFortuna disse...



maria claudia Carneiro, por e-mail:


Parabéns, Maria! Um belo Texto.

Bjs
Cláudia

MJFortuna disse...



Solange Stefanini Lopes Stefanini Lindo Amei o trabalho dos dois!!!Beijos

há 25 minutos

MJFortuna disse...



14:35 (Há 5 horas)

O seu texto é lindo, só agora pude ler melhor, faltou corrigir raízes libanesas para raízes sírias, e os nomes dos Mestres Sírios Bahaa al Din Khazna Katbi e Nazem al Jaafari, só isso. Meu trabalho é tudo que vc disse e provocativo em função da temática, já que ele não é para decorar ambiente mas sim para aqueles que gostam da arte pela arte, minha mente está borbulhando de idéias minha querida, aguarde os próximos, rsrsrs fora os que preciso terminar em casa que trouxe da escola, muito grato novamente, bjs deixo aqui meu telefone caso precise um dia falar comigo .

MJFortuna disse...


Eliana Angélica de Sousa


22:35 (Há 1 hora)


Acabei de visitar o seu blog e me deliciei com suas postagens. Você está muito chic ao lado de Daru.
Agora, sobre seu texto "Lampejo", para mim de todos os seus textos que apreciei e os que não apreciei, este foi o mais belo e rico que já li.
Fico impressionada como a sua combinação de palavras vai sendo apresentada com tanta beleza, simplicidade, como se você estivesse dançando no espaço. Viajei contigo e amei este contato.
Parabéns!
Beijo.

eliana

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