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domingo, 15 de dezembro de 2013

Compaixão



 
 
                                                                                                                                                        Maria J Fortuna
 
O barulho de carros na Rua Curitiba, em Belo Horizonte, era grande naquela tarde em que um filhotinho de gato, recém-saído do ninho materno, atravessava inocentemente a via asfaltada, enquanto um ônibus vinha  em alta velocidade.  De repente, alguém passou por mim dando-me uma  esbarrada. E eu reclamei indignada. Depois vi: Era um homem negro, jovem, forte e muito alto, que se lançou no meio da rua, pegando o gatinho no colo com uma rapidez espantosa,  enquanto o ônibus freava bruscamente. Dentro do ônibus, os passageiros assustados com a freada brusca, reclamavam gritando, insultando o motorista que, muito vermelho,  suava aos borbotões.  Aquele salvamento deixou as pessoas atônitas!   Dos que presenciaram a cena, uns temeram pelo gato;  outros pelo homem. Alguns ainda pelos dois, conforme a resposta do coração de cada um.
Quando os vi  em segurança suspirei aliviada... Minha vontade foi pedir perdão  pelo meu xingamento, abraçando aquele  homem forte, compassivo que,  frente à fragilidade do pequeno animal,  não pensou duas vezes  em arriscar a própria vida para livrá-lo da morte por esmagamento,  trazendo-o, carinhosamente,  em seus braços musculosos. Parecia quase surreal ver aquele gigante de ébano com o bichano tão pequeno, de pelo amarelo e arrepiado, em seu colo.
Este fato me fez refletir sobre a compaixão. Aquele homem deve ter sido amado por alguém. Talvez a mãe. Somente as pessoas que foram amadas são tão compassivas!  Todo o sofrimento da humanidade reside no desamor original, o que nos torna incapazes de amar. Todas as nossas neuroses vêm daí. Pessoas mal amadas geram outras com o mesmo destino. Por isso tantas guerras. Milhares de pessoas transformando o desejo de serem amadas em ódio. Nessas condições não pode haver compaixão. Por isso é tão difícil a paz. O corpo sobrevive sem amor,  mas a alma não. Talvez seja isto que a Igreja Católica chama de inferno: o desamor.  Segundo o budismo,  Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento.”  Todos os budas nascem desse sentimento. Jesus deve ter sido muito amado por sua mãe. Ele é amor e compaixão por inteiro. Por isso é o Cristo, o ungido, o sagrado e ao mesmo tempo tão humano.
Intuitivamente o homem salvou a vida daquele gatinho completamente à mercê da  compaixão dos humanos. O que tanto falta no mundo dos ricos. A má distribuição de renda na humanidade vem da ausência de empatia que se transforma em  amor e compaixão.
Renato Russo tem uma frase que me encanta: “Disciplina é liberdade; Compaixão é fortaleza: Ter bondade é ter coragem”.  É tudo o  que o homem que salvou o gatinho tinha para dar.  Ou ainda tem se ainda tiver entre nós. Nunca mais o vi, mas ele ficou em meu coração como planta viçosa  que dá muitos frutos.  
 

3 comentários:

Monica Puccinelli disse...

Comovente, amiga Mariinha, só sua sensibilidade, para nos contar este fato, transmitindo-o a nos como se estivéssemos ali presentes, e ouvíssemos até a feriada do ônibus e tudo que faz parte desta linda lição de amor e compaixão, obrigada, amiga querida, bjs monica

MJFortuna disse...







Eliana Angélica de Sousa


22 de dez (1 dia atrás)








para mim






Lindíssima!
Parabéns!
Beijo.
Estou melhorando a cada dia.

eliana

MJFortuna disse...



Marilia Taffarel


15 de dez (8 dias atrás)

Maria,

Boa crônica e boas lembranças. A generosidade só vale se for assim, para todos.

Bjss

Marilia

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