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sábado, 1 de dezembro de 2012

Rosa Flor


 Foto de Florbela Espanca
 
 
 
 
                                                                     Maria J Fortuna
 
 
Amanheceu em plena consciência do seu estado de rosa. Sabia que, sozinha, não podia tocar com sua beleza todos que estavam a seu redor. E que nem todos iriam apreciá-la ou embriagar-se com o perfume que se desprendia dela. Talvez por causa do poder de sua fragilidade, revelada através da maciez e cor de suas pétalas.
Cresceu assim, desde botão, até aquele momento em que, de tanto se abrir para o mundo, deixava cair várias das suas sementes. Mas só algumas deram flores. Seu nome era Maria. Não podia se dizer imaculada, como a mãe de um ser divino, mas havia se purificado através da renovação dos seus momentos, quer de dor ou alegria, sempre vivida como derradeiros.
- Afinal vou mesmo morrer amanhã, é o que importa, dizia ela.
Sabia-se Maria, rosa. Maria Rosa. Fazia parte da sua transparente natureza de flor. No entanto, costumava cuidar para que seus espinhos não magoassem ou ferissem ninguém, mesmo quando provocada.
Fora criada com grandes pinceladas de indiferença na alma. Isso porque floresceu inesperadamente. Nem os pais, nem ninguém percebiam seu talento para expressar com palavras, escritas e mudas, as estações que aconteciam dentro dela. Silêncio é coisa de flor... Afinal, escutava sempre calada, que viera ao mundo por teimosia e que não era esperada. Mas o que importava sua origem, sabendo-se vencedora na luta pela sobrevivência? Por isso tinha o direito de assistir vários pores-de-sol, várias outras primaveras. Tinha o direito de ser flor.
- Menina estranha, essa Rosa... Ponderava a professora de matemática. Não há nada que a faça aprender álgebra!
- Trata-se de um paradoxo, falava a professora de português. Ela escreve poesias...
Álgebra, poesia... Desafio! Talvez fosse a mesma dificuldade que sentia ao tentar unir realidade ao sonho, sem conseguir costurar uma coisa na outra. Nem saber onde havia perdido o fio da meada. Para ela, a verdade estava nas coisas sonhadas. Apesar de todos os pesadelos que se arriscava a ter em estado de sono. Pesadelo faz parte, pensava... E continuava a sentir, através de suas pétalas, tudo o quanto podia alcançar na procura da beleza!
Um dia, a moça mergulhou por longo tempo em seu mundo onírico. Então o doutor responsável pelo seu tratamento disse em alto e bom tom:
- Longe de mim querer “curar” Rosa! Ela faz parte da natureza e nela exala seu perfume. Não se pode curar um poeta!
--
 
 
 
 

Um comentário:

MJFortuna disse...



daufen bach.



10:25 (1 hora atrás)














para mim







Daufen Bach, por email:


Que maravilha de texto minha querida!
Florbela é sensacional né?
Posso publicá-lo na Revista Biografia essa semana!?

beijo querida e lindo domingo!

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