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sábado, 7 de abril de 2012

Assistindo ao espetáculo de Deborah Colker, lembrei-me do Rolf Gelewisk ...




Dançando sentimentos
                                                                                                                             Maria J Fortuna

              Doces angélicas perfumavam o ambiente, enquanto uma chama ardia no canto da sala, perto do espelho que reproduzia sua luz. Havia muitas outras flores enfeitando o ambiente.  Estávamos ali, numa sala de Yoga em BH,  esperando nova apresentação de Rolf, o feioso  e genial bailarino alemão, que escrevia mensagens com o corpo. E elas transmitiam tal beleza, que tudo que importava era não deixar que nenhum dos seus movimentos se perdesse aos nossos olhos.  O  verbo dançante expressava as luzes do coração naquele moço magro, alto e silencioso, de andar manso, que agora abria os braços e o recolhia, lançando-os para cima e para baixo em arcos melódicos, explorando o espaço exterior e interior. Havia  linguagem de sofrimento e de alegria presentes. Os cabelos de Rolf movimentavam-se como crina de cavalo em trote acelerado. Vestia apenas uma calça azul claro e dançava descalço.  A platéia silenciosa estava completamente extasiada!
 Refletindo sobre o acontecimento, sinto que tornar o corpo belo na dança, é propósito do coração. O milagre ocorre quando em perfeita comunhão da alma com o Mistério.  Logicamente em estado de criança, quando permite a  transparência do ser, que aí se torna visível para os que tem olhos de ver.  O movimento que brotava  daquele corpo, expressava o que ía dentro do seu ser. Em cada gesto,  a presença sutil das emoções. Dançar a saudade, o conflito, o desespero, era algo inédito para todos nós na escola de Yoga e das outras   tradicionais com danças coreografadas.  Os bailarinos ficavam estupefatos e encantados com as apresentações de Rolf Gelewski.  Até então, só conhecíamos a revolucionária Isadora Ducan, que quebrou as regras do clássico. Nós, da dança contemporânea, conhecíamos Martha Graham.  Mas ainda havia coreografia na dança de ambas.  No entanto aquele bailarino alemão, corajosamente, deixava o coração falar mais alto e se perdia no perigoso caminho da liberdade! Corpo, espaço e tempo...  Silêncio meditativo. Havia uma relação harmoniosa entre o som e os movimentos. Rolf dançava sua poesia:
“Dá tua Luz/dentro deste corpo/Dá/Rogo Tua Força/Rogo/Dá/Sê/Tu mesmo/Este Corpo.”
O acesso ao trabalho pedagógico e artístico de Rolf Gelewski é muito difícil. Grande parte está contida na memória poética daqueles que conviveram com ele. Textos e apostilas estão dispersas nas mãos dos ex-alunos. A Casa de Sri Aurobindo, nome do seu Mestre, na Bahia, tem uma coletânea de alguns dos seus textos. Ali está sua contribuição teórica quanto a métodos didáticos, com grande grau de aprofundamento e detalhamento nas questões essenciais, para  ensino e criação em arte. Não existe trabalho de divulgação destas obras. Temos apenas um livro didático de sua autoria: Ver, Ouvir e Movimentar-se. Outras publicações estão em revistas daquela época, mas sua obra carece de uma pesquisa intensa, para que seja resgatada. Afinal Rolf era um bailarino incansável, contribuindo para a formação de outros grupos de profissionais.  (Informação conseguida através da tese de Juliana Cunha Passos: “Rolf Gelewski: da improvisação estruturada à dança criativa e espontânea”, UNICAMP.


Um comentário:

MJFortuna disse...

Adriana Brega, por email

Uau, Mariinha, até me deu vontade de saber sobre o bailarino Rolf...
Li também Os desgarrados! Quanta profundidade!!!
Adorei! Beijos!
Tenha um dia de muita paz e alegria!
Feliz Pácoa, feliz renovação!

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