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terça-feira, 31 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010










O lançamento da Antologia A cidade em nós, trouxe-me muito alegria! A primeira vez que sou convidada a participar em uma Antologia. O convite foi feito por Rosane Zanine, arqueteta, escritora e sobretudo poeta, que mora na Suiça. Ela reuniu nesta Antologia pessoas de vários países e linguas. São crônicas e contos em português, espanhol e alemão, prefaciada por Olga Lucia Obando, Doutora em Psicologia, escritora que assim se expressa no Prefácio do livro:

“La ciudad en nosotros como prosa poética es un hecho develado en la lírica. Ciudades como Berlín, Vilnius, Zurich, Stuttgart, Paris y San Luis de Maranhão, adquieren una potente corporeidad y presencia desde los sentires, las emociones, las pasiones del sujeto que narra y es actor de su narración. La ciudad devela ideologías, es casa, lugar del amor, la acogida, es recuerdo, historia y es también experiencia que invisibiliza, la de los borders en el cambio social, la del nomadismo, la de la deriva de personas en franca huida, es lugar en donde se consolida una sociedad del miedo, la situada dentro de entornos hostiles.

La ciudad es actor y escenario de la trama sobre la que se construye la narración es ciudad decantada. La ciudad de los Versos Urbanos es la ciudad de quien narra. Una ciudad enunciada, apelada y cantada líricamente. Es motivo de un hablante que expresa sus sentimientos frente a ella, como espacio en el cual discurre lo cotidiano, lo inesperado, lo deseado y lo no deseado.

La idea de la ciudad como imagen poética, como espacio subrayado de manera gráfica y metafórica, es tan diversa como los nombres de las ciudades que refieren los autores Baependi, São Thomé das Letras, Berlín, Perge, New York, Colonia de Sacramento, Santiago de Chile, Granada, Montevideo, Punta del Este.

Construcciones verbales deliberadas que nos develan representaciones e imágenes mentales sintetizadas en elementos racionales, sensoriales y emocionales, contextualizados en el devenir de cada narrador, que le permiten al lector tener una experiencia estética de lugares desconocidos.”

Para comprar este livro verifique na Livraria e Loja Virtual Asabeça se a obra está disponível para comercialização.
http://www.scortecci.com.br/home.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Para os que não leram...








