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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Poesia Noturna




                                                                                                                                                       Maria J Fortuna

                    Após um dia não menos difícil que os outros, a moça tentou conciliar o sono... Estava muito cansada... Não era nada fácil tentar colocar a cabeça em ordem...   Havia rezado para que, naquela noite, a poesia a deixasse dormir tranquila, sem incessantes apelos para que escrevesse tudo que ela lhe ditasse. Havia noites que aquilo acontecia...     Mesmo quando estava com sono e exausta! Esqueceria as palavras insistentes que lhe chegavam aos borbotões, principalmente quando tentava conciliar o sono, se não as anotasse... Seria uma pena...   Era uma luta conseguir desvencilhar-se delas.  Inoportunas mensagens para àquela hora da noite, apesar da delicada nitidez do seu toque. No silêncio noturno,  as dores são maiores, a nostalgia da beleza cresce, e os versos proliferam.                              Quanto mais aridez, mais poesia! Era quase impossível levantar da cama para anotar as frases, mas não iria se perdoar se não o fizesse.
No início elas pareciam sem sentido, até que iam tomando forma... Se apenas cochilasse, esqueceria a construção daqueles versos que lhe brotavam não sabia de onde,  e  ela tinha certeza de esqueceria a pequena frase inicial. Ao consertá-las, teriam  outras cores, outra respiração. Não seria a mesma coisa.    Vinham de onde sua existência se expressava na essência  e de  onde havia amor teimoso e dor sufocada. 
Muito sonolenta, acendeu a luz e procurou a caneta na mesa de cabeceira. Sentada na cama, rascunhou num papel manchado de chá tomado na noite anterior, uma frase que veio  de supetão:

                    - Despenteou os cabelos no cinza do tempo...

                    Pedindo a Deus que não lhe fosse sugerido nenhum outro verso, deitou-se na cama, aborrecida, buscando embarque no sono...  Pensou:  -  Afinal, como em dias tão nebulosos num planeta ameaçado pela poluição e pela guerra na corrida armamentista, e que cultiva preconceito e radicaliza regras distorcidas pelas más interpretações dos livros sagrados,  o coração me acorda para anotar essas  mensagens?   Não é contraditório? Ou estou completamente fora  dessa realidade ou  me autopunindo em me fazer perder o sono. Ou estou psicografando?  Não. Parece que os versos vêm de mais fundo... Com sono. Isso mais parece  vinho sem festa ou  sol com chuva... Mas sei que é precioso...
Deitou-se e mais outra frase chega célere e lhe exige atenção. Novamente se levanta, acende a luz maior do quarto com o coração aos pulos,  e escreve:

                    - O néctar das flores alimenta os corações inocentes...

                    Já eram duas horas da madrugada e nada de dormir. Dia seguinte teria que trabalhar, ir ao Banco pagar contas, brigar na reunião do Condomínio por causa do aumento, marcar médico para a mãe, comprar remédios para a mesma... Precisava dormir. Mas a Poesia não deixava... Jurou alimentar o pensamento com a memória dos bons momentos de suas férias passadas. Rezar não adiantava. Deus tem parte nisso, pensou. Apesar de que o erotismo também lhe aparecia em forma de frases... Mas o que teria Deus contra o erótico se Ele parece ter criado o mundo num grande e divino orgasmo? Toda criação vem desse tônus vital! O jeito era deitar mais uma vez e ligar o rádio. Músicas ou entrevistas, noticiários, alguma coisa que expulsasse o intrometido tempo poético que bem poderia surgir a qualquer momento.
                    Apagou a luz mais uma vez e, quando abraçou o travesseiro, nova frase chegou sutil, aparentemente sem fazer barulho, mas ressoou tão  forte dentro dela que pela terceira vez a moça se levanta para anotar:

                    - No pântano da guerra o ouro brilhou como estrela cadente...

                                        O dia estava quase amanhecendo...




Dica da semana




Para quem ama a beleza dos corais infantis e, neste filme, o drama de um menino cantor. Uma historia de superação!

A sensibilidade da poetisa e artista plástica Mônica Puccinelli, entra em sitonia com os versos que escrevo. Há muito tempo ela faz este belíssimo trabalho e enfeita minhas poesias. Elas não foram publicadas em Artes e artes, mas a partir de agora vão aparecer aqui, nas páginas deste blog que é de todos vocês seus leitores.

Poesia com formatação de Mônica Puccinelli

                                                                           Para ler a poesia clique na figura


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Dica da Semana!

Imperdível para quem se emociona e adora anti-heróis!

Você encontra este filme no NOW para quem tem NET, ou em alguma locadora. Muito bom mesmo!


Lançamento 19 de fevereiro de 2015 (1h43min)
Dirigido por Theodore Melfi
Com Bill Murray, Melissa McCarthy, Jaeden Lieberher mais
Gênero Comédia
Nacionalidade EUA




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Obra de Maria Jesus

Correria, minha gente! Sem tempo para novas postagens. Ainda... Mas vai acontecer!

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