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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Quando não existe distância...







Distância é uma palavra falsa no mundo dos sentimentos. Nas marés do coração, tanto na lua cheia quanto na minguante, amor e ódio se cruzam, se abraçam e, às vezes se confundem dentro do coração, quando as lembranças nos escorregam da memória e repetem seu desfile aos olhos da alma.  Nesse mundo dos sentimentos, não há espaço nem tempo.  Não há distância. Isto me convence quanto à existência da eternidade. Sentir é coisa que não se acaba. Idem para sonhar. Quando o inconsciente se solta, doido como sempre, em sonhos, traz e leva pessoas, mascara a verdade quando é dura demais para ser suportada, transforma raiva em fera e o amor em borboleta!
Em se tratando de amor, aí mesmo que não existe próximo ou distante. Existe presença.  Quem se distancia das pessoas somos nós. Quando elas nos causam sofrimento. Refiro-me a rede invisível das emoções. Penosamente no ódio também. Contudo coisa que não existe é falso amor.  Por isso os momentos luminosos que dão sentido as nossas vidas, são tão raros! Basta um instante, para uma alma reconhecer a outra e se encantar!
            “Move-se generoso o coração,/ébrio de amor, em sua infância, e salta,/inquieto, e se debate; e quando cresce, põe-se a correr de novo enamorado...” diz o poeta persa Rûmî.

Falsa é a ideia de que a distância pode separar ou curar as dores da perda de um ente querido.  Já a paixão sim, deseja presença constante daquele que causou o vermelho  encanto  que ameaça ir embora a qualquer momento.   Nela, na paixão, sim, existe distância. E na mais cega das proporções!
Quem, ao encontrar com alguém amado, sente que o tempo não passou e que não houve partida? E quem não sabe que o pensamento-lembrança corre em nossa mente muito mais que a velocidade da luz? A coisa mais louca é querer acreditar que existe distância entre nós e aqueles a quem amamos ou odiamos. Elas, as lembranças, que de alguma forma significaram enlevo, alegria, dor ou sofrimento, sempre voltam envoltas em suas nuvens brancas ou cinzas, trazendo a querida, temida ou odiada presença. Talvez o colorido já não seja o mesmo, mas não foi a suposta distância que ocasionou. Pode ter sido um súbito ou lento crescimento de um em relação ao outro que tornou a convivência material impossível.
Agora mesmo estou vendo meu amado avô comigo no colo, mostrando-me no céu  as nuvens que viraram carneirinhos... Sinto até o cheiro do seu pijama lavado com flores de laranjeira. As veias saltadas de suas mãos, o chinelo marrom de couro nos pés e o pigarro em sua garganta. Meu avô está aqui comigo, nesse momento, embora eu o tenha perdido aos três anos de idade. E sinto as mesmas boas emoções que me despertaram amor, agora, aos setenta...
Outro dia ouvi Fernanda Montenegro comentar acerca da conversa com seu falecido marido. Conta-lhe suas dificuldades, seus desafios e preocupações. Fala com ele, sobre os últimos acontecimentos e fica nesse colóquio com o esposo por algum tempo. Disse ela que a presença do marido lhe transmite paz, tranquilidade. Ela o ama de fato. Ele não se foi, está ali com ela naquele momento, e quiçá em muitos outros... Mais do que tudo,  na saudade não há distância. Acredito e sinto que mesmo com o ente amado desmaterializado, no amor, ele continuará operando transformações dentro de nós, através do transparente véu da saudade. Não há distância. Ele está ai. Às vezes querendo lhe explicar porque não lhe falou tal ou tal coisa, mas não interessa o que a pessoa amada possa lhe dizer, você quer apenas senti-la.
A distância existe no mundo do pensamento. Como disse o Mestre Rajneesh, "pensar é frustrante, faz com que você acredite que está fazendo muita coisa. Pensar sobre o amor não irá ajudar em nada, mas sentir o amor causará transformação em você." E não existe distância para o sentir.
Um dia ainda surfaremos nas ondas dos pensamentos de algumas pessoas,  despertando-lhe, às vezes chuva,  outras vezes aurora!

Um comentário:

MJFortuna disse...








Maria Claudia Grillo


12:17 (1 hora atrás)






Maria,


Que linda sua crônica! Acabo de ler e estou muito emocionada, com um nó na garganta!

Parabéns pelo trabalho sensível e profundo que faz. Tive pena de não estar no seu almoço, um convite tão aguardado, não foi ?

Então, gostaria de vê-la em breve. Vamos ?

Bjos.

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