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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fragilidades



                                                                                                                      Maria J Fortuna



O vento indelicado, que sopra sem endereço, é capaz de despetalar uma rosa num segundo. O tempo é o vento, bem ou mal- humorado, que vai fragilizando o corpo e fortalecendo a alma de quem se interessa em desabrochar nessa nossa jornada pela Terra.    Um dia, fatalmente, sentiremos a erosão que se anuncia com dor nos ossos, mesclada ao desejo de ser feliz, apesar de tudo.  Aí seria muito bom que evitássemos a exposição às grandes tempestades emocionais, que trazem conflito entre nós e as pessoas que dividem conosco as fatias do tempo. Mas isso é tão impossível quanto deixar de questionar o que fazer quando as últimas pétalas da rosa caírem.
Não confundindo fragilidade com fraqueza, penso que nós, seres humanos, somos um eterno desconhecido de nós mesmos, até quando o corpo se cansa de caminhar nas multidões ou nos desertos da vida.  Os mais prudentes ou corajosos, conservam a lanterna interior acesa, o que alguns chamam de lucidez. Mas a grande maioria, em suas fragilidades, alimenta-se de crenças e dogmas que os mantêm longe do Desconhecido. E sem ele a vida não mantém o significado do amor e da esperança.
  Temos a pretensão de achar que conhecemos o outro e isso é ilusório. É próprio de  quem desconhece a si mesmo, e, portanto, não tem hábito de se auto acolher na sua própria  humanidade. Isso se reflete em nosso comportamento para com o outro.  Então sentimos também a fragilidade dos nossos relacionamentos. O outro precisa de tanto de socorro  quanto nosso próprio eu, em sua visão de mundo e do que dele recebe. Muitas vezes alimentamo-nos das cinzas de nossas divergências pessoais associadas ao medo do amanhã.
A consciência da inutilidade do ódio e do ressentimento é um grande começo para conseguirmos paz e tranquilidade, por mais fragilizados que estejamos! Vide Nelson Mandela, por exemplo.  A luz e sombra que trazemos em nós, confrontam-se no dia a dia, com as luzes e sombras de nossos semelhantes, invariavelmente! Bom seria se uníssemos nossas fragilidades para nos fortalecer mutualmente.  Então veríamos, claramente, que tais ressentimentos não acrescentam, mas, pelo contrário, subtraem os melhores momentos de acolhimento em relação às pessoas que poderíamos ter conhecido recebido e amado verdadeiramente. E, se insistimos nos estados de sombra, nossa fragilidade natural aumenta. Daí o recomeçar da luta onde o pobre corpo nega-se a receber as reclamações da alma e não faz o necessário movimento de mudança.  Fica apenas entregue às suas fragilidades a ponto de sentir-se inseguro na possibilidade de ver-se livre de uma culpa recorrente. Vai se tornando uma segunda pele... Tomamos a então consciência de que o ressentimento e a culpa dão mais segurança às pessoas que o amor. Isso é terrível! Libertar-se desse esquema, é ficar sujeito ao amor. Daí tudo recomeça...
Tem tanta flor bonita e formosa para colher, porque preferir as que grassam no pântano das fofocas e discussões estéreis? O res sentimento é cinza que pode se solidificar com as lágrimas de vãs lembranças, feito uma argila preparada para algum uso.   Por que então insistir em mantê-lo dentro de nós? Por que tudo isso acontece se acredito que nem racionais somos?  Somos sim, movidos pela compara-ação. Ou ação de se comparar o tempo todo.  Acostumamo-nos ao barulho do consumo compulsivo,  que traz enorme vazio interior, incapaz de nos amparar e ajudar a deter o inútil fluxo da nossa insaciedade.  Será que não há coisa melhor que nos sentirmos o  tempo todo melhores ou piores do que o semelhante?   Por que não nos compararmos com nós mesmos quando passado um momento, dia, mês ou ano atrás?
Viver é estar em estado de graça e de perigo concomitantemente. É sentir esta mutação constante de todas as coisas e não congelar dentro de si, ressentimentos e culpas para que nossa trajetória não se torne inútil.  É reconhecer a fragilidade do corpo e as infinitas possibilidades da alma. Tal reconhecimento renova-nos o potencial de criatividade. Daí aceitamos a presença do Desconhecido.  Assim nos expressaremos como criança, na fragilidade de nossos corpos, fortalecidos pela simplicidade do verdadeiro espírito.  Pois que se não me parto, quebro ou diluo, nessa vida, não permito que a luz me penetre e me mostre quem realmente sou.






5 comentários:

Monicapuccinelli@gmail.com disse...

Amiga amada, que retrato esato você faz com suas palavras, deste nosso tempo na terra, a luta entre o corpo e o espiirito que nunca estão na mesma medida.
Obrigada , bjs, monica

MJFortuna disse...

Sim, amiga, nunca estão na mesma medida... Você disse tudo!

MJFortuna disse...

Eliana Luppi, por email:

Muito linda sua crônica. Simples, verdadeira e bela! Parabéns amiga.
Constatada a fragilidade, já estaremos inseridos no Desconhecido, prontos a usufruir da gratuidade Divina.

Beijo.

eliana

MJFortuna disse...

.........................bom dia sempre,amiga!....gosto muito da sua Crônicas!....na volta da minha viagem conversamos maissssssssss!....fique com Deus!....beijinhosssssssssss

MJFortuna disse...

Marilia Taffarel, por email:


Mariinha,

reflexoes mto oportunas.

bjs

Marilia

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