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domingo, 6 de julho de 2014

Ninguém avisou...


 

Maria J Fortuna

 


Ninguém avisou pra gente que seria assim...
Tem curso para educar crianças, para atender aos vendavais da adolescência, para moços, senhoras menopausadas, etc. Tem até curso para lidar com terminais! Mas ninguém comunica com clareza pra gente o que poderá acontecer depois dos sessenta anos de vida... Salvo nos programas sobre saúde para a terceira idade.
Tal comunicado partiria, logicamente, de quem já vivenciou a estação do outono e chegou ao inverno. O que ocorre no corpo é óbvio. Mas, e no espírito que carece de superação a cada passo? O que toda esta enorme população de idosos está sentindo a respeito?
Salvo a fragilidade física, como denominador comum, o que sente esta grande camada da população à medida que as décadas se sucedem? Estamos ai, trazendo todas as estações em nossos corpos.
Sem chance terapeuta mais novos tratarem de idosos. Falta de referência. É como padre aconselhando casais. Na verdade quem não chegou até lá, não tem a menor idéia da situação. E os que chegaram preferem não comentar.
Procuro dentro de mim onde está o medo que gera preconceitos. Encontrei na caixa preta do inconsciente... Medo da morte! Um compromisso que a gente traz ao nascer. Quem dá a um filho uma coisa dá a outra. Informação melancólica para a criança ou o jovem que fatalmente percorrerá a mesma estrada, mas necessária.
No frigir dos ovos, sinto que toda nossa dificuldade de pessoas, jovens ou idosas, reside no tabu da morte. Fato que não engolimos. Não só a certeza da finitude, mas a velhice é muito dura de ser aceita porque uma sinaliza a outra - o fim da nossa vida na Terra. Por isto evita-se falar sobre o assunto. Talvez em consultórios médicos, ou na confidencia de um individuo para o outro que está passando pelo mesmo processo... Mas é difícil encarar o fato com naturalidade. Tenho conhecido pessoas que apesar de serem muito religiosas, tem a mesma dificuldade.

Mas qual o momento da vida que não temos o desconhecido pela frente? E qual de nós não passa por pela sinfonia inacabada das perdas em todas as fases da vida? O medo de perder será maior que a vontade de ganhar? Quem, por alguns segundos, não se perdeu da mãe quando criança, e ficou desesperado chorando pelos cantos, sentindo um vácuo dentro de si? Dá para avaliar o que significa isto?
O desconhecido é uma questão sem solução para o ser humano. Por isto mesmo existe a esperança e a fé. A gente morre todos os dias por falta de fé. Para os mais intelectualizados há que ter consciência de que a fé vai à frente e o intelecto atrás. Não adianta querer discutir está questão.
Ninguém avisou a gente que seria assim... Mas se descobrimos que assim é, vamos reconsiderar o que estamos vivendo.
Teoricamente eu sabia que meu corpo iria ficar tão cansado algum dia que eu simplesmente pediria, talvez silenciosamente, para ir embora.
Mas também desconhecia que ao mesmo tempo em que o corpo vai caindo por terra uma nova semente nasce em nossos corações – a semente da transcendência! Este apelo estimula nossa capacidade criativa que brota com maior intensidade. Na atenção movida pela curiosidade, o volume de indagações vai aumentando consideravelmente! É hora do passado torne-se aliado e que as experiências antigas fundamentem as novas.
Tenho sentido que ao lado das dificuldades físicas, a capacidade de amar se amplia devido ao exercício de tolerância conosco mesmos e da compaixão para com os outros. A paixão continua existindo... Apenas não temos mais interesse em processar tudo que acontece a ponto de guardar na memória um punhado de coisas inúteis.
A idade é um número que não tem contagem regressiva. Cabe a nós mesmos somar conhecimento, sensibilidade e sabedoria.
Com tanta riqueza acumulada, não podemos pedir licença a ninguém para nos fazer presente, seja aonde for! Melhor que a gente se torne presente em amor e humor.
Importante é acreditar naquilo que estamos criando e vivenciando a cada dia. Nem todo mundo tem este privilégio até a hora partir. Cada um segue com a bagagem que arrumou com cuidado nos porões da alma.
Costumo dizer a mim mesma quando o medo se faz presente: enquanto minha alma passear pela avenida cheia de carnaval e repleta de coisas sagradas, estarei vivinha da silva!
Ouçamos a música do Gonzaguinha em nossos corações: "Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz"... Que seja nosso refrão.
Tristezas do passado e medo do futuro... Péssima dupla!
Bem, Já que ninguém nos contou como seria o inverno da vida, o jeito é, corajosamente, descobrirmos por nós mesmos. Tem outro jeito?

Um comentário:

MJFortuna disse...



Eliana Angélica de Sousa

10:06 (Há 1 hora)

Amei! É isso mesmo o que nos acontece.
Mas, de tudo que foi dito retirei para mim a frase que despertou meu interesse no momento, sim, porque vivemos de momentos e por isso segue aí: Melhor que a gente se torne presente em amor e humor. Tentarei estar assim pior algum tempo!
Grata. Parabéns!
Beijo.

eliana

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