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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Elis Pinto e as mulheres




 

 
 
 

Maria J Fortuna

 

Quando conheci a obra de Elis Pinto no Parque Lage, a princípio senti certa estranheza, pelo fato de até então ainda não ter visto pinturas retratando, com tanta força, o lado agressivo da mulher. Algo que parecia uma quebra da sagrada imagem do feminino de outrora. Foi impactante, porque na grande maioria das pinturas que dantes eu havia conhecido, a mulher era representada apenas em seu lado santo, maternal, amoroso ou erótico.  Outras imagens íam para outro extremo: a presença do feminino apresentada em forma de demônios ou bruxas. Algo completamente desumano.

Eu, mulher vivida, juventude na década de 60, onde se inicia o movimento feminista, a liberação sexual da mulher com o aparecimento da pílula anticoncepcional, vivenciando dias cinzas na ditadura militar, em plena geração Woodstook , leitora das colunas e livros trepidantes de Rosie Marie Muraro e de Heloneida Studart , ainda não havia me deparado com pinturas em que a mulher fosse retratada  em seu lado  agressivo, com facas e revólveres e expressão de vingança! A propósito, procurei no Google “Pintura de mulheres violentas.” Aí me apareceu “Pintura de mulheres violentadas...”  Ou seja, a sociedade vê sempre a mulher frágil, susceptível à agressão dos outros,  incapaz de qualquer tipo de revide ou violência. Ainda vista como necessitada  do homem para livrá-la de  situações de abuso.

Elis Pinto vai resgatando a sombra da mulher em cada uma de suas obras. O tão necessário negativo que nela existe, para que haja a síntese bem x mal,  formadora de qualquer  criatura humana.
 

Tecnicamente não tenho condições para avaliar sua obra, apesar de senti-la intensamente forte e bela, mas o que posso falar se limita ao  representativo que  ali está. E como a sinto. Contemplo a força da pincelada e a feliz escolha do tema e das cores. Em cada uma delas que se inicia,  eu a vejo  lançando-se com tudo ao desafio, no calor da paixão, tão necessária na formação do artista.

             A artista Elis, cujo nome é Elisangela Pinto dos Santos, contou-me que aprendeu a sentir a arte ainda em criança,  na convivência com a mãe que trabalhava com artesanato. Seu pai era pintor de parede, de onde da combinação desse colorido artesanato x pintura veio o talento de Elis, que começou como autodidata,  usando como até hoje somente a imaginação para traçar seus desenhos e se lançar à pintura. Mais tarde ingressou no Parque Lage onde continua com as aulas dos Prof. Luiz Ernesto e Chico Cunha. Casou-se com o cineasta Vicente Duque Estrada, seu grande incentivador,  e tem um filho de três anos – o Vítor.

Na série de pinturas que se intitula Elas também matam, procura desmistificar o que a sociedade faz em relação às mulheres que não tem a ver com o feminino em sua essência, mas com a igualdade entre os gêneros.  Bons e maus todos nós somos, independente do gênero. Invoca o  catolicismo com suas rígidas regras.Lembra as “santas de pau oco” em sua tela Ascention,  representando o tema que vai contra as regras rígidas da Igreja Católica sobre a mulher, em uma  de suas exposições que  chamou Elas também vão para o céu.
 
 

Procura, então, resgatar a autoconfiança feminina, experimentando fantasias e  denunciando o sexo desejado, mas reprimido, questionando ideias machistas. Em sua obra, a gente sente a transparência da mulher rebelando-se contra o passado de ser “objeto de cama e mesa”, apesar de que muitas  sustentam a casa e criam o filho como machão, como diz Elis.

 A artista nos diz que cada vez que expõe, mais observa o que faz. Em sua experiência   busca texturas numa mesma tela. Um comprometimento com os direitos de ser mulher com liberdade absoluta de expressão.
 

                 Tem feito várias exposições. Como por exemplo no Armazém Cultural, Cine Clube de Caxias, Sesc, em São João do Meriti, etc.

                  Fiquei imensamente satisfeita de ter o privilégio de conhecer Elis Pinto e presenciar nos corredores do Parque Lage,  a luta corporal com suas grandes telas,  para objetivar sua proposta de humanização da mulher, resgatando-a de uma imagem caduca em que a sociedade ainda a vê.

6 comentários:

MJFortuna disse...

Monica Puccinelli, por e-mail:

Como sempre sua analise, da arte de ELIS PINTO, é envolvente, leva o leitor a querer saber mais.
Eu como filha da guerra de 39, (na Itália) muitas vezes vi minha amada mãe, nestas duas faces,

de anjo e de leoa, por isto este aspecto feminino não é novo para mim, mas na arte em tela representado,

isto não pensei que um dia seria visto. bjs mony

MJFortuna disse...

Beatriz Campos, por e-mail

Ei Maria, que bom tê-la de volta com as suas crônicas deliciosas! Aliás, adorei essa que acabei de ler sobre Elis Pinto. Adorei conhecer um pouco da sua trajetória e da sua obra, onde a mulher é a protagonista da sua história. Muito bom!!!! Beijos

MJFortuna disse...


Eliana Angélica de Sousa, por e-mail:

12:23 (Há 5 horas)

Que fantástica a sua crônica sobre a Elis Pinto e as mulheres.
Que mulher inteira! Ela mostra a realidade do ser mulher. Como todos os seres humanos, com seus altos e baixos e suas mazelas ade forma colorida e intensa.
O seu jeito peculiar de escrever a glorifica e fortalece seu objetivo, acredito eu.
Parabéns!
Beijo.

eliana

Elis Pinto disse...

A querida. Muito obrigada pela atenção a mim ao meu trabalho. Fico muito feliz em saber o quanto o admira. Me ainda mais força e convicção pelo caminho árduo da arte.
Muito obrigada mesmo.
Elis Pinto

Dri Brito disse...

Oi Maria cá estou!!! Linda crônica e realmente Elis é uma grande pintora nos mostrando um outro lado da mulher sempre guerreira!!! Parabéns!!!

Dri Brito disse...

Parabéns Maria!!! Grande crónica!!!

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