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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Da fuga ao encontro

Maria J Fortuna


Lá se vai mais um dia nas asas do tempo. Lá se vão as dores, os ranços, os assuntos mal tratados e os pequenos bons momentos. Não é todo dia que o sol esta pra gente. Não é todo dia que tem noite de luar. Na maior parte dos dias que escorrem num funil continuo, a gente vê poluição, em todas as direções, em todos os sentidos.
A gente sente que alguma coisa rançosa comprime as nossas veias e que não é tão fácil viver além das fronteiras da monotonia cotidiana.
A gente tem que descobrir coisas... Alguma novidade que desenfastie a alma e traga para nós um alimento de vida no mais absoluto sentido do que realmente queremos para nos sentir bem.
As questões difíceis estão aí, como falta de dinheiro e preocupação com o dia de amanhã. Temos no cardápio da vida humana a preocupação com a doença e a morte e sobretudo com a indiferença das pessoas quando isto nos ocorre . As velhas e inúteis rixas estão sempre de plantão. E a gente que devia se ocupar em fazer tudo para ser feliz, vira estatua de sal contemplando uma paisagem inútil sempre com os mesmos personagens.
Coisa difícil é desfiar este velho acontecido inútil e traçar outros projetos. Coisa difícil acolher o novo e abandonar a engrenagem desbotada e feia do passado,que só tem como objetivo remoer uma carne já estragada, podre, como carniça. Para isto existem as hienas.
No meio de tanto engodo, de tanta azia, de tanto refluxo, venho acalentando um antigo desejo de fuga. Aliás fuga sempre foi o meu forte, desde que nasci. O que eu sinto ultrapassar a meus limites eu fujo descaradamente. Se possível, costumo não deixar rastros. Quanto mais velha me torno, mais vontade de fugir da mediocridade, do feio, do meloso e gosmento, da culpa insidiosa, das armadilhas dos mal intencionados de mim mesma, quando estou preste a me trair. Com isto este mecanismo tem me salvo de muito naufrágio, de muitos raios nas grandes tempestades. Quando a gente é bípede e pode caminhar com os próprios pés, certamente está mais ao alcance dos raios.
De uns tempos para cá encontrei uma forma muito revigorante e sábia fuga. O pessoal lá do oriente faz uso deste método desde pequeno. Bacana como conseguiram detectar que assim teriam sempre o vinho mais precioso, degustado pela alma humana – a paz!
Isto por causa de um momento amoroso, de acolhimento do vazio dentro do nosso ser – a meditação!
No inicio é difícil. Não temos o hábito de deixar o ranço do medo e da culpa de lado para este mergulho. Temos até certo receio deste encontro. A gente que não faz nada de graça, ficará inteiramente ao leu, sem ganhar nada por está completamente ali, entregue a gratuidade.
Por que cargas d’água vou deixar , por um segundo que seja, minhas preocupações para me esvaziar, perder o controle da minha vida e também o controle que exerço sobre as pessoas para jogar-me no abismo do nada? No inicio é realmente difícil. Dá para perceber o desfile de baboseiras que a gente considera importantes. Vêm pensamentos dos mais bizarros, a indecentes, cheios de despropósitos. A gente que, como cristãos católicos, está acostumada a fazer orações decoradas.
Aos poucos a mente e o coração vão se aquietando... Alguma coisa mágica, que não tem Nome, toma conta de nós e nos devolve ao Útero Cósmico, onde só existe escuridão. Mas o movimento da respiração mostra que estamos ali vivos.
De repente, na entrega experimento algo inexplicável, incomparável e insubstituível:
- O encontro com o Infinito! Experimente!

Um comentário:

di-va-gando disse...

È.... não podemos negar que a vida
é um amaranhado de surpresas e cores, mas e verdade também, amiga querida, que se não tivéssemos tido as chances que tivemos pra driblar os obstáculos, e misturar cores, seriamos bem menos gente grande do que somos hoje, um beijo grande desta amiga que ama vc
monica

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