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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Colhendo folhas secas e novos frutos


Foto de Zé Martinusso


Maria J Fortuna

Hoje quando acordei de uma das horas em que consegui dormir, vieram-me palavras que brigavam entre si. Meio zonza de uma noite mal dormida, finalmente uma frase se formou e eu repetia, mentalmente, sem saber por que: colhendo folhas secas e novos frutos. Aí me dei conta de que estamos na virada do ano!
O que seriam as folhas secas e por que colhê-las? Ai me veio à resposta lá do coração: não podemos virar mais um ano sem aceitar e reconhecer que as folhas secas, outrora viçosas, sejam referencia de um passado que devemos aceitar e refletir em suas dores e amores. Colher e acolher para refletir e seguir. Só assim novos frutos serão desejados e saboreados.
Nem é preciso repetir aqui tudo o quanto passamos em nosso macro universo, nem é possível saber o que aconteceu no micro de cada um. Sabemos apenas o que ficou impresso em nossa alma. Sempre estranhei a retirada de folhas secas no quintal da minha casa. Achava que elas enfeitavam e adubavam, por que retirá-las, mesmo no outono? Guimarães Rosa escreve em Grandes Sertões e Veredas sobre a morte como adubo da esperança, o esterco da vida! São as folhas mortas que ajudam a brotar novas sementes de onde nascerão árvores onde brotarão novos frutos!
Que as folhas mortas, ilusões perdidas, sonhos não realizados, perdas e ganhos dos anos passados, sirvam de adubo para novas escolhas, transformações, crescimentos e floradas em nossos caminhos e que dêem muitos e muitos frutos!






3 comentários:

EKISLIBRIS disse...

Belíssimo texto, retrato da vida e da noite... Que a senda seja clara. Que nossos pensamentos sejam livres. Que a Verdade triunfe sobre o caos. Cresçamos na certeza de que PAZ é o verdadeiro nome da felicidade. [José Maurício]

EKISLIBRIS disse...

Belíssimo texto, retrato da vida e da noite...Que a senda seja clara. Que nossos pensamentos sejam livres. Que a Verdade triunfe sobre o caos. Cresçamos na certeza de que PAZ é o verdadeiro nome da felicidade. [José Maurício]

Ana Jácomo disse...

Belo texto, Mariinha!
Traduz poeticamente a lição da impermanência que tanto nos custa aceitar e pôr em prática.
Que nesse novo tempo, bem mais do que no decorrido, tenhamos abertura e coração suficientes para aprendê-la. Para dançarmos com as mudanças sem tantos apegos e sofrimento, abertos para o que há de florescer a partir também do adubo do que já morreu. :)
Beijos

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