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sexta-feira, 18 de maio de 2012

O corpo, esse desconhecido








                                                                                                                                                  Maria J Fortuna


Em nossa sociedade de correrias e consumos, conhecemos fome, sede, cansaço, sono, mas não reconhecemos o quanto precisamos “relaxar e gozar”, ditado muito em voga.  A percepção do corpo fica reduzida à racionalidade, ou simplesmente não temos tempo para isso. Afinal, estamos levando a vida a sério, com muito trabalho, ou só nos permitimos  senti-la sob o prisma da necessidade e da racionalidade. E, muitas das vezes, se torna proibido o mergulhar nas boas emoções do dia a dia, vivendo na pele os sentimentos benfazejos.  O  corpo é estimulado sem necessidade ou é ignorado, como se pudesse resistir a todas as situações dolorosas que nos aparecem sem percebermos por inteiro  como é: frágil, mas livre e solto como o queremos.
Fechar os olhos e sentir a respiração, batimentos cardíacos e sons que vem de dentro e de fora, é sentir intensamente o mundo relacionado com o corpo e ele para com o mundo. A percepção reduzida pela racionalidade traz esgotamento e muito cansaço...  O eu fica tão exausto, que se esconde nas brumas do indiferentismo.   E os anos se passam, sem que a gente viva as quatro estações do corpo: primavera (infância), verão (mocidade), outono (maturidade)e inverno (velhice), com a intensidade e conforto que a vida merece.  E todas essas estações são tão belas, que só através dos corpos existem e se entrelaçam. Corpos cheios de células pensantes, que trazem antigas memórias em cada uma das suas células. Mas conhecer o corpo não é apenas numa aula de anatomia, mas cada um de nós percorrendo seu próprio caminho como nos indicam vasos e veias, que nos levam ao coração.
Uma experiência, que jamais pude esquecer, foi quando trabalhei na ginecologia de um Posto de Saúde em Belo Horizonte. Nenhuma daquelas mulheres sabia o que acontecia com seus corpos quando menstruavam, geravam filhos e como chegavam à menopausa. Quando trabalhei na Fisiatria, nenhum homem sabia como seus músculos e ossos chegaram ao catastrófico estado de saturação. Mas o corpo é um desconhecido para muita gente... Não importa a classe social ou o grau de instrução.
 É considerado louco aquele que tem tempo para se sentir. Aquele que para tudo, num dado momento do dia ou da noite, escuta as batidas do seu próprio coração, tateia os movimentos da respiração, que recolhe e expande o corpo como numa coreografia de Martha Graham. Como podemos dançar e  celebrar se não temos corpo? Se fechar os olhos e senti-lo é considerado coisa de gente exótica, diferente, meio maluca?  Em alguns momentos é bom  deixar que essa loucura nos construa e desconstrua, libertando-nos dos laços da censura sem fundamentos e dogmas, que amordaçam a alma. Ela tem esse dom, a loucura.
               Reconhecemos, então, que corpo e espirito não se divorciam, a menos que a consciência nos escape, mas de forma uma  permita a expansão da criatividade no bailado ininterrupto da vida.  Aí a realidade e o sonho podem viver de mãos dadas, em comunhão.




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