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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O natal de Papai Noel




Maria J Fortuna





“Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim” (Isaias 29,13)






Foi-se o tempo em que minha família rumava todos os anos, no Natal de Jesus, para a celebração da Missa do Galo... Era muito bom! Eu e minha irmã, de mãos dadas, seguíamos na frente do grupo; depois vinham meus dois irmãos mais velhos e, por fim, meu pai e minha mãe caminhando na estreita calçada das ruas pedregulhosas de São Luís do Maranhão. Era um dia alegre e ao mesmo tempo solene. A gente ia sempre à mesma Igreja – a de São João, onde fui batizada. Durante a Missa, meus irmãos tocavam o sino na hora da elevação da Hóstia. Eu morria de inveja! Naquele momento, queria ter nascido menino, para me dependurar nas cordas que faziam o sino badalar.

A Missa do Galo era belíssima! Toda em latim. A igreja repleta de incenso gostoso misturado ao perfume das angélicas e ao som do orgão. Tudo era mágico e maravilhoso! Eu fechava os olhos e pedia ao Menino Jesus que se tornasse meu amigo, que não ligasse para o fato de eu ser menina, que não brincava com meninos. E, exatamente por causa disso, o trataria com mais delicadeza. Enrolaria seus cachos dourados nos dedos, soprando-lhe os olhinhos para fazê-lo sorrir, e faria o possível para que dormisse coma cabecinha no meu colo. De repente, ele poderia até ser da Terra do Nunca de Peter Pan e evitaria crescer para não passar pelo que passou, mesmo que fosse pela humanidade, como diziam os adultos.

Os fiéis oravam com muito ardor. Parece que todo mundo tomava banho e vestia sua melhor roupa. Eu me lembro de um cheiro de naftalina misturada com brilhantina. Os homens guardavam seus ternos, de preferência brancos, nos guarda-roupas, esperando o grande dia! As mulheres penteavam seus cabelos com capricho. As que eram ricas usavam joias caras e vestiam-se de seda. Abanavam-se com seus leques perfumados com almíscar na hora do sermão em que o padre João parecia colocar o coração nas mãos, para dá-lo a todos que ali estavam.

Depois da Missa, vinha a fila para beijar a representação do Menino Jesus, que ficava exposto na frente do altar-mor. Para evitar que todos beijassem o mesmo lugar da imagem, a gente osculava as fitas coloridas que pareciam brotar das palhinhas do presépio.

Já em casa, ceávamos uvas, passas, nozes, castanhas, maçãs e peru recheado com farofa. Era o maior banquete do ano! Na sobremesa, fatia parida. O que aqui no sudeste chama-se rabanada. São feitas com fatias de pão dormido, embebidas no leite frio, ligeiramente, de um lado ede outro, que escorridas numa peneira, são mergulhadas nos ovos batidos, clara e gema, e levadas para fritar em óleo quente. Depois são passadas no acúcar, misturado com canela.

Depois as crianças abriam os presentes. Só os pequenos ganhavam. Ficávamos ansiosos para saber o que Papai Noel havia nos deixado. A imagem dele era vista em livros de estórias infantis. Eu queria um bebê fofinho, mas só ganhava boneca de cachos louros ou trancinhas.

Lá em casa não tinha árvore, mas havia o presépio que encantava a gente! Passávamos o ano todo guardando pequeninos carneiros, vacas e bois de brinquedo, pastores e anjos, para compor o presépio no dia de Natal. Apanhávamos areia branquinha da praia para forrar o chão da estribaria, onde Jesus foi colocado após seu nascimento. Nós, meninas da casa, cuidávamos do presépio, mas eu tinha um primo que guardava esses apetrechos numa caixa de MODESS. E nós crianças, não sabíamos por que todo adulto que nos aparecia olhava a caixa do meu primo com uma cara meio estranha, com um meio sorriso sem graça.

Mais tarde, a gente pedia benção aos pais e ia dormir. A festa era tal qual o Aniversariante – simples, despojada de luxo.

