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segunda-feira, 15 de junho de 2009

A novela das 8



- Começou a novela! Grita alguém que está na sala.
Dificilmente não largo o que estou fazendo, para assistir à coloridíssima novela das 8, cheia de encanto e magia! O Caminho das Índias é também caminho do esquecimento dos problemas de rotina e outros mais. Todo mundo quer saber o que vai acontecer à protagonista Maia, que sofre feito uma condenada! As mulheres suspiram por Bahuan que, de repente, se torna odiado por ter abandonado sua amada na Índia e, logicamente, como nas novelas que se passam lá fora, veio para o Brasil. É um deleite ver o Raj amando com tanto ardor suas duas mulheres. Tudo o que, não só donas de casa presas ao fogão e à criação de filhos aspiram, mas quase todas as mulheres do mundo: serem amadas daquele jeito... E assim, de repente, o ator se torna objeto sexual de um monte de mal amadas. Fica no pedestal, até que surja outra novela com outro homem belo e sensual. Aí começa tudo de novo...
Sendo a novela de autoria da Glória Peres, sempre há um enfoque sobre algum problema social grave. Em Caminho das Índias, fica muito evidente a questão da discriminação, como no caso das castas na Índia, que se adequa também aos marginalizados do mundo, como os imigrantes, favelados, homossexuais, negros, etc. Há personagens que chamam atenção para alguns aspectos que fazem parte do nosso dia a dia, como no caso do pai que apoia o filho maldoso e transgressor, da fofoqueira que inveja e persegue a Maia, do irmão que segue a irmã e a delata para o pai. Estes são fuzilados por centenas de olhos e falas revoltadas , que jogam nas figuras que aparecem na telinha, todo o repúdio por tal forma de comportamento. A catarse é incrível! Surgem fofocas em torno da novela, discussões e disse que me disse...
Contudo, é hora de esquecer a cara amarrada do marido, desaforos do filho, problemas com a família, políticos corruptos, violência e falta de dinheiro. Sobretudo a solidão de muitos. E, para os mais envolvidos com o destino da humanidade, o drama do planeta, o cara louco na Coréia do Norte querendo explodir o mundo com seus mísseis. Hora de esquecer o desmatamento na Amazônia, a miséria espalhada pelo planeta, inclusive na Índia, onde se passa a novela. Fico pensando: Por que Glória Peres, mulher guerreira, que perdeu a filha de uma forma trágica e agora luta contra o câncer, não mostra o lado melancólico da Índia em sua novela? Mas logo vem a resposta: claro que ficariam desinteressantes capítulos inteiros, cheios de miséria , em vez dos sáris maravilhosos que as mulheres vestem mesmo em casa. A decoração incrivelmente rica e harmoniosa da casa dos marajás. Talvez porque aquela família dalit já sintetize todo o drama do excluído, que é o pó dos pés de Bhrama... Enfim, o horário reúne pessoas das mais diversas condições sociais, que se identificam com essa ou aquela personagem. Influenciam assim o vocabulário, a moda e outros produtos de consumo. Sei de tudo isso... Posso parecer infantil, romântica e alienada, mas adoro as novelas das 8! A começar pelos atores maravilhosos, que realmente exercem com seriedade sua profissão. E, para ser sincera, elas me lembram as magníficas estórias contadas por minha mãe, no calor do seu afeto. Tem tudo para eu ficar encantada!

2 comentários:

daufen bach. disse...

OLa Maria,

As novelas atraem mesmo. Eu infelizmente não acompanho faz tempo mas, novela das 8 significa sempre bom enredo e boa trama. Os nossos autores e atores estão de parabéns.

abraço grande a ti.

daufen bach.

MJFortuna disse...

Betty Silberstein me enviou este comentário por email:

Minha querida,
concordo com você em gênero, número e grau.
Até passei para meu marido, que normalmente detesta novela
(eu também não curto) e GRAVA esta para não perdermos!!!

Adorei sua descrição da novela, personagens
e compreensão do porquê não jogar corpos
em decomposição do santo Ganges, etc etc etc
no meio de tanta coisa bonita.
Aliás, ligar a telinha para ver favela e desgraça, não precisa:
é só sairmos de casa, aqui em SP, não é verdade???

Leio sempre suas crônicas.
Parabéns.
Beijão.

Betty Silberstein,
rebrinha como você.

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