A pressão do doutor

Maria J Fortuna


- Você viu o absurdo que o Presidente falou na ONU? Indagou-me do nada, o cardiologista que atende tia Lourdes. Apenas respondi que não.
Encorajado com minha aparente postura alienada e levando a cliente pra trás do biombo, a fim de proceder ao eletrocardiograma, continuou sua fala bem entusiasmado. Acho que confundiu meu silêncio com aprovação, só podia ser. E eu calada...
- Que vexame para o país! Este homem ter coragem de falar que a fome é responsável pelas guerras! Afinal a razão estava com o Bush, que deveria ter invadido o Iraque há muito tempo, sem deixar nenhum terrorista vivo por lá.
Fiquei espantada com aquele doutor que trata corações... O homem ia falando... Falando... E minha tia deitada esperando pelo eletrocardiograma, que apenas ensaiou começar. E gesticulava para lá e para cá, dando continuidade ao rosário de tolices.
- Vexame, continuava repetindo com outras palavras, como pode um homem sem cultura, representar o Brasil lá fora dizendo esta barbaridade! Onde já se viu? A fome justificando terrorismo! O mundo precisa de paz, mas com um monte de terroristas a serem exterminados? ... Não deveria ficar nenhum vivo! O onze de setembro foi um descalabro! O mundo precisa de uma resposta!
E o doutor estava passando de rosa choque ao rosto vermelho e eu calada, observando, e minha tia, quietinha, atrás do biombo esperando o “eletro”.
Em minha mente desfilavam cenas terríveis dos filmes do holocausto judeu. E eu ficava cada vez mais perplexa com o discurso inflamado do cardiologista, que é um deles. Eu vi a figura do doutor virar o próprio Ariel Sharon bem gordo, ocupando toda a tela da TV. (nada contra os judeus). E pensei nas atrocidades que rolam entre Israel e Palestina afora... E a chacina das crianças na Rússia? Saddan matando os curdos e Bush os iraquianos. Cabeças sendo degoladas e o nosso doutor de coração, incentivando a guerra e aprovando Bush como Salvador do mundo! Ali estava a expressão viva do que eu só leio nos jornais. E eu calada... Contemplando o ridículo daquela situação. E o imensurável absurdo de quem defende guerras e elogia carrascos. Ainda mais de quem, que pode ter tido algum parente trucidado pelo SS de Hitler. É de cair o queixo...
De repente, o homem já estava salivando muito, com o rosto meio que lilás E eu continuava quieta, na contemplação silenciosa daquela triste realidade. Apesar de que tal atitude já começava a despertar suspeita e incomodar o doutor. Afinal, havemos de convir que aquela situação inusitada em que eu e minha tia estávamos, era como assistir a uma peça de teatro do absurdo! Ali deveria acontecer uma consulta médica e não um desabafo tão ameaçador!
Finalmente ele começou a fazer o eletrocardiograma. Mas isto não lhe cortou a mofada fala:
- Onde já se viu isto? O mundo está entregue aos perdedores... Quem diria? Continuava o cardiologista, passando de cara lilás para roxa.
A estas alturas, eu já estava pensando no Gandhi. E nos pacificadores como Jesus, vítima de uma macabra engrenagem política e agora sendo usado para fazer política! Pensando em todos os fundamentalistas do mundo! Nas guerras santas, na Inquisição e até nos circos romanos com cristãos jogados as feras! Pensei coisas e loisas...
E o sujeito médico, com o estetoscópio no pescoço, gesticulando agora completamente roxo!
A conversa do doutor era de tal forma nazista que não dava nem pra querer romper o véu do absurdo. Então tive a feliz idéia de propor outro assunto, mais adequado à situação:
- Doutor, comprei este aparelho de pressão digital e gostaria de saber como funciona.
Puxa! Foi um alívio!... Finalmente ele entrou no clima da consulta, pensei.
- Hum... Murmurou, depois de um curto suspiro, a fim de se recolocar no ambiente do seu consultório. Vou colocá-lo em sua tia e a senhora observa como funciona.
Foi atrás do biombo, onde a velha senhora aguardava pacientemente, ainda deitada, o resultado do eletro. E colocou o aparelho em seu pulso.
- Hum... 12 por 6. Tudo bem! A senhora confere aqui, por favor.
A cor do rosto bem feito do doutor foi voltando aos poucos do roxo, ao vermelho e daí para o rosa choque, depois para o rosa menos forte... Mas ele ainda arfava, ainda estava emocionado com o tema de seu discurso, em que alugou nossos ouvidos para ouvir sua explosão tão insípida quanto inconsequente.
- Agora, para testar melhor, vou experimentar em mim mesmo o aparelho, falou com autoridade. E, sentado, colocou o aparelho no seu próprio pulso.
- A minha pressão está... Bem, um momento... Hum... 20!.....
E eu nem fiquei sabendo a mínima... Ele engasgou e não falou.
- Por que estou com a pressão tão alta? E fez uma cômica cara de medo e surpresa. Estava suando por todos os poros e repetiu o procedimento por mais três vezes!... E sempre dava o mesmo resultado.
E o rosto do rosa começou a ficar branquinho... O doutor estava passando mal.
Não perdi tempo:
- Pois é, doutor, se eu fosse o senhor não ficava tão emocionado com estes assuntos de violência... O senhor vê sua pressão, tá lá em cima! Ódio mata, sabia? E desci minha tia da mesa do eletro, finalmente.
Saí dali com uma estranha sensação de vingança. Pra falar verdade, eu realmente adorei a pressão alta do doutor!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A dança de Zorba

Maria J Fortuna

Hoje, quando me vi às voltas com um dos meus desmoronamentos interiores, lembrei-me de um dos recursos que uso para reerguer-me: assistir ao filme Zorba, O Grego, da década de 60, que me tem resgatado nos momentos em que crio alguma resistência de passar por cima do que já está no chão. Isto quer dizer que não adianta fazer velório para o que desaba, mas por mais incrível que pareça, convém celebrar!
Todo o filme traz uma sequência de acontecimentos que se repetem no mundo das emoções, neste planeta azul. Há de tudo: crises, conflitos, preconceitos, etc...
A emoção vai desde o encontro de Basil, um jovem escritor em crise de criatividade, com Zorba, o grego que tinha o apelido de Epidemia, “porque espalhava o caos por onde passava.” A genialidade de Nikos Kazantzakis trouxe, através deste filme, um monstro de interpretação que foi Anthonny Quinn, emocionando-nos do princípio ao final. Sobretudo quando Zorba constrói um monotrilho para levar madeira à mina que Basil herdou do pai, e o belo projeto vai por águas abaixo. Diante daquele desmoronamento, o grego ensina o rapaz a dançar sua dor. Como o ensinou a ler a alma das mulheres, através do seu relacionamento amoroso com madame Hortência, a velha francesa proprietária do único hotel da localidade. E do incentivo que deu a seu “patrãozinho” Basil, para dormir com uma carente bela viúva, perseguida pelos homens da Ilha.
O relutante escritor, que costumava dar vida a seus textos, na realidade não sabia viver. Maravilhoso o momento em que Zorba conta a ele que, quando perdeu o filho dançou sua dor a noite inteira no velório. A dor era tão grande que sacudiu seu corpanzil, conduzindo-o aos passos da sutaki. No vídeo abaixo, o mestre, homem iletrado, convida o discípulo intelectual a dançar, pela decepção e tristeza na não consumação do seu projeto na mina.
Mostra ainda, a triste sina das viúvas vestidas de negro para sempre, sem nenhum direito a amar outro homem, naquelas ilhas gregas (tive o prazer de conhecer três delas). Ainda vê o empenho do grego, para salvar uma dessas viúvas, condenada pelo povo ao apedrejamento, por ousar ter coragem de deitar com um homem, após a morte do marido.
É uma película ainda em preto e branco, sem o belíssimo colorido no casamento do céu com o azul do mar, mas sem dúvida chama a atenção para o que se pode chamar de superação, que diz sim à vida, apesar de tudo!
Zorba é mestre da vida. Ensina como degustar uma bebida, comer algo que lhe dê prazer, saber lidar com o amor e o sexo e, sobretudo, ensina a dançar alegria e dor. Tudo o que um escritor intelectual, ensimesmado, medroso, precisa saber! Tudo o que nos faz sobreviver a um desmoronamento.

