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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sexta feira...


Maria J Fortuna
Quando me lembro dele, meu coração silencia.A reverência é profunda. Meu corpo faz uma genuflexão e minh´alma reconhece, de pronto, sua Luz. Eu o vejo, silencioso, com sua túnica branca, suada das longas caminhadas, com os dedos cheios de calos pelo uso do martelo no oficio de carpinteiro. Suas sandálias repletas de pó e areia do deserto. Os olhos, que contemplam toda a miséria e a graça do ser humano com aquela lucidez que nos falta, quando esmagamos uma flor. Eu o vejo manso e humilde de coração, abrindo-o para o mundo, que teima em negá-lo e esquecê-lo. Mesmo assim, meu amigo Yeshua deixou-se morrer numa cruz, com os braços abertos e pregados na madeira que tanto manpulava em seu trabalho. Mas mesmo sendo sexta-feira, eu quero esquecer os maltratos que lhe fizeram. Quero enxergar mais além. Quero vê-lo ressurgindo da sepultura empoeirada, desatando nó de algum arco-iris indeciso depois da chuva, apagando nuvens da tristeza, até que se desfaçam como onda que o mar atira pelas encostas, misturando-se às demais.Quero vê-lo sorrindo, apesar da feiura do mundo.Do fanatismo, das bombas, dos pássaros presos e dos animais selvagens engaiolados. Da devastação do planeta que o Pai criou para habitação do homem... Quero-o presente em meu coração