Maria J Fortuna Costumo me debruçar na janela da vida e observar as pessoas que passam pelas ruas da cidade. Algumas trazem expressão de cansaço. Outras a sisudez de quem topou com muitas pedras e se empedrou. Ainda em outras, um ar divertido de quem, no bom humor, supera as dificuldades. E os que estão preocupados com algum alfinete lhe espetando a alma. Independente da idade, raça, credo ou condição social, indago-me se todas aquelas pessoas brincaram quando eram crianças. Algumas cresceram na roça, em sítios ou fazendas no interior do Brasil. Tiveram oportunidade de conhecer de perto os segredos da terra, dos animais e das plantas. No íntimo contato com o sol e a lua. Brincaram de maré, amarelinha, cancão. Todas as três palavras querem dizer a mesma coisa, variando conforme a região em que a criança nasce. Ou seja, pularam nos quadrados desenhados no chão com pedra, numa perna só, como Saci-Pererê, para pegar uma casca de banana. Será que a brincadeira ainda existe?Outros crescem em favelas apertadas, com cheiro de pobreza, dormindo amontoados com pais e irmãos e comeram, sobretudo, muita massa, para matar a fome, por isso na maioria são gordinhos. Mas tiveram uma vista bonita da cidade. Imagino que apesar de todo aperto, foram crianças que brincaram de bola e empinaram papagaios na laje dos barracos. Tem os que cresceram em apartamentos, engaiolados em prédios, mas que ainda conseguiram brincar na garagem sob os protestos do síndico ou do funcionário que toma conta dos carros. Comemoraram aniversário no salão de festas.Outros, que não costumam frequentar ruas movimentadas, cresceram em casarões em bairro chique e, além de terem bastante espaço para brincar, ainda frequentam clubes selecionados onde menino pobre, nem pensar, entram.Ainda temos as crianças que dormem nas ruas, embaixo das marquises dos prédios, cheirando cola, e estão magros e verdes de desnutrição e veneno. Quando tem uma fonte em praça publica, costumam se atirar lá, e, brincando com água alegremente, esquecem um pouco da maltrapilha miséria que os acalenta com seus braços perversos. É hora em que penso nos Bancos... Itaú, Bradesco, Santander... Daí por diante.E as pessoas continuam passando e eu observando... Como figurantes de novelas. Como se a gente e o mundo todo fôssemos virtuais.Como não abrir espaço dentro do coração para a grande utopia do amor fraterno? Trazer todo mundo para a escola, independente de raça, religião ou condição social, num grande encontro, onde o que interessa é varrer a ignorância e aprender a conviver, brincar e ser feliz com o outro nessa vida! Ver todos partilhando das mesmas salas de aula, e ter recreio na convivência com todos, no direito a ser criança, aprender, brincar e ser feliz. Imaginar a alegria de Darcy Ribeiro e Cristovam Buarque! Todos cuidando, com consciência, do planeta, que está doente, e ao mesmo tempo, curando a grande ferida da desigualdade social.Assim, lúcida, lúdica e alegre, em dado momento, a criança que fomos emerge de dentro de nós quando o amor fraterno surpreende, aquecendo, inesperadamente, nossos velhos corações. Podemos dizer, nesse momento, que essa brisa amorosa refrigera de tal forma a alma que não teremos mais 50, 60, 70, 80... Até 100 anos de idade nesse momento. Tornamo-nos atemporais! Mesmo ao ritmo de um coração cansado, a infância trazida nas asas do amor, às vezes de muito longe, restaura o eterno da alma, porque traz esperança!
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sábado, 13 de outubro de 2012
Ser criança
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DESABAFO Em Artes e artes:Ser criança
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MARIA DO CÉU
07:51 (3 horas atrás)
para mim
Mariinha,
Uma palavra sobre SER CRIANÇA e SEDENTA DE DESERTO, em que você aborda, também, o caos urbano em que vivemos. “Tens” razão a TV é infinitamente pior que Jornal, pois traz para a alma da gente a notícia a vivo e a cores: o desespero da guerra – embora lá longe- dentro de sua sala, de seu quarto.....
Em tempo real, presenciamos seqüestros, tiroteios, assaltos, o Brasil em plena guerra civil.....
A pessoa nos estertores da morte e o repórter perguntando: como está se sentindo? ( E´ quase assim a impertinência deles e o desejo do FURO DE REPORTAGEM. Tudo parte de um grande mito que vivemos:
O MITO DA TRANSPARÊNCIA TOTAL ( evidentemente não estou me referindo à política aqui, que deve ter um mínimo de transparência, mas a tudo o mais...)
Costumo fazer caminhadas pelo Parque Municipal, hoje, além dos caminhantes habituais, povoado por adolescentes e homens que vivem nas ruas: andrajosos, imundos, bêbados, cheirando cola, fumando....
Ficam ali, em grupos, conversando sua desesperança, seus pequenos ou grandes delitos – ou nenhum – no frio, embolados uns nos outros, se aquecem da ventania que açoita as árvores. No calor, sede deixam ficar sob estas mesmas árvores que lhes dão sombra....olhos perdidos. Em que, em quem, estariam pensando? O que enxergam seus olhos, que não consigo ver?
E, ninguém faz nada. Talvez, na época da Copa, que também e, infelizmente também, acontecerá em BH, tratarão de esconder a turma dos desesperados que “enfeia” o parque, dorme sob as marquises e...., bem: você assiste como eu, a este filme todo dia.
Nossas crianças, também nos preocupam. Especialmente este contingente de pequenos que vivem em condições sub humanas, brincando de roubar, sendo aviõezinhos para os traficantes. Outro dia prenderam um de 16 anos por um delito - não me lembro qual. De acordo com sua folha corrida este rapazinho já foi preso e solto 251 vezes, ( duzentas e cinqüenta e uma vezes) por toda sorte de crimes, inclusive assassinatos....
Ninguém faz nada para, pelo menos, tentar sua reeducação, se a estas alturas for possível. Enquanto isso as obras do Estádio que vai sediar alguns jogos em 2014 estão de vento em popa....
Mas, a vida não é só página policial. E você com sua poesia, trata,com sensibilidade mas com leveza, temas humanos que conhece não apenas de “ver pela janela”, mas que estão,” como alfinetes, cravados em sua alma”.
Bom domingo, amiga.
Beijos fraternos, doCéu.
Amiga, desta vez não funcionou o envio, bjs
Mariinha, entrei nesta linda viagem, revivi momentos de minha vida, entrei na sua leitura, amei este doce voar, bjs, mony
Comentário de Mônica Puccinelli, por email
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