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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A dança de Zorba

Maria J Fortuna

Hoje, quando me vi às voltas com um dos meus desmoronamentos interiores, lembrei-me de um dos recursos que uso para reerguer-me: assistir ao filme Zorba, O Grego, da década de 60, que me tem resgatado nos momentos em que crio alguma resistência de passar por cima do que já está no chão. Isto quer dizer que não adianta fazer velório para o que desaba, mas por mais incrível que pareça, convém celebrar!
Todo o filme traz uma sequência de acontecimentos que se repetem no mundo das emoções, neste planeta azul. Há de tudo: crises, conflitos, preconceitos, etc...
A emoção vai desde o encontro de Basil, um jovem escritor em crise de criatividade, com Zorba, o grego que tinha o apelido de Epidemia, “porque espalhava o caos por onde passava.” A genialidade de Nikos Kazantzakis trouxe, através deste filme, um monstro de interpretação que foi Anthonny Quinn, emocionando-nos do princípio ao final. Sobretudo quando Zorba constrói um monotrilho para levar madeira à mina que Basil herdou do pai, e o belo projeto vai por águas abaixo. Diante daquele desmoronamento, o grego ensina o rapaz a dançar sua dor. Como o ensinou a ler a alma das mulheres, através do seu relacionamento amoroso com madame Hortência, a velha francesa proprietária do único hotel da localidade. E do incentivo que deu a seu “patrãozinho” Basil, para dormir com uma carente bela viúva, perseguida pelos homens da Ilha.
O relutante escritor, que costumava dar vida a seus textos, na realidade não sabia viver. Maravilhoso o momento em que Zorba conta a ele que, quando perdeu o filho dançou sua dor a noite inteira no velório. A dor era tão grande que sacudiu seu corpanzil, conduzindo-o aos passos da sutaki. No vídeo abaixo, o mestre, homem iletrado, convida o discípulo intelectual a dançar, pela decepção e tristeza na não consumação do seu projeto na mina.
Mostra ainda, a triste sina das viúvas vestidas de negro para sempre, sem nenhum direito a amar outro homem, naquelas ilhas gregas (tive o prazer de conhecer três delas). Ainda vê o empenho do grego, para salvar uma dessas viúvas, condenada pelo povo ao apedrejamento, por ousar ter coragem de deitar com um homem, após a morte do marido.
É uma película ainda em preto e branco, sem o belíssimo colorido no casamento do céu com o azul do mar, mas sem dúvida chama a atenção para o que se pode chamar de superação, que diz sim à vida, apesar de tudo!
Zorba é mestre da vida. Ensina como degustar uma bebida, comer algo que lhe dê prazer, saber lidar com o amor e o sexo e, sobretudo, ensina a dançar alegria e dor. Tudo o que um escritor intelectual, ensimesmado, medroso, precisa saber! Tudo o que nos faz sobreviver a um desmoronamento.

2 comentários:

Eliane Accioly disse...

Mariinha,

vou ver Zprba hoje, aqui em casa. Josino tem o filme.
Adorei nosso encontro, cada minuto que vivemos juntas.
Estou com você em mim, de uma maneira deliciosa.
Somos almas irmãs.
Grande beijos,

Eliane

MJFortuna disse...

Enviada por Maria do Céu, por email:


Belíssima, sensata e sensível esta sua crônica.

Ao poeta - no seu caso poetisa - é dada a mágica percepção que aos seres comuns contém.

Com a pena / apenas - ou as penas? / e o "sentimento do mundo" você vai urdindo cantigas...ofício rebeldia.

Beijos, Cecéu.

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