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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Deborah Colker e seu grupo em Lyon



Aqui em Lyon um coração brasileiro bateu mais forte quando assistiu a platéia francêsa delirar com a apresentação do grupo de dança da Deborah Colker! Técnica, graciosidade, precisão, espírito, beleza enfim! Tudo para sentir orgulho do meu povo com sua criatividade, mostrando sua arte.
Depois tive oportunidade de abraçar alguns bailarinos, coisa que no Brasil é um pouco difícil depois de um espetáculo.Não sabia que este grupo tinha em suas raizes a influência de alguem que me levou a dançar na juventude:Graziela Figueroa. Muito bom perceber seu traço na formação dos bailarinos da nova geração.
Enfim, fiquei com a alma lavada e em estado de Graça.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010






Amanhã, bem cedo, estarei voando para Lyon (França), para assistir ao casamento da minha filha Maria Fernanda. Com isto ficarei ausente do blog até o final do mês. Espero que meus seguidores continuem visitando Artes e artes, procurando crônicas, charges, poesias, notícias que escrevi nesses últimos dois anos...
Até a volta no inicio de outubro.
Um grande abraço a todos e até a volta!
Meu email particular é: mjfortuna@terra.com.br

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Em tempos de eleições sempre é bom repetir




Maria J Fortuna






É complicado lidar com nosso impulso, agressivo e provocante, de querer submeter ao outro nosso fundamentalismo interior. Tenho certeza de que toda resposta agressiva, desproporcional à realidade do fato, é fruto disto. Assim começam as guerras pessoais e se dilaceram os relacionamentos. É a sede do poder ter mais razão do que o outro e querer que seu desafeto seja também desafeto do outro. Onde está a percepção de tal absurdo, gente?
Quando teremos um pouco de sabedoria para um diálogo tranquilo? Partir pra cima do oponente com toda efervescência, como se os hormônios do corpo de repente pululassem, o sangue circulasse com enorme rapidez, e os pulmões se dilatassem não faz de ninguém um ser humano respeitável. A verbal fica abusada, grosseira, aguda como lança, querendo convencer o outro da superioridade de seus argumentos. Confesso que já fui assim na minha adolescência e um pouco como jovem adulta. Mas não tenho saudade alguma daquele tipo de indignação, dessa intolerância! Fiz pessoas que, poderiam ser hoje amigas, nunca mais querer olhar para minha cara. Salvo que talvez tenham se transformado de alguma forma, como aconteceu a mim. Quero acreditar de todo coração nisto. Mas nem todos crescem com a idade. A mim, soa ridículo, o vomitar de impropriedades desrespeitosas, no gritar e gesticular, ou escrever palavras venenosas, trazendo argumentos verídicos ou suspeitos, no caso de pessoas adultas. Quanto a mim, houve alguns retornos em que, eu e o amigo, conseguimos colar o fio partido da amizade, que ficou solto ao sopro do tempo. Houve renovação. Chegamos até a rir da linguagem predatória que usávamos uns contra os outros. Mas infelizmente para com alguns, não consegui remendar os trapos que restaram da antiga relação. Infelizmente, isto é fruto de alguma discussão provocativa e acalorada, quando no fundo a luta maior e não percebida, era contra a excessiva autoridade interna dos nossos egos feridos.
Ai do mundo se não houvesse indignação contra a injustiça social que assola nosso planeta! Graças a Deus, todos os dias sou possuída por este sentimento, mas a lucidez que adquiri com os anos, não tolera mais provocação e desrespeito. Tanto é que, em caso de discussão política, não dou nenhum crédito a candidato cuja campanha eleitoral se faz depreciando o adversário.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para os que não leram














