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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Nisson, o guerreiro dentro de mim




Maria J Fortuna











Uma vez ouvi falar que Nisson havia partido por uma estrada dourada. Fiquei pensando no relevo das nuvens que o carregaram ladeira acima, pelos bosques do desconhecido. Mas Nisson não pode partir. Vive dentro de mim há muito tempo... É meu lado masculino e eu, graças a ele, consigo desbravar a grande selva da cidade, onde minha existência está sendo cumprida. Aos pedalos incertos, coloquei meu velocípede na estrada. Afinal Nisson é meu menino do velocípede, o anjo Mimo, o pardal desconfiado, Nonô - o menino da sementinha que não queria brotar. Fora que é também o anjinho que queria ser gente que, na verdade, é fruto de uma crise existencial. Ele está presente em todas as obras literárias que eu criei. É só precisar de coragem, ele aparece!
Nesses dias de terremoto no Haiti e no prenúncio de mais outras grandes perdas, em que a Terra machucada dá seu troco preciso de Nisson mais do que nunca! Não posso perdê-lo pelo simples fato de abrir a gaiola que tenho no peito e dar-lhe liberdade! Firme com os homens e galante com as mulheres, ele percorre a trilha do seu destino: misturar-se a meu feminino. Casam-se os dois dentro do meu coração, para que eu fique inteira. Tomam o vinho do amor na taberna perfumada onde o noivo e a noiva se unem para sempre.
Hoje, em tempos de guerra, de terremotos e destruição da Natureza, nada mais aprazível do que este encontro eterno. Graças a este refúgio, a vida se torna não só suportável, mas presente na harmonia.
Há horas em que eu, mulher, terra, leite, sangue, suor e lágrima, tenho que evocar meu Nisson guerreiro, presente nos hormônios que me circulam pelo corpo. Ao simples apelo, frente a algum perigo, surge no meu horizonte, sua figura, que meu lado romântico veste de armadura e lhe entrega uma espada, como a bruxa Viviane, a Dama do Lago.
Nisson, então, é o sol que faz resplandecer a lua, soberana, na noite escura das guerras. Mas, ao mesmo tempo, eu o vejo como Parcifal, entrando no bosque, frente ao desconhecido, com a música estonteante de Wagner ao fundo. São sonhos gotejando na claridade dos raios aqui e acolá. É a escalada do amor, que teima em iluminar a Terra, apesar de tudo.
Esta consciência dos opostos: masculino e feminino, em cada um de nós pode trazer paz ao mundo! Não haveria escravos, nem mulheres submissas à vontade do macho. Os livros sagrados seriam interpretados com lucidez e o tempo seria aliado para que a Terra fosse amada, respeitada e preparada para as gerações que hão de vir. O equilíbrio das duas energias, que habitam Gaia, sacrificada pelo egoísmo dos poderosos, nos daria a certeza de que o ser humano foi programado para nascer, crescer e morrer no amor.

2 comentários:

MJFortuna disse...

Minha amiga Eliane Angelica , por email

Mariinha,

Você é demais! Descreveu o interior de qualquer ser de boa vontade e de amor.
Tem horas que, em mim, Nisson desaparece, deixando-me frágil, e o choro acalenta minha alma.
Tem horas, que ele vem à tona e se posiciona da maneira que realmente precisava estar. Sem este equilíbrio,
também eu, penso não poder suportar e viver em paz, diante de tanta violência e crueldade.
Parabéns, minha amiga, mais uma vez, por tão sábias palavras, intérpretes de nossos sentimentos mais profundos.
Beijo carinhoso e agradecido por tão belo presente nesta manhã de domingo, dia 24.01.10.

eliana

Alana disse...

Maria,que texto forte! Como disse Eliana "Descreveu o interior de qualquer pessoa de boa vontade e de amor"! Meus femininos e masculinos estão em maior harmonia hoje.
Obrigada.

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Sou alguem preocupado em crescer.

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