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sábado, 26 de abril de 2008

O padre voador




Maria J Fortuna

Lá se foi ele levado por balões coloridos! Balões que fazem parte das nossas infâncias. Enfeitam e alegram nossas festas. Balões cheios de gás e de sonhos. Lá se foi o padre usando roupa térmica, todo equipado para voar 20,00hs seguidas... Partiu cheio de esperança, em total coerência consigo mesmo em seu investimento. Todo sorrisos, abertura, todo ensolarado! Parecia um astronauta! Ironicamente seu nome lembra as palavras adeus e ir.
Lá se foi Padre Adelir de Carli. Fiel a seus propósitos. Encoberto pelas nuvens que formam carneirinhos, mas sujeito ao mal tempo no meio de uma rota aérea. Um oba oba de fazer inveja a gente presa na Terra pela lei da gravidade! Nunca vi tanto balão colorido junto! Uma beleza!
Fui uma das que morri de inveja da coragem do padre, quando ele decolou no meio de uma pequena multidão! Pois é, sempre amei balões coloridos! Quando pequena, chorava copiosamente para consegui-los, verdes, amarelos, rosa, azuis, roxos... Só não tinha preto. Houve um tempo em que adoeci gravemente com hepatite. Não sei de que letra. Se A, B ou C, mas fiquei mal... O repouso era imprescindível e com isto a única coisa que me alegrou foi um balão cheio de gás amarelo muito tempo pregado ao teto, preso por um fio enrolado ao meu dedo indicador. Como aquele balão amarelo me fez sonhar!
Mas voltando as grandes aventuras outro padre, Bartolomeu Lourenço Gusmão, que nasceu em Santos (1685), entrou para historia com seu aparelho mais leve do que o ar – o balão. Mas, cheio de ar aquecido, ainda não subia o bastante para proporcionar ao padre Bartolomeu à aventura de te-lo como meio de transporte. Mas ficou conhecido como Padre Voador.
Ninguém sabe, até agora, onde está o padre Adelir. Foram usados 500 balões na sua primeira empreitada. Nesta última ele dobrou o número de balões. Queria ir ainda mais longe... Tudo indica que, tragicamente, foi.
Ironicamente voava para promover as ações da pastoral dos que viajam por terra. Rezava missa em vários pontos das estradas, dando apoio espiritual aos motoristas. Ninguém fala isto nos noticiários. Pelo menos não ouvi.
- Esses balões nós vamos viajar como homenagem àqueles que se preocupam com a vida dos caminhoneiros, o sofrimento que eles passam nas estradas, com a família e o anseio que as famílias têm, disse ele ao embarcar em seu primeiro vôo.
Que pena... Em seu último contato com a Terra, através do celular, informou estar pousando no mar... Depois o que vi no noticiário foram os balões coloridos boiando ao sabor do movimento das águas... Ah! Padre Adelir, porque você foi tão longe?... Os caminhoneiros precisando de você aqui mesmo nesta Terra de granito...

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