Passado menos de uma semana, DoMaria recebeu um telefonema do Hospital Imaculada. Era a respeito de Joaquim. A Assistente Social responsável por seu caso naquele Hospital participava que sua dentadura havia sumido e ele solicitava outra. Ninguém dava notícia de onde estava a recém-adquirida prótese. Procuraram por toda a enfermaria! Joaquim estava inconsolável!DoMaria requisitou transporte para visitá-lo. Chegou a sua enfermaria na hora da medicação dos clientes daquele Hospital. Joaquim estava moquecado num canto do corredor com a cara emburrada. Ao ver sua já querida Assistente Social esboçou um sorriso de esperança!- DoMaria, estou no inferno sem minha dentadura. Não alembro onde foi que ela foi parar. Se minha dona já me viu com ela, o que vai sê de mim sem ela? Indagou com a voz meio embolada, já que havia tomado psicotrópicos para amenizar os efeitos do Trecator.- Bem Joaquim, se não aparecer mesmo, a gente tem que esperar um pouco para conseguir outra, disse DoMaria, carinhosamente. E continuou: - Agora fique tranquilo. Você vai voltar para o Hospital Julia Kubistchek logo que estiver melhor e a gente vai conversar a respeito.- Tá bom, mas a senhora me promete mesmo? Indagou aflito.- Vou fazer todo esforço para conseguir outra, afirmou a moça.Realmente teria que fazer um longo relatório mencionando o acontecido e justificando a atitude do paciente, com embasamento no atestado do psiquiatra responsável pelo caso, para fazer outra solicitação. Era um pouco complicado já que o primeiro pedido tinha sido recente. Mas o mistério do desaparecimento da dentadura continuava. Atendentes, auxiliares de enfermagem, pessoal da limpeza, enfermeira, médico, ninguém sabia o que Joaquim havia feito para aquela engrenagem bucal cheia de dentes sumir. Afinal se tratava de uma doação cara que outros pacientes estavam na fila solicitando. O jeito era aguardar mais um pouco até que alguém que tivesse alguma pista desse uma notícia.Passaram-se três meses, quando Joaquim voltou ao Hospital Julia Kubistchek. A Assistente Social disse-lhe da dificuldade que estava encontrando para a concessão de nova prótese, porque realmente sem justificar o que ele havia feito com a mesma, ficaria uma lacuna no relatório, além de comprometer a administração do Hospital Imaculada, o que ela não queria que acontecesse. Em várias entrevistas com o paciente a resposta era a mesma:- Não sei mesmo, DoMaria, onde botei o trem...Uma tarde daquele verão quente, um novo telefonema do Hospital Imaculada dando noticias recentes de um fato que envolvia Joaquim: No prontuário da primeira enfermaria de onde ele havia chegado naquele dia fatídico, estava escrito: O paciente Joaquim da Silva, que deu entrada nesse nosocômio em crise psicótica jogou sua dentadura no vaso sanitário e deu descarga. Assinado: Auxiliar de Enfermagem Valfrido Sitardino, que logo em seguida ao fato, soubemos que foi transferido para um Centro de Psiquiatria no bairro Padre Eustáquio. E devido à transferência do paciente para outra enfermaria, ninguém mais havia lido o prontuário.
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
A dentadura de Joaquim - Capítulo 3
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3 comentários:
Norália Castro Finalmente li o final dos finais desta crõnica... pobre Joaquim... dentadura na privada... Você não conseguiu outra? Ele merecia outra dentadura...
há 16 minutos · Descurtir · 1
Depois de uma assepsia rigorosa, ele ficou com a mesma...rrrsrsrsr
Eliana Angélica de Sousa
15:35 (Há 4 horas)
Êta Joaquim danado hein!!!
fazer o quê né?
Grata.
eliana
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