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quarta-feira, 6 de março de 2013

Conchas e lembranças...



  Maria J Fortuna
Como milagre, as marés chegavam manhosas e frescas à praia de São José de Ribamar, no Maranhão. Era lá, frente ao mar a céu aberto, que eu costumava correr e brincar de cavar poços de  onde, no fundo das escavações minava água, e a construir castelos que mal duravam cinco minutos. Na maioria das vezes eu estava sozinha. A não ser que surgisse no poço um pequeno caranguejo amarelo que não chegava a assustar. Por isso mesmo era fácil fantasiar sobre a espuma das águas que rendavam a borda das ondas. Eu via filhotes de sereia que se escondiam ao movimento delas, assanhadas pelo vento. Havia um rastro de amor divino a cada passo que meus pezinhos molhados davam, quando eu procurava o maior tesouro do mar: as conchas. De preferência aquelas fechadas, onde morada de alguma lesma que as arrastava como casa. Alguma era grande suficiente para que eu a colocasse nos ouvidos e escutasse o canto do mar. As crianças desconhecem o tempo... Por isso, mesmo uma menina solitária como fui, descobre joias no meio de suas fantasias e, com isso, se torna momentaneamente feliz. Havia muitas conchinhas coloridas de vários formatos e desenhos. Isso era o que eu podia imaginar de fantástico! Já tinha em casa uma coleção delas. Mas sempre encontrava outras e mais outras desenhadas de forma diferente. O mar era um grande artista! Preferia aquela fechada que interpretava como mansão do segredo. Era pequena, para comportar tão imenso som redondo! Misterioso também era o destino do bicho que a habitava. Por que teria abandonado sua casa? Onde andava agora sem nada para protegê-lo? Será que havia retornado ao mar? Ou fora engolido por algum peixe? E por que a concha reproduzia tão fielmente o som das marés? Tudo soava como enigma com cheiro de maresia...
As boas lembranças moram na concha do coração. Não há como não sentir o mesmo som, a mesma música e perfume, quando nos aconchegamos ao eco dos bons momentos. Tão invisíveis e tão presentes!
            Tal como no caso da concha, temos nossa mansão de segredos! Sua existência só é revelada através do olhar. Uma forma de expressar tristeza e plenitude que a gente traz dentro de si quando recorda. Na magia do seu eco, figuras amadas e curtidas reaparecem, todas as vezes que, com o impulso das ondas, a memória resgata. Assim como as marés que se vão e voltam, a cada lua cheia. Não há necessidade de proteção para as boas lembranças. Ninguém nos ameaça quando tudo já se passou. Resgatamos o som maravilhoso que um lugar, sem espaço e fora do tempo onde o mar cresce e se torna ainda mais imenso! Faz reaparecer o eco das conchas, contendo a voz das lembranças escondidas no mistério. Talvez por isso, Botticelli, que viveu à beira-mar em Portovenere, pintou O Nascimento da Vênus que emerge de uma concha empurrada pelos ventos. Para muitos autores é a representação da paixão espiritual, que nada tem a ver com sua nudez.
Cada um de nós tem suas conchas. Até o dia em que elas se quebrem, o que é difícil, pois são muito resistentes! Aí outros  pezinhos molhados pelo mar, irão encontrá-las e ouvindo  sua música,  recomecem a brincar com suas fantasias ... Então o mar e a vida se renovam.

4 comentários:

MJFortuna disse...

































































































Beatriz Campos



20:14 (19 minutos atrás)














para mim














Beatriz, por email:

Ei querida,
acabei de ler sua crônica.....é linda!!!
Adorei e lembrei-me de mim ainda pequena
catando conchas nas areias das praias onde eu
fui, poucas vezes, quando criança!!!!
Beijos e saudades.....

MJFortuna disse...










































































Beatriz Campos





Ei querida, acabei de ler sua crônica.....é linda!!! Adorei e lembrei-me de m...


20:14 (3 horas atrás)






























Eliana Angélica de Sousa



21:55 (1 hora atrás)








Eliana Luppi, por email:

Sua crônica é tão suave e terna que me transporto para o local, o mar, e comungo contigo toda a lembrança de momentos ricos e maravilhosos de sua infância.
Parabéns!
Beijo.

MJFortuna disse...



































































Sarah Lima



00:14 (3 minutos atrás)














para mim











Oi Tia Mariinha,

As boas lembranças são transportadas para nossas mentes como momentos que não conseguimos viver novamente.Apenas fazemos o esforço de voltar a viver em instantes momentos que nunca queremos apagar de nossa história.

Feliz dia da Mulher!

MJFortuna disse...


Mirian Menezes de Oliveira, no Face

Lindo, Maria J Fortuna! Tenho acompanhado seu belíssimo trabalho por e-mail. Parabéns, grande escritora!

há 7 minutos ·

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