Quando vejo hoje em dia a descaracterização do Natal, transformado em festa de Papai Noel, dá-me dor no coração... O evento está desfigurado... Pelo que vejo nos jornais da TV, os países do ocidente esbanjam figuras monumentais! Grandes árvores, vitrines enfeitadas, papais noéis gigantescos e um enorme consumo de bebida, comida, e presentes, muito deles caros, enquanto a miséria grassa num submundo, abaixo da linha da pobreza. Quanto maior a festa, mais o esquecimento do Natal de Jesus, que toda vida foi simples e humilde decoração. Então Papai Noel é celebrado em vez Dele. Dizem até que a festa vai ser transformada numa espécie de Dia de Ação de Graças dos Estados Unidos, ou seja, não vai ter mais Jesus como centro.

Pouco importa se 25 de dezembro foi ou não o dia em que Jesus nasceu, ou reacender a velha discussão de outras tradições religiosas, acerca da Sua divindade. Pouco importa os que querem transformar o evento numa festa apenas de encontro fraternal entre as pessoas. Menos mal... Mas nós, cristãos, deixemos de lado tanta extravagância! Resgatemos o natal de Jesus, pois há que sentir intensamente seu verdadeiro Espírito. O mundo está precisando deste reconhecimento. Afinal " Ele veio para o que era seu, mas os seus não O receberam.” João 1:11

Esqueçamos o consumismo de Noel e tratemos de receber o Menino, restituindo o verdadeiro significado da festa e lembrar a todos de quem é o aniversário. Assim, como fazíamos antigamente...

Que saudades do Natal de minha infância!

6 comentários:

norália disse...

Mariinha, pelo que propõe em sua crônica, parece-me que o título não está condizente... Norália

Monicapuccinelli@gmail.com disse...

Mariinha querida, que saudades de quando a riqueza maior era para todoso carater de boa pessoa, ser correto , ter amor no coração, e ter jesus no coração sempre.
Que saudades...Mas nem todos perderam esta riqueza, não e mesmo?
Um abraço repleto de carinho, hoje e sempre. molnica

MJFortuna disse...

Carmen Lapoente, por email:

MUITO LINDO LINDO E CERTO O SEU TEXTO HOJE O NATAL É O DIA DE PAPAI
NOEL, MESMO
NÃO CONCORDANDO SOMOS IMPELIDOS A COMPRAR
E ESPERAR PRESENTES.
NATAL PARA MIM HOJE É UMA DATA QUE SE EU PUDESSE
TER UM BOTÃO , CERTAMENTE EU O DESLIGARIA.

FELIZ NATAL!
ABS:CÁRMEN.L

MJFortuna disse...

Mônica Puccinelli, por email:

Mariinha querida, que saudades de quando a riqueza maior era para todoso caráter de boa pessoa, ser correto , ter amor no coração, e ter Jesus no coração sempre.
Que saudades...Mas nem todos perderam esta riqueza, não e mesmo?
Um abraço repleto de carinho, hoje e sempre. molnica

MJFortuna disse...

Querida Norália, há Igrejas celebrando o Natal, monges e monjas em oração. Há evangélicos bendizendo o nascimento de Jesus em seus Templos e muita gente com amor e fé. Mas estou falando do consumismo, do esquecimento da maioria das pessoas movidos pela grande midia...

Feliz Natal de Jesus procê!

MJFortuna disse...

Minha prima Teresa, por email

Mariinha Querida!!!!

Fiquei comovida e profundamente tocada com sua crônica.

Todos os anos desde que vovó morreu armo o presépio dela. Com aquelas imagens belíssimas de José e Maria e o Menino Jesus em sua manjedoura. Ainda tenho os Três Reis Magos, os carneirinhos, os pastores , o jumento e a vaca. Minhas filhas me ajudavam a armá-lo, hoje tenho a alegria e me sinto abençoada por fazê-lo como meus netos. Eles colhem florzinhas para enfeitar a manjedoura como nós fazíamos com os jasmins maranhenses que, apesar de tudo, insistiam em florescer na varanda da Ortiz Monteiro 102. Quanta Saudade !!!!! Quantas lembranças queridas!!!! Grande beijo e um Feliz Ano Novo. Teresa

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