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domingo, 5 de junho de 2011

A semeadura de Joyce





Maria J Fortuna


Passei bons momentos esta semana, lendo Longos trechos de dias líquidos, de Joyce Cavalcante.
Filha de cearense que sou e nascida numa Ilha – a de São Luís no Maranhão, senti cada palavra, cada frase, cada período desse livro, onde a autora, magicamente, trabalha seus personagens, com pinceladas molhadas no azul do mar! “Restou-me o mar ao crepúsculo, que entrando pela janela do meu quarto me emoldurou a infância.” A obra possui grandes trechos em prosa poética, onde o centro de tudo é a mulher com gosto de sal e frutos do mar! Não foi á-toa que li de uma vez, prazerosamente, essa obra, respirando lembranças da minha Terra natal e evocando meus antepassados...

Na verdade, Joyce é uma escritora que nasceu com o dom de semear. Não só o faz quando, através dos seus livros, deixa os leitores envolvidos numa energia de encantamento, como também porque convoca e congrega suas irmãs de sexo, a comparecerem ao mundo das letras, divulgando suas obras. Assim semeou a REBRA ( Rede de Escritoras Brasileiras). Depois , regou-a com carinho. Assistiu, com paciência, ao brotar da semente que ainda cresce, de tal forma que seus galhos e ramos já mostram associadas de vários Estados do Brasil e até no exterior! São ramificações de uma árvore que está se tornando adulta e dando inúmeros frutos! São várias Antologias publicadas pela Rede, que promovem a mulher que vive de sua arte literária. A última dessas Antologias, Show de Talentos, foi lançada no Salon du livre de Paris recentemente, com muito sucesso e a próxima brotará na Espanha.


Faço parte da semeadura de Joyce, deste admirável sonho concretizado: a REBRA! Todas as semanas, vejo meu trabalho em Artes e artes, divulgado para todas as que compõem essa Rede, que aumenta a cada dia. Outro dos meus contentamentos, que são vários, é descobrir fantásticas escritoras, como Eliane Accioly, Norália de Mello Castro e Rosane Zanini. Esta última convidou-me a participar de duas de suas Antologias. Com as três, mantenho ativa correspondência, onde trocamos ideias e comentamos nossos trabalhos respectivamente. Há muitos outros talentos, de grande categoria, divulgados pela Rede, o que nos deixa, a nós participantes, orgulhosas!


Uma dos mais nobres objetivos da REBRA é o resgate histórico da literatura feminina no Brasil. Joyce percebeu o quanto é importante fazê-lo, pois tudo o que queremos, como mulheres, é o reconhecimento também dos talentos de nossas inesquecíveis antecessoras.
Por fim, coloco aqui, as palavras desta mulher corajosa que acrescenta, soma naquilo que sabe sabiamente conquistar:
“Crescemos para conquistar espaços e estamos conquistando espaços porque crescemos. Muito conseguimos e ainda mais está a ser conseguido. Somos uma dinâmica. Mulheres em permanente movimento, como exige o próprio ato de criação, o motor que nos impulsiona e faz caminhar”


Um comentário:

norália disse...

Olá, Mariinha.

Assino em baixo a sua crônica de hoje: Joyce é uma semeadora nata e com muito talento.

Li “Longos trechos de dias líquidos” de um só fôlego: ele prende, a gente se envolve totalmente. Contos longos, mas instigantes e intrigantes, que a gente fica totalmente tomada. O auge dos contos dela, neste livro, para mim, foi O rio de assédio, com um personagem de nome Deus, que me tocou de maneira especial. Pode-se fazer uma leitura sob vários ângulos e me pôs a refletir demais. Sensacional este conto de Joyce.

Quanto à Rebra, sou fã incondicional: um trabalho gigantesco a beneficiar a todas nós escritoras e levar a literatura feminina além mares.

E você, amiga Mariinha? Quando irá para Paris? Feliz viagem.

Abraços,

Norália

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Sou alguem preocupado em crescer.

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