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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Encontros


 

 

 

 

 

                                                                                                                                                        Maria J Fortuna

 

Todo mundo, algum dia, almejou encontrar fisicamente alguém que pertence à outra dimensão da vida ou da História.  Wood Allen que o diga, quando produziu Meia Noite em Paris, filme que me deixou completamente encantada!  Ali o impossível acontece! Desfilam pessoas maravilhosas que viveram em 1920, como F.Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Dali e outros, circulando por cafés e ateliês da cidade, convivendo com o personagem principal.  Participam de festas onde se encontram em alegres grupos de pessoas famosas.

Eu, por exemplo, adoraria tomar uma taça de vinho com Isadora Duncan. Li sua biografia três vezes! Identifico-me com essa bailarina de pés descalços, na luta pela liberdade de expressão, nos desacertos e perdas amorosas, na improvisação de sua arte e pelo forte traço maternal. Talvez, se contemporâneas, tivéssemos sido grandes amigas! Daquelas que uma completaria o que a outra estivesse falando.  Seria a gloria para mim, dançarmos juntas!

 Outro personagem que me fascina igualmente é Van Gogh.  Gostaria de vê-lo de um pouco mais longe, se não pudesse alterar o seu triste destino. Bastaria assisti-lo pintando “Noite Estrelada” ou aqueles trigais que tanto o motivaram em sua obra. Seria incrível também, ouvir de perto uma conversa de Freud com Nietzsche. Adoro quando esse último escreve coisas como: “Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”. Para completar gostaria muito de estar com a Abadessa Hildegard Von Bingen, para ouvir sua música celestial que me toca o coração com tamanha leveza, transportando-me, tão rapidamente, ao Criador! “. São neles em que estou pensando nesse momento, dentre muitos outros como a poetisa Orides Fontela, que viveu quase no anonimato, gostava de gatos e poetizou que o infinito é lúdico.

Seria tão bom ter encontrado com minha avó e um punhado de tios que não conheci. Principalmente a doce Esther, casada com um irmão da minha mãe.

Ah! Maravilhosa salada de gente tão especial, que nos deixou herança tão boa! E basta uma pequena lembrança para tê-la de volta ao cenário da memória...

Agora, pensando nos contemporâneos, não nego que gostaria de conversar com Fernanda Montenegro, senti-la além da magia dos palcos. Ir a algum lugar ao ar livre prosar com Juca de Oliveira.   Curtir um jantarzinho com  Jô Soares e tantos outros...  Mas eles só aparecem na telinha. Envelhecemos e os vemos envelhecer pela telinha da TV, sem a qual nem saberíamos de suas existências...

É isso... Há conexão entre as almas. São redes de afinidades e níveis de consciência pessoais semelhantes.  Agrupamo-nos segundo o código, falamos linguagem semelhante, com algumas variações.  E isso independente do tempo e do espaço. Quase sempre  acontece quando encontramos alguém que admira a mesma pessoa que nós,  vai ver temos a mesma ótica em relação ao próximo e o mesmo jeito de conduzir a própria vida.  Vai ver tem uma forma de pensar e agir semelhante, os mesmos valores, e a grande possibilidade de germinar e deixar crescer a amizade. Já aconteceu comigo algumas vezes.

Um comentário:

MJFortuna disse...


Eliana Angelica Luppi, por email:

Li a sua crônica Encontros e fiquei pensando qual especial você é e fiquei me lembrando de nossos
encontros no Retiro, você, Jack, Antonio Roberto, Maria Helena, Galvani, Geraldo, Angela e a criançada
fazendo parte de todo o contexto. Fiquei com inveja e resolvi parar para lembrar de nós!
Não somos gênios e nem temos o gabarito das pessoas que você mencionou na sua crônica, mas me senti
muito bem de entrar em contato com as recordações e lembranças de tempos idos, aproximadamente, uns
20 anos atrás! Que maravilha você fazer parte da minha vida e do meu caminhar! Muito grata por tudo!
Parabéns!
Beijo.

eliana

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