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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Lampejo


 

Maria J Fortuna

 

Estou, nesse momento, dentro do que importa.  Longe estão as guerras que ferem o planeta. A paz acorda em meu coração como o voo dos flamingos num céu muito azul. Não há mais conflito em meu ser e todo o acervo de coisas ruins se transforma em melodia. Estou diante do  meu eu verdadeiro. Percebo no vazio de minh‘alma a germinação da pureza original.  Então me sinto Eva, recém-criada, abrindo os olhos para uma Terra onde luz e trevas se encontram harmoniosamente.
Não existe doença, rios poluídos, usinas como a de Belo Monte no velho rio Xingu, sacrificando o curso natural das águas.  Os peixes bailam no líquido precioso de outrora,  alimentando os povos ribeirinhos. Tudo paz e tranquilidade... Dentro de mim todas as montanhas são preservadas e os verdes dos campos se harmonizam com as nuvens celestes ,  que se movem sem preocupação no imenso cenário azul. Aqui estou eu sem nenhum apelo à divisão, escutando  inteira os rumores do mundo, sem me envolver com eles.  Tudo é lucidez. Toco a realidade do todo.
Agora posso estirar as mãos como um passo de dança e pegar um pincel. Mergulho as cepas na tinta branca e cubro a tela suavemente, com toda música que vem do coração. Não há porque manchá-la com pensamentos escuros. Hoje prefiro o rosa que se mistura ao verde e ao índigo e de lá sair uma flor completamente nova, como este momento que me traz o suor da alegria!
Respiro paz... As ondas do mar na Ilha de São Michel banham meus pés com delicadeza e eu consigo serenamente sair dali, com eles molhados,  ao brilho das pequenas ondas que vão se formando e refletindo a luz solar num tapete prateado. Tudo é beleza... Tudo é transformação, evolução, caminho...
Minhas mãos estão molhadas de argila e moldam o ser tímido e corajoso que mora dentro de mim. E me vem na lembrança o  primeiro impulso amoroso de quando, pela primeira vez, olhei para os ternos olhos da minha mãe e ouvi suas palavras como canto,  saindo de sua boca abençoada, confundindo-se com meu primeiro choro.
Hoje todos os castelos acendem suas luzes. E trazem a claridade abençoada da choupana mais simples.  O  sopro do amor que não conhece passado ou futuro,  libertou os fiéis da Inquisição. Dentro de mim a bem-aventurança de sentir, por um instante,  que não há maldade sobre a Terra... Não há ditaduras no planeta. Ninguém molesta ninguém. E a violência  murcha feito folha de fumo que o caboclo aproveita para  fazer um cigarrinho de palha
É tão imenso o amor que sinto neste momento... E o êxtase por ter me encontrado assim tão nua, abraçando minha própria sombra, num ato de perdão pela própria   imperfeição humana,  na minha vivência  de todos esses anos de existência desde que fui concebida.
Há uma aceitação plena do movimento do Criador e sua Graça se destila em cascata redimindo o mundo. Não vejo o caminhar invisível e determinado das horas. Apenas ouço a música de mim mesma já sem solo, mas em comunhão com a Energia Maior que nos atrai para o centro, onde fica a morada da Paz.
Não há mais o que dizer. Os pássaros despertos vão aos poucos ruflando as asas  como as pombas do soneto  de Coelho Neto. E todo mundo nesse momento, torna-se poeta! Há uma redenção infinita do planeta e a chuva agora cai em terras nordestinas. Não há secas.  A regeneração da Terra aí está.  E os desmandos provocados pelo homem tornam-se sem efeito e  novas sementes brotam.  Não há mais desertos, exceto aqueles que sempre existiram, para que a gente, mergulhando neles, reencontre sempre a verdadeira pérola branca do nosso ser enfermo que se converte em sadio.  Os mongóis podem viver em seus iglus tranquilamente. Há água para se beber. E a mais importante delas é a que nunca mais nos deixará sedentos.
Aos poucos vou saindo desse estado de Graça, mas com a luz verde da esperança, para que eu retorne o mais breve possível a meu verdadeiro eu e que seja mais que um lampejo!

 

3 comentários:

MJFortuna disse...


Norália Castro Linda crônica. Muito linda. Amei.

há 9 horas · Curtir
..

Alfrenice Fortuna Linda. Gostei.

há 8 horas · Curtir

MJFortuna disse...


Norália de Mello Castro


09:53 (Há 15 horas)


Fui ao seu blog, li a linda crônica que lá postou. Mas, me embanano com o comentário, que lá não sei colocar. Assim, meu parabéns a você, mando por aqui. Escrevi lá: minha amiga Mariinha cada vez mais transcendental... bela crônica. Amei. Que seus lampejos sejam mais intensos.

Abraços, Norália




MJFortuna disse...


Adriana Brega, por e-mail:


09:11 (Há 16 horas)



Linda crônica Mariinha, de intensa espiritualidade! Beijos!

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