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sábado, 9 de maio de 2009

Ausência






“Por muito tempo achei que a ausência é falta.E lastimava, ignorante, a falta.Hoje não a lastimo.Não há falta na ausência.A ausência é um estar em mim.E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência, essa ausência assimilada,ninguém a rouba mais de mim.”


Carlos Drummomd de Andrade




Maria J Fortuna

A palavra me soa como vácuo, cavo, vazio... Sempre que nos referimos à lacuna, algo que era bom, prazeroso e se foi de repente ou nunca existiu como imaginávamos.
Há ausências provisórias, outras permanentes em nosso universo de relações. Há as que doem mais e as que doem menos... Mas sempre irão existir em nosso dia a dia. Há aquelas que se transformam em feridas na alma – o chamado vazio afetivo.
No campo do positivo a melhor, mais difícil e desafiadora é a ausência do medo. Acredito que em certas circunstâncias, outras não. Por melhor estrutura que o ser humano possua. Isto me faz lembrar que desde criança venho observando os animais que tem medo dos seres humanos por terem sido maltratados. Corpo e olhar mostram claramente o que sentem o que na maioria dos casos costuma ser dissimulado por nós.
Mas na verdade o que nos traz maior dor certamente é a ausência de amor. Este é um tema que se reproduz em milhares de textos, e é grande aspiração de toda a ecologia interior e exterior. O que leva um astronauta a ficar pasmo diante da beleza do planeta azul, sem encontrar nenhum sentido para guerra ou destruição da natureza. Apesar de que os povos da Terra necessitam de leis e crenças para se organizarem, em sua maioria são ensinados a mais temer que amar, um ser Criador que buscam mais fora do que dentro de si mesmos. O que se poderia dizer a respeito disto? Que a maioria das tradições leva o ser humano ao fundamentalismo na aplicação de suas leis, na ausência da graça?
No mundo cristão onde fui criada, poucos pais tenho visto que ensinam o filho a sentir dentro de seu coração a presença silenciosa do Criador amoroso. Nunca vi Papai do céu tornar-se Amor que vem do meu coração, Amor que faz amar. Fomos ensinados a pedir tudo ao Pai e atribuir a Ele, todas as coisas que acontecem. Um movimento sempre para fora, quase nunca partindo de dentro. Somos cercados de crenças em dogmas e promessas.
Estamos aí há tantos séculos no planeta e ainda somos crianças que brigam por um pedaço de terra, aumentando a barreira preconceituosa entre as nações. Que mata seu semelhante com a mesma facilidade e prazer de uma criança moderna jogando vídeo game. Que rotula, discrimina, fere, marginaliza o outro considerado diferente. Sem consciência do perecível, com grandes dificuldades para enfrentar o desconhecido, a morte. Que destrói seu habitat – a Terra, para ter maior poder financeiro. Tenho esperança que em tempos longínquos, como Teillard de Chardin havia previsto, o homem consiga chegar à conclusão de que todo motivo do seu sofrimento é esta grande ausência do que está tanto fora como dentro, e deixe de fugir de si mesmo.

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