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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Vocês conhecem o Montbäat?







Dê só uma espiada na equipe que escreve o jornal:
Neste número:

Capa – Agência O Globo – Foto de André Coelho.
Pg.2 – Conversa com o leitor
Pg.4 – FRITZ UTZERI – Uma ameaça à democracia?
Pg.7 – LE MONDE – O Brasil de Lula em todas as frentes.
Pg.8 – Topicozinhos
Pg.11 – LEONARDO BOFF – Lula inaugura a diplomacia da nova era.
Pg.13- Brasiliana – TEÓCRITO ABRITTA – Nas alturas de Itatiaia.
Pg.16- Bilhetes de Paris – LENEIDE DUARTE PLON –
Pg. 27- A voz do leitor – MARIA ELIZA BITTENCOURT – Sustentabilidade: solução ou
Mistificação?
Pg.29 - Cartas ao Magu.
Pg.35 - Radio Days – NORMA HAUER – Heriberto Muraro e Sérgio Cabral (pai).
Pg.38 - Bon Appetit - J.R. WHITAKER PENTEADO – Umas sopinhas para o inverno...
Pg.43- Lambe-Lambe
Pg.44- Linha de fundo – RUI DAHER – Em busca da disciplina perdida.
Pg.46- JORGE EUFRANOR – A odisséia Brazuca.
Pg.51 - É isso aí – JOÃO SIQUEIRA – Dust in the Wind.
Pg.53- Novidade – Anna Maria Ribeiro – Madona torturada.
Pg.56- QUINO
E aí, o que acharam?
Como conheço um pouco do perfil da maioria dos seguidores de Artes e artes, tenho certeza que vocês não vão perder esta parada!
O site do Mont é:

Corina




Maria J Fortuna

Assim era Corina... A beleza personificada numa criatura pequena, mestiça, com ar de doçura e olhar de passarinho! Talvez eu não venha mais encontrar, neste mundo tão conflituoso, a bondade tão presente e corporificada como naquela criaturinha linda! Era como se nela eu visse, de repente, a imagem de uma pomba ao se banhar no lago, ou um cordeirinho recém nascido ensaiando ficar de pé..
Posso dizer que aquele olhar de bondade associou-se ao da minha mãe. Eram as duas transadas na mesma energia de pureza. Assemelhavam-se a duas angélicas, flores perfumadas que as noivas da minha família levavam nos braços, quando se casavam. Não há dúvida de que pertenciam ao mesmo buquê. Ao pensar nelas, remeto-me ao momento em que a gente, em casa , rezava o terço à Virgem Maria. As duas tinham olhos da mesma natureza que a pureza das águas do riacho, onde as lavadeiras, entre espumas, cânticos e risos, esfregavam as roupas, como se brincassem o tempo todo, e as quaravam ao sol, para deixá-las bem branquinhas. Ou seja, elas eram especiais, com certeza!
Minha mãe foi acolhida por Corina, desde o dia em que ela tomou seu destino, casando-se com Vicente, um marceneiro, que trabalhava sob uma puxada, que vinha do banheiro, no andar de baixo. Lá os pequenos jabutis caminhavam até um pequeno tanque, rente ao chão, que formava uma camada de lodo, perigoso para quem caminhava descalço por ali. As carambolas, que caiam pelo chão, bicadas pelas aves de várias espécies, ofereciam-se aos que chegavam àquele reduto encantado. Era S.Luis do Maranhão, na década de 1920.
Sei também que Corina tinha um baú em casa, onde guardava os vestidinhos da minha mãe menina, quando se refugiava em seu lar. Afinal, minha avó precisava dar atenção a mais 11 filhos e, por causa da fragilidade de sua saúde, aquela filha precisava de atenção especial. Voltando a baú, que cheirava a alecrim, além das roupinhas e dos chinelos, havia uma boneca cuidadosamente vestida de branco bordado. Como não tinha filhos, a alegria de Corina era levar Dedé - assim era chamada minha mãe - para passar uns dias com ela. Mais consigo que com Vicente, cujo trabalho na carpintaria não era nada a favor de suas crises de asma. As duas brincavam de costurar roupinhas, fazer bordados e sequilhos na cozinha para “visitas”, que iriam chegar. Creio que nessa brincadeira, elas nem percebiam a presença dos anjos, que adoravam curtir a alegria que vinha de seus corações.
Dedé começou a chamar a eterna amiga bem mais velha, de Mamãe Corina e a seu marido de Papai Vicente. E assim ficou até quando eles partiram para o céu, muito tempo depois. Os dois viveram toda uma harmoniosa história de amor!
Um dia, o tal baú de Dedé chegou lá em casa. Não sei por que Corina se desvencilhou dele. Talvez para levar boas lembranças a minha mãe, que nessa época, já tinha quatro filhos. Eu e minha irmã ficamos encantadas! Vestimos alguns dos vestidinhos, daqueles de cintura baixa, que nossa mãe havia vestido quando menina, como um grande privilégio. Calçamos os chinelinhos e abraçamos a boneca.
Os olhos de Mamãe Corina me encantavam! Como também seu cheiro de plantas que beiram o riacho. Um cheiro assim, que vira perfume e inebria a alma da gente. Daria quase tudo para viajar no tempo, antes do meu nascimento, para ver aqueles dois anjos brincando...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sobre as charges