Olhares


Maria J Fortuna

Quando eu era menina, as freiras do meu colégio colocaram na parede do banheiro:
“Olha que Deus te olha
Olha que Ele está olhando
Olha que vais morrer
Olha que não sabes quando...”
Parece que o maior pecado que existia no mundo acontecia no banheiro. Fiquei com medo do tal olhar divino, que me agredia e congelava a alma. Que parecia vigiar até minha sombra e, muitas vezes, quando eu cometia algum pequeno deslize, vinha a frase fantasmagórica e ameaçadora: “Olha que Ele está olhando...” E ainda dizem que Deus é amoroso... Pensava eu. Acho que foi aí que adquiri enorme percepção daqueles que me cercam. Toda revelação está nos olhos. Esta leitura parece esquecida pela maioria das pessoas que acreditam mais no que ouvem do que naquilo que veem.
Cresci ouvindo dizer que os olhos são janelas da alma. É verdade. Os olhos da minha mãe eram de veludo, como os de Omar Sharif. Olhos bondosos, profundos, cheios de misteriosa forma de dizer que nos amava. Ela sabia transmitir, através deles, a linguagem da ternura.
Já experimentei o toque expressivo do olhar de quem tem um só olho, como foi o de um dos meus irmãos. Traduzia timidez, interrogação e tristeza. Um olho enevoado, mas com vida; o outro, da prótese, era intruso, com pálpebra aberta demais. Um acidente, que lhe deformou o rosto, levou-lhe o olho esquerdo, quando tinha apenas dezoito anos e era um belo rapaz! Daí manifestou psicose bipolar e, na fase da depressão, tudo o que queria era fechar o olho verdadeiro para dormir, enquanto que o esquerdo - o artificial, passava a noite inteira fitando o teto. Parece muito engraçado, mas não era.
Já o olhar do meu irmão mais velho era sempre de lado, quase nunca de frente. Era o chamado olhar enviesado. Nunca quis saber o porque daquele olhar, mas era inocente e eu achava divertido.
Minha irmã tem, até hoje, um aspecto inteligente ao mesmo tempo triste, no olhar que, às vezes, se torna desafiador. Há certa magoa boiando dentro deles, como se tivesse sempre sendo vítima de injustiça eterna.
Meu pai era um homem que se fazia de duro. Era implicante, às vezes injusto. No entanto, próximo a sua morte, seu olhar se modificou, desde que nossa mãe foi para o outro lado da vida. Quando entrei pela porta do seu pequeno apartamento, exclamou referindo-se a mim: - você está toda iluminada, minha filha. No que percebi pela primeira vez, amor em seus olhos!
O olhar das crianças é transparente como asa de libélula. A visão de um mundo colorido, cheio de bolhas de sabão. Quando eu era uma delas, não havia coisa que me encantava mais do que ver cores do mundo refletido naquelas bolhas! Eu ficava me interrogando por que elas acabavam tão depressa. As crianças, mesmo quando estão doentes ou foram maltratadas, tem olhar interrogativo, não compreendem a violência. Os adolescentes têm olhos de esperança, mesmo com ar de rebeldia
Olhos da maioria das prostitutas denunciam volúpia não consentida pela alma, mas que trazem o pão de cada dia. Olhar embargado, na maioria delas por uso de álcool e drogas, que lhe permitem fugir, mesmo por pouco tempo, de seus corpos alugados e macerados.
Já senti o arrepio de ser vista pelos olhos suplicantes do ser humano com fome. Não só de alimento, mas de amor e reconhecimento.
Algumas pessoas têm olhar fugidio. Elas me fazem sentir aflição. Parece que dentro do portador há algum culpa prestes a ser denunciada no fundo dos olhos. Talvez escondam alguma coisa até pequena, mas que a autoacusação velada transforma em grande.
Já me deparei com o olhar de um santo no elevador do Maracanãzinho no Rio de Janeiro. D. Helder Câmara estava ali, sorrindo feito uma criança. Olhar que lembrava estrela em céu escuro, anjo azul, nuvem branquinha, amor brincando de roda, simplicidade, despojamento, pureza.
Um dia tentei libertar um preso que estava tuberculoso, contaminando os companheiros de cela. Eu era uma jovem assistente social, estagiária. No cárcere, os olhares em revolta partiram como lanças em minha direção, quase uniformes! Havia um ar indecente, zombeteiro e debochado no ar. Olhos que pareciam despir, punir, cuspir e babar em cima de mim. Apesar de tudo, alguma coisa inóspita mexeu comigo. Cheguei a pedir perdão pela boa condição social e profissional que contribuiu para que eu nunca estivesse atrás das grades.
Durante longo período de nove anos, trabalhei no setor de Psiquiatria. A maioria dos “pacientes” tinha olhar vago, imbecil. Outros eram uma espécie de quebra-cabeça, cujas peças não se encaixavam. Havia o olhar correndo de um lado para outro, como azougue de termômetro. Durante uma entrevista, eu esperava longamente por um momento de lucidez que poderia ser doloroso, quando voltavam do muito longe, sabe Deus de onde... Lembrava a frase de D.Quixote de Cervantes: “Viver assim me mata; morrer me dá a vida”
Passaram pela minha vida olhares confiantes e desconfiados. Cheios de alegria, dor, medo, gratidão, desespero e esperança. Alguns trazem graça e bênçãos; outros só conseguem enxergar o lado obscuro das pessoas, como se proibido fosse ver a luz.
Que posso dizer do meu olhar no espelho? Quantas pessoas reconhecem o que sou e o que estou sentindo? O que pareço aos olhos do outro? E aos olhos de mim mesma? E quanto aos olhos de Deus? São tão terríveis como diziam as freiras?

Quem sou eu

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Sou alguem preocupado em crescer.

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