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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dor e reflexão





Maria J Fortuna

Encontrei um dia com D.Luciano, bispo da Igreja Católica que sempre lutou pelos direitos humanos, após o terrível acidente de carro que sofreu, tendo suas mandíbulas partidas e completamente fora do lugar. A dor era terrível e ele não teve o alento da anestesia. Indaguei como resistira a tanta dor para o reencaixe das mandíbulas, e ele respondeu com aquele sorriso tão bondoso:
- Lembrei dos navios negreiros, minha filha, o que aquele povo sofreu. Com isto suportei a dor.
Imediatamente me veio à memória a poesia de Castro Alves: “Senhor dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura, se é verdade, tanto horror perante os céus?”
Ao ver as imagens do Haiti destroçado, com aquelas pessoas famintas, sedentas e sem casa, perambulando pelas ruas, sabe-se o que o poeta quis dizer. O que difere da atual situação é que o haitiano foi e está sendo massacrado pelos terremotos, que parecem não querer deixar pedra sobre pedra. Eu vejo o povo cantando, para tornar mais suportável tamanho sofrimento, e novamente me vem D.Luciano com a recordação do Navio Negreiro, de Castro Alves: “Presa nos elos de uma só cadeia, a multidão faminta cambaleia, e chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, outro, que martírios embrutece, cantando, geme e ri!”
Que benefício pode trazer à humanidade a repetição dessas catástrofes? Botemos nossas barbas de molho. Este pobre planeta está respondendo às devastações que o homem está provocando, apesar de existirem correntes contrárias a esta constatação. Por que as camadas tectônicas estão se atritando embaixo dos oceanos? A Terra está mesmo mudando de eixo?
Fora estas perguntas sem resposta, o que ainda poderá ser feito diante dos grandes goles do capitalismo, que bebe o sangue das nações pobres para sobreviver? Enfim, ainda há o alento da esperança? Parece que depois deste terrível terremoto, algumas nações se deram conta de que ajudar o próximo é preciso. Para mim só existe uma resposta: tomada urgente de consciência! Perceber que não somos capazes de viver neste planeta sem que comunguemos profundamente com ele. Esquecer ou desconhecer esta interdependência com a Natureza é o caminho mais curto para que tais catástrofes aconteçam! Amá-lo e protegê-lo como cada um de nós ama a si mesmo.
Para isto as grandes fortunas, nas mãos de poucos, seriam direcionadas para salvar a Terra à medida que estes trilionários descobrissem que o caminhar para a destruição os inclui, como aos seus descendentes. São 793 pessoas vivem com mais de um bilhão de dólares, em absoluto estado de riqueza no planeta. Enquanto que o número de pessoas abaixo da linha da pobreza chega a 307 milhões de pessoas no mundo.
A descoberta da compaixão, no desejo de partilhar seus bens para o bem de todos, seria a grande alavanca para deter o pesadelo maior que está por acontecer. Se não por compaixão, que seja por espírito de sobrevivência. “Assim acima como o é abaixo", disse Hermes Trismegisto, referindo-se a céu e terra, e mais: “ Corai, ó humanos, ébrios que sois, tendo bebido até a última gota do vinho sem mistura da doutrina da ignorância, que não mais podeis conter, mas que já estais prestes a vomitar.”

Um comentário:

MJFortuna disse...

Minha amiga Maria Helena direto de Aracaju, enviou-me por email:

Agora, quanto ao artigo, leva-nos a uma forte reflexão: o que cada um de nós, que estamos na faixa intermediária (entre os poucos bilionários e os milhoes abaixo da linha de pobreza) estamos fazendo para salvar o planeta???? O que de fato podemos fazer? Me sobrevem uma profunda dor ao saber, de sâ consciência que estou apenas, placidamente esperando o desfecho plantado por todos nós: os omissos, os destruidores, os explorados, os exploradores. Somos os neutros que se equilibram em cima do muro.
Gostaria de ter a radicalidade de D. Luciano e de certos grandes homens que conheço, mas falta-me a coragem. Escondo-me debaixo do Manto de Maria e espero como uma criança assustada, pelo barulho das bombas que explodem lá fora ou do chão fugindo a meus pés.
Vc tocou de fato, o fundo da ferida com este artigo. Vamos todos refletir e começar a agir.URGENTE!
Marelena

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