Tenho recebido emails de amigos indagando porque não continuo com as charges. Ocorre que todas as que foram vistas no blog, são de um tempo passado. Foi de quando eu dava palestras para senhoras na pré e pós menopausa. E tem gente que não gostou nada. Achou que eu estava pessimista, pintando de preto a situação.

Talvez eu ressuscite a Lena Luci, aquela cinquentona insatisfeita com os fogachos da vida... Mas tenho a impressão de que outra figura vai nascer daqui uns dias... Tenho pensado muito nela... Já escolhí até o nome... Mas a figura ainda não está muito bem definida na minha cabeça e nas minhas emoções, com isto não passou para o papel. Mas aguardem!


Maria J Fortuna



sexta-feira, 21 de maio de 2010

Quem diria...







Maria j Fortuna

Não há coisa mais prazerosa para mim, que conviver com gatos. Mas relacionamento com bichanos tem seu preço... O nome da minha última aquisição é Mia. Veio da rua, muito pretinha, encontrada por minha filha, ainda bebê, num estacionamento da rodoviária, miando horrores! Por isto este nome: Mia. Acontece que, dos seus ancestrais, gatos caçadores que andam por cima do telhado e do muro, a bichana herdou o aprontar o bote e pular em cima de quem vai saindo de quaisquer das portas que existem na casa. Apesar de ter crescido entre humanos, sua necessidade de brincar é enorme! Precisa gastar energia, exercitar os músculos e tudo mais. Bem, mas acontece que começamos a notar que a sua vítima predileta era tia Lourdinha, que vai completar 100 anos no dia 14.06 próximo. Mia não morde, nem arranha, só assusta. Mas para um coração centenário, não dá, né?
Passei muitas noites sem dormir, pensando em como e quando resolver o problema dos botes da Mia em cima da tia. Era só a velhinha sair do banheiro e pumba! Lá vinha ela com tudo! Num segundo, aterrissava com as quatro patas sobre a matriarca da família. E, quase simultaneamente, se ouvia um grito escalafobético, que conseguia deixar toda a população da casa arrepiada e com pernas bambas:
- Uuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! A gata pulou em cima de mim!
E eu pensava... Que faço agora... Ninguém vai querer uma gatinha “pé duro”, preta. Tem gente que diz que gato preto dá azar. E acontecia mais uma noite mal dormida, porque nem de leve eu tinha a intenção de jogar a bichinha na rua. Imaginava-a esfolada por aí, com fome sede e frio...
Minha filha foi para a França e me deixou naquela situação periclitante. Bem que a felina podia colaborar... Parar com essa mania... Mas que nada! Ela ficava de plantão ao pé da porta, esperando a tia sair do banheiro. Algo estranho estava acontecendo...
Quando viajei para a Europa não quis arriscar: deixei-a com uma moça protetora de animais. Só que tive que pagar por isto, pois apesar de ser uma gata castrada e plebéia, Mia tornou-se requintada e estranhava convivência com outros animais. Uma semana de viagem e recebi uma foto da bichana, com uma tristeza no olhar, que dava pena! Quando cheguei, fui buscá-la mais que depressa. Depois veio a negociação com a filha para levá-la para a França, onde ela podia pular a vontade! Mas não fomos aconselhados a fazer isto, por um veterinário amigo nosso. Ela vai morrer de frio... eu pensava. E o problema continuava. A gata pulando, a tia gritando e todo mundo se assustando. Mais uma noite mal dormida, sentindo-me culpada...Tinha gente que vinha aqui em casa e torcia o nariz para a gata, logicamente com ar de censura sobre mim... Estava achando incrível eu deixá-la junto a uma pessoa tão idosa... Eu estava sendo julgada... Se acontece alguma coisa com a tia, a culpada seria eu, naturalmente...
Certo dia, depois de verificar que o bicho não pulava em cima de mais ninguém, só acontecia com a anciã, descobrimos o motivo daquela inusitada situação: flagramos tia Lourdinha fazendo caretas horríveis e muitas gracinhas com as mãos, na porta do banheiro, para Mia, que atenta, mexia o rabo pra lá e pra cá... Aquele movimento de mãos se tornava irresistível para a gata que, por isso, dava botes e mais botes . Mudando o agente da provocação, passamos, então, a vigiar, não a brincalhona felina , mas a tia. Quem diria! E, finalmente eu tive descanso.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Arte, meio ambiente e beleza!









