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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Caetano na TV

Maria J Fortuna

Nunca nutri muita simpatia para com Caetano Veloso. Sempre achei que ele havia aparecido num momento em que o povo brasileiro valorizava um bom compositor e interprete, mas que o intelectualismo andava as soltas. Caetano se tornou um filosofo da MPB com novo colorido da bossa nova, porque falava com aquele sotaque arrastado de baiano, o que lhe vinha à cabeça e o povo aplaudia. Chico Anísio construiu um personagem com as características de personalidade de Caetano exilado por subversão. O Novo Baiano como era chamado, dizia ter saudades de Gal, de Bethania com um ar de quem está com a cara cheia de álcool e de drogas ou, para os mais atentos, completamente cheio de preguiça.
Trabalhando no Hospital Julia Kubstischek, Belo Horizonte em 1967, eu ouvia todo mundo cantar, pelo menos, uns trechos de alguma canção do baiano desgrenhado de fala mole ou do Chico. Buarque. Foram os anos de chumbo em que Veloso embarcou para o exílio em Londres, com aquele cabelo enorme! Era símbolo não só de liberdade como de libertinagem. Naqueles anos de repressão a gente ficava atenta as letras de suas canções, onde haveria uma mensagem velada de protesto contra a ditadura. Agradava gregos e troianos, ou seja, revolucionários e hippies que estavam em alta naquela época.
Tinha gente que dizia que eu parecia com ele... Não pelos cabelos encaracolados, mas pela fisionomia mesmo. Rosto retangular, olhos caídos, queixo fino e boca de coração, como dizia minha prima Alzira.
Hoje eu o vi na TV num especial que trazia seu nome. Logo no inicio do programa apareceram alguma de suas frases famosas que me fizeram rir. Tipo “Não é tão mau assim ser pseudo intelectual de miolo mole, talvez não seja propriamente pior do que ser um verdadeiro intelectual de miolo duro” Típico do cantor baiano. Era justamente o que eu pensava que ele era: intelectual de miolo mole... E pensando bem miolo duro também é demais! Poderia ter um miolo ao ponto...
Caetano cabeça branca, cheio de rugas como eu, levantando ora a perna esquerda, ora a direita, quando canta. Com aquele mesmo jeito de menino em corpo de idoso. Parecia brincar com o tempo... Não tive saída – estava perfeitamente identificada com ele.
Uma das coisas que o tempo faz conosco é tornarmo-nos parecidos uns com os outros de verdade! Temos rugas em comum, cabelos brancos, (mesmo tingidos a gente sabe que são brancos), e certos ares de quem conhece muito bem onde está pisando, Ainda se preferir, uma expressão de quem está brincando para dissimular o atual conjunto corporal comprometido com ele – o tempo!
Pouco sei do Caetano de hoje. Pelo que li em seus olhos, há algo de novo no velho que se apresenta. Talvez um pouco de melancolia que evoca os bons tempos onde tudo de bom brotava daqueles que caminhavam pelas artes. Um reconhecimento de que o inexorável tempo deixou-nos ótimas lembranças que não mais se repetem. Mas nos acompanham quando saímos de cena e de vez em quando somos convidados a retornar, como no caso de Caetano no programa especial da TV Globo.
Na verdade ele tornou-se uma figura simpática, para mim. Isto porque sua figura evoca aqueles bons tempos onde a gente lutava por um ideal comum e curtia uma boa canção.
O que eu sentia de ruim em Caetano está junto ao pacote do que não faço absoluta questão de recordar. Esta junto a um punhado de “besteiras” que eu andei aprontando no passado... E quer ver eu me parecia com ele mesmo...
Hoje em dia a minha indignação com as letras e musicas que nos tem aparecido, fazem-me abençoar o passado onde aquele homem cabeludo com roupas estranhas e aspecto de louco compunha e cantava boas canções. Quando ouço por um instante uma destas blasfêmias que estão sendo compostas nos dias de hoje e que encantam a grande massa, eu digo de coração:
- Saudade do Chico... Do Vinicius, do Milton, da Nara, do Tom... Do Caetano...
Mas como sempre ele diz e faço questão de acreditar “Pra que mania de viver em décadas? Não vivo em décadas, vivo na vida... Cantando eu mando a tristeza embora...

















Um comentário:

sluciomaria disse...

Olá,
Suas palavras foram ótimas neste post.
A cultura do País virou definitivamente a culutra da promiscuidade do sexo.
Sinto muito, mas Caetano, Chico e Milton estão dando saudades mesmo...
Abraços
Sérgio Lúcio Maria

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