Anthony Quinn: Zorba the Greek's dance (1964)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Em homenagem a Luiz Lyrio

Neste crônica poética, homenageio meu amigo

Canção da folha que cai




Maria J Fortuna

Desprendi-me, prematuramente, da árvore mãe e danço ao sabor do vento, que de calmaria, pode soprar forte em tempo que a natureza perde a paciência. Então bailo no ar, cercada de insegurança por todos os lados.
Pedi ao Pai que, pelo menos, me seguisse com os Seus Olhos, numa súplica de proteção. Que, não me perdendo de vista, permita-me pousar num lugar bom e não numa poça de lama. E se assim for, que me tire a consciência.
Em forma de Menino Jesus, sei que sou mais vista por Ele que, como menino, adora pisar em folhas secas para ouvir o barulhinho e fazer apito das mais jovens, para chamar outras crianças pra brincar. Só que nem sou folha seca, nem tão jovem para que me façam de apito. Se fosse menina, fazia-me de comidinha para dar às bonecas.
Em minhas nervuras, a vida ainda ali está, e elas contam a minha história genética,que talvez seja a explicação do meu desprendimento, tão prematuro, dos galhos de minha mãe. Nessas nervuras, está escrito um caminho confuso, fora dos padrões da árvore que me gerou. E de minhas irmãs que lá estão. Ali está o desenho do caos, sem rota, independente da minha vontade de ser, desde meus tempos de folha verde.
Talvez meu bailado, por falta de peso, seja tão bonito que Deus se compraza em assisti-lo! Devo, então, cumprir os ditames de minha imperfeição, que pode justificar a permanência nas mãos da insegurança, maneta de nascença.
Na verdade não há explicação. Não me recordo de ninguém que tenha me arrancado da árvore, se bem que tudo possa ser possível em tempos em que a memória não alcança. Ou que eu mesma prefira bailar no ar a encobrir tal fato.
Estou, portanto, totalmente à mercê do desconhecido: antes, durante e depois. Não faço tanta falta assim à grande arvore. Ela tem centenas de folhas! Por enquanto sigo bailando... O que é imperfeito também se cumpre, para que a perfeição apareça.
Um poema pode estar sendo escrito neste momento. Afinal os poetas são aqueles que mais têm convivência com o desconhecido e vivem plenos na alquimia da insegurança. Não seria impossível para os poetas, fazer versos sobre uma folha que cai fora do tempo, sem nem querer saber do motivo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Monica enfeita poesias!



[Image]

Monica com seu gatinho


Todas as poesias de Maria J Fortuna, são formatadas por Monica Puccinelli que, com sua sensibilidade, consegue enfeitá-las como ninguem!

Visitem seu blog: Visite meu blogger
http://crescendo-di-va-gando.blogspot.com/
http://www.dimansinho.blogspot.com

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Luiz Lyrio nos deixou







Ontem, Prof Luiz Lyrio nos deixou. Ele, escritor de muitos livros, como "Nos Idos 68"sendo que o último:" Entre a morte e a vida" , revela a versatilidade de sua obra. Era um grande humanista tinha uma mente contestadora. De grande nobreza de espírito e capacidade de compreensão. Isto porque era sensível aos problemas do social e não se calava diante das injustiças e desmando que se comete neste País. Além do mais era poeta. E como tal permanecerá em nossa memória poética.
Fica uma lacuna. E a lembrança dele através de suas obras.
Aí está um pequeno trecho de um texto publicado em seu blog e uma poesia premonitória.

