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sábado, 6 de julho de 2013

Culpa ou liberdade?

 
 
 
 
 
Quando vinha, outro dia, pela Rua das Laranjeiras,  aqui no Rio, um cartaz  chamou-me  atenção:
 
 
 
 
Aí pensei: Eis um tema que abre e fecha feridas: o sagrado e o profano, a culpa e o perdão, a coragem e o medo.  Tudo tão arraigado às nossas origens...  Na maioria das vezes, trançadas no coração pela crença em alguma religião, que não foi bem digerida e deixa o  espírito da liberdade aos gritos,  amordaçando a alma, que fica espremida até que cada um perceba a verdadeira  essência da doutrina que abraça.  Para que não nos sintamos aprisionados dentro de leis e de Ética que atrofiam o espírito e amofinam a alma, resta-nos fechar os olhos e sentir o latejar do verdadeiro eu dentro do coração.  Aí vem a pergunta: Sigo tal religião porque desde o nascimento fui dirigida para ela ou porque optei em seguir o Mestre daquela doutrina? Seja Jesus, Maomé, Khrisna, Buda ou o que for. Qual o maior ensinamento da religião que sigo? Ela me liberta e com isso me sinto feliz ou nela o olho de Deus adquire proporções gigantescas de vigília e julgamento, como se eu próprio não fosse juiz de mim mesmo? Quem haveria de ter colocado aquele cartaz ali? Pode ter sido alguém maduro o bastante para indagar às pessoas o que está ocorrendo na alma de cada um. Ou é alguma coisa ligada à política ou tem caráter publicitário?  Afinal esta pergunta não é simples e tem-se  que estar inteiro para respondê-la.  
Creio, porém, que enquanto o poder for entendido como capacidade de dominar, o homem não crescerá. Sei disso pela própria experiência de vida. Fui filha de pai dominador e vivi sob o julgo de uma religião onde me apresentaram o sacrifício, a dor e  a negação do prazer como salvação. Meu próprio Salvador estava coberto de chagas, sangrando com uma enorme coroa de espinhos. E sua história dolorida era contada toda Semana Santa, em todos os quadros e formas de representação dolorosa. Filmes pavorosos sobre sua paixão.  Não me falavam de sua força, coragem e energia, do calor que se desprendia do seu corpo e de seu Espirito em realização e alegria. E eu tremia até os ossos com o pensamento na leve possibilidade de sentir algum prazer e ser feliz porque o Salvador tinha morrido por meus pecados e a culpa não me deixava. Como sentir-me feliz? Foram anos escuros... No entanto a Divina Presença que nele habitava, transcendia qualquer forma dolorosa, quando eu me transformava, em oração. Naquele momento eu me libertava e O via com os olhos da alma. Longe de dogmas e preconceitos!
Nunca consegui, portanto,  tornar-me agnóstica. Não percebo o mundo fechado, acabado em si mesmo.  Uma visão reducionista dos fenômenos da vida está fora de cogitação.  Deixo o coração aberto para o Desconhecido, para as possibilidades. Não odeio a Igreja que foi fundada na Doutrina de Amor e Perdão. Mas tornei-me evolucionista, pois sinto que a natureza renasce a cada instante e se transforma. Daí a esperança que gera minhas utopias. Prefiro o caminho da liberdade.
 Com o tempo, consegui quase emergir daquela rede de sofrimentos. O “quase”  é porque, de tempos em tempos, ainda tenho sonhos com lugares lúgubres onde me perco,  muitas vezes,  dentro de um Templo ou Igreja antiga que me oprimem com sua escuridão.
Mas procurei ser honesta nas minhas respostas. Para ser mais clara, sinto e acho que a religião que não liberta, deve ser repudiada!
 

Um comentário:

MJFortuna disse...



Eliana Angélica de Sousa


22:39 (1 hora atrás)








para mim













Eliana Luppi, por e-mail:

Parabéns! Assino embaixo, pois também penso igual a você: A religião que não leva àa liberdade, deve ser repudiada.
Bjs.

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