Miriani Rezende é minha vizinha em Belo Horizonte. Quando vou à sua casa, tomo sempre um cafezinho com queijo Minas, e contemplo sua arte, que está cada dia mais bonita e requintada: móveis e jarros que ela memo faz e que têm aspecto e durabilidade dos de madeira e argila, que a gente vê e compra nas lojas. Nada mais decorativo e benéfico nos dias de hoje em que a gente luta para preservar o meio ambiente.
Miriani Rezende, Designer pela UEMG e pós-graduada em Design de Móveis, se especializou em trabalhos artesanais com materiais quase totalmente reciclados, principalmente papel e papelão, utilizando técnica de papietagem.Seus trabalhos são expostos em galerias, espaços culturais e feiras, incluindo importantes eventos nacionais. Oferece também várias oficinas.
Para fazer contato com a artista ligue
Tels. (31)3471.1341 e 9908.0012

domingo, 9 de maio de 2010

Brotando no escuro



Maria J Fortuna




Guardada nas gavetas da memória, está a doce lembrança daquele dia em que a planta brotou no escuro. Parece incrível, mas aconteceu! Eu a havia comprado num quiosque, desses que existem por aí, nas esquinas do Rio de Janeiro. Aconteceu que ela, aparentemente, parecia ter morrido, sem deixar sementes. Mas não era verdade. Apesar das pequenas flores vermelhas que foram caindo, como lágrimas de sangue, em cima da minha escrivaninha, das folhas que nem sequer foram amassadas pelas mãos do tempo, do caule central ter recolhido as pequenas hastes de tom cinza desbotado, vergando-se até dar a impressão de que iria mergulhar na terra. Apesar de tudo isso...

Eu havia deixado o vaso num quarto fechado e escuro e saí estrada afora, numa viagem ao sol, para Belo Horizonte. Não pensei mais na planta. Só prometi a mim mesma, que não iria comprar outra daquela espécie tão fraca.

Enquanto isso, a vida borbulhava numa semente nova, irmã da falecida, embaixo da terra úmida, no vaso azul pintado com nuvens que imitavam o céu. Quando cheguei de viagem, a surpresa foi grande! A nova plantinha se espreguiçava, através de duas folhinhas verdes como esperança, que balançaram com o vento, causado pela abertura da porta do quarto.

Lembrei-me da gestação da minha mãe, quando me abrigava semente, em seu seio. Ela se conservava em total silêncio, no brotar de nova vida em seu útero. Ninguém podia imaginar que, aquela mulher fragilizada pela doença e pela idade, estava a gerar mais um ser – o quarto filho. Marido desempregado, família morando na casa do pai e lá vem outra gestação! Minha mãe havia perdido a mãe, mas tinha pai e onze irmãos. Alguns casados. Dizer que estava grávida àquelas alturas, soava como falta de juízo. E ela escondeu o mais que pode, o broto que crescia no escuro do seu ventre e que estava dizendo sim à vida, apesar de tudo! Gravidez aos 38 anos também seria de risco. Enfim, tudo ia contra meu eu, enquanto semente, regada pelas lágrimas ocultas da mãe.

Quando estava no quinto mês de gravidez, uma tia, ao visitá-la, notou o ventre crescido e ela teve que contar o que estava acontecendo. Daí teve muita fala de protesto na família, onde culpavam pai e mãe de “irresponsabilidade”. Mas tudo isto ocorreu quando, em plena guerra, centenas de crianças eram assassinadas nos campos de concentração nazistas. Outras crianças foram esmagadas com seus pais e avós, e eu me sinto privilegiada por ter tido o direito de nascer. Ainda mais daquela linda mãe, tão especial, que me acolheu com tanto amor!

Estou certa de que, no mundo, existem duas espécies de seres humanos: os que foram gestados no escuro, mas mesmo assim nasceram, e os que foram desejados e amados de todo o coração. Quando vejo alguém irritado, agressivo, fico pensando de como foi semeado, brotado e recebido, em especial por sua mãe. Geralmente acerto. Há casos em que a consciência da presença de um Amor maior, aquece e ilumina a semente brotada no escuro e ela se desenvolve, apesar da sua luta existencial. Apesar de conhecer, prematuramente, o sofrimento e se expressar com dificuldade. No segundo caso, a pessoa é amorosa e solícita. Suas raízes foram plantadas em terreno amoroso. É cheia de graça e compaixão, tratando os outros com o mesmo acolhimento de como foi recebida no mundo. É alegre e muitas vezes invejada.

Já existem estudos sobre os tipos de caráter dos quem vem a este planeta. Chama-se Eneagrama. Mas todo tipo de caráter é bom quando concebido amorosamente. Não importam as condições. Brotará, mesmo no escuro..

Quem sou eu

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Sou alguem preocupado em crescer.

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