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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quanto mais luz, mais trevas...


Maria J Fortuna


"Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Téon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos da época. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe receber os ensinamentos." Socrates, o Escolástico.


Assisti, na tarde de ontem, ao filme Alexandria, com Rachel Weisz fazendo o papel de Hypatia, filósofa e matermática, que viveu na época atribulada entre 355 a 415. Hepátia era filha de Téon, um renomado filósofo, astrônomo e matemático, que lhe transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de resposta para o que era até então desconhecido. Pode-se imaginar a formação intelectual que esta brava mulher teve. Era versada em Física e Astronomia, desenvolvendo instrumentos como o hidrômetro . Mas o que realmente me impressionou em sua história foi a coerência e coragem, que vinham dela. Só vividas e reconhecidas pelos dos grandes espíritos!

Quando vejo uma criança recém-nascida, me dá vontade de sussurrar a seus ouvidos: Coragem! É tudo de que precisamos para viver num planeta confuso, cheio de divergências políticas e religiosas, repleto de seperatividade e conflitos. Como se não bastasse, o fundamentalismo religioso! O filme mostra a cidade de Alexandria sob o domínio romano com uma das mais violentas rebeliões de toda a história antiga: judeus e cristãos disputando soberania econômica e religiosa da cidade. Hypatia liderava um grupo de discípulos que lutava para preservar a famosa biblioteca de Alexandria. Neste tempo, a barbárie era comum e legitimada. Isto que me causa horror! Um grupo de cristãos agia como loucos! Cegos pela cobiça do poder. Inconcebível pela doutrina de amor e perdão pregada por seu Mestre. Hypatia não se entregava ao medo. Ela se dizia casada com a verdade e tudo que queria era salvar a biblioteca, onde se poderia ler tratados dos grandes mestres da época.

Hypatia era dona de uma enorme beleza, como está escrito em documentos antigos, mas sua preocupação era com os processos de demonstração lógica que deixava os matemáticos confusos... E desenvolveu grandes estudos de Álgebra, além de comentários matemáticos. Ficou famosa como solucionadora de problemas.

Um dia, quando ia para a Biblioteca, foi atacada por um grupo de fanáticos religiosos cristãos e foi trucidada dentro de uma Igreja, da forma mais dolorosa que se pode imaginar. Tudo por amor à verdade, por não abrir mão de sua coerência interna, de querer proteger o conhecimento.

O que mudou da remota época em que Hypatia viveu, para os dias de hoje? Num mundo cheio de falsas informações e de grande consumo, é difícil imaginar que o espirito desta grande mestra seja sequer compreendido. Ou antes disso, que algum dia existiu uma mortal desse quilate! Quem se arvora a morrer pela verdade e liberdade hoje em dia? Mais fácil para a grande massa, adorar ídolos como Madona, Byoncé e outras... E lógico, saber como vai a gravidez de Daniela Wints e como estão os cabelos de Fátima Bernardes no Jornal Nacional da Globo. E a quantas andam o casamento de Sandy, que topou fazer o comercial de Devassa, a cerveja... Se bem que existem as exceções, mas são marginalizadas. Quem aguenta aquela mulher que só vive estudando e se interessando por assuntos como politica, filosofia? E conversa com homens sobre estes assuntos tão bobos. E aquela que gosta de frequentar exposições e museus? Tem cada mulher estranha... Mas será mulher mesmo? É o que comentam...

Quanto ao fundamentalismo da época, ainda existem mulheres vestidas com burcas e outras com o clitóris extirpado pela avó, o que não mudou muito em termos de violência. Ainda este monstro se disfarça nas entrelinhas das doutrinações ao pé do ouvido ou em canais de TV.

O que mudou foi a selvageria da época, que está menos explícita. Imagens nesta postagem

5 comentários:

Monicapuccinelli@gmail.com disse...

Mariinha amiga querida, e... vc viu aquela mulher la no cemitério de S.Paulo, que denunciou e enfrentou policiais corruptos, nos primeiros dois dias a TV só falavam dela, de sua coragem, coragem de enfrentar ao vivo corruptos, pelo senso de justiça que ha nela, mas..... o massacrei na escola do Rio de Janeiro, fez com que ela fosse esquecida.
Que Deus continue fornecendo a ela coragem e a todas nos mulheres dignidade pr lutar pela "Verdade, honestidade" e tantos outros princípios já quase esquecidos. Abraços mony

norália disse...

Mariinha, excelente crônica. Excelente. Abraços,
Norália

Erica Gaião disse...

Maria,

Vim retribuir a sua visita e lhe agradecer pelo gentil comentário que deixou lá no Meu Universo. Conheci seus dois blogs, li alguns posts e gostei demais. Esse texto está uma maravilha, viu? Fiquei com vontade de assistir o filme que deu origem a esse post tão reflexivo.

Voltarei outras vezes pare te ler.

Beijos

Cris Fraga disse...

Mariinha, minha mais nova amiga. Obrigada por sua crônica tão sensível.
Cris

nenemritinha disse...

Maria, seus escritos são fortunas! Parabéns! Estarei de volta a qualquer hora. Cheiros, Rita de Cássia Amorim Andrade
www.portalritissima.com.br
ramorimandrade@bol.com.br
Recém-chegada à REBRA.

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