"A morte dá aos seres humanos a oportunidade de redimensionar as coisas e reconhecer a verdadeira importância delas. Quando morre um gênio, sua obra sobrepõe-se à sua vida pessoal, que perde completamente a importância. Aliás, a humanidade teria muito mais a ganhar, se, em vez de se interessar pelas fofocas sobre seus ídolos divulgadas pela grande mídia, procurasse conhecer melhor o legado deixado por eles."

AMOR COM LIMITES



Não.

Não me pergunte por quê.

Não me pergunte como.

Não me pergunte onde.



Também não me pergunte como é e nem porque é.

Não me indague porque às vezes dói, mesmo enquanto dá prazer.



Também não tente saber quanto vai durar:

se será eterno ou só um fogo de palha,

um caso, um ficar passageiro e inconseqüente.





Não posso fazer juras de amor eterno.

Minha eternidade pode durar apenas um dia, uma hora, um minuto, um segundo.

De repente um enfarte, um aneurisma, uma distração ao atravessar uma rua,

uma bala perdida (ou virtuosa),

um avião caindo na minha cabeça, desgovernado por um terrorista maluco,

e pronto!

Lá se vão minha eternidade e minhas juras de amor eterno.



Por isso, apenas curta o momento.

Aproveite o que é bom.

Beba o prazer, como o alcoólatra sorve seu primeiro gole, durante a recaída.



E nunca sinta culpa nem medo da perda.

Desapegue-se sempre que o apego causar-lhe algum mal.

Depois, quando passarem o medo e a angústia, apegue-se de novo.



É bom estar apegado.

É bom estar vivo de verdade.

É essencial estar amando.

domingo, 8 de agosto de 2010

As mães de Roberto Carlos


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Maria J Fortuna

- Este rapaz foi meu filho em outra encarnação! Dizia minha mãe, na década de 80, encantada, enquanto assistia a um especial de Roberto Carlos. A afirmação estranha de quem foi católica a vida inteira! Daí, desde aquela época, tenho me interessado em desvendar o mistério de tantas senhoras almejarem a maternidade de Roberto. O que nele motiva e sensibiliza as senhoras da terceira idade a serem suas mães? Apesar de o tempo ter se passado e ele também ter se tornado uma pessoa da terceira idade, o apelo à maternidade continua... Lady Laura tem, portanto, um monte de concorrentes, até hoje. Mas por que Hebe Camargo não embarcou nessa onda e encarou seus sentimentos? Apesar dos seus 81 anos, declara-se apaixonada por ele, como mulher. Na realidade, o importante para todas, é ter como que uma intimidade com essa criatura comovente, que todos os anos revive com as mesmas músicas e letras, as mensagens escritas na alma feminina.
Várias das que conheço ficam embevecidas com a figura do cantor, que perdeu a perna em menino, vestido de azul e branco- as cores da Virgem Maria e que inclina o microfone para um lado e para o outro, com sua voz meio fanhosa, mas uma delícia! E aqueles olhinhos miúdos e doces, que causam tantos suspiros! O certo é que ele promove a mulher quarentona em suas múltiplas facetas: grávida, morena e amada amante. Aquela que queremos tanto ser... Qual cantor agrada tanto à mulher assim?
Sua história de amor por Maria Rita é outro toque romântico que embebeda os corações de amor por esse homem que tem coragem de se declarar arrasado com a perda da companheira. Não é verdade que a gente se sente tentada a dar colo para um homem assim? Com certeza. Sem sombra de dúvidas ele é almejado como filho, irmão e amante das que sonham com um par perfeito! Toda mulher gosta de ter o amado nos braços feito criança de vez em quando. “Principalmente quando este menino bom canta “Jesus Cristo eu, estou aqui”“...” e Nossa Senhora, me dê à mão, cuida do meu coração...”
E para os outros que se julgam marginais ou em pecado ele canta: “Este amor sem preconceitos, sem saber o que é direito, tem as suas próprias leis...” tornando o amor incondicional e aureolado por uma luz própria, concebida por ele mesmo. Só mãe ama assim... Acho que com isso não há mais que duvidar da almejada maternidade de suas fãs idosas, de várias épocas, desse amabilíssimo cantor! Afinal ele está fora do tempo e do espaço, visto que suas mães, amantes e amigas, estão espalhadas por aí, em todos os cantos do Brasil e, quiçá, fora dele.



Quem sou eu

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Sou alguem preocupado em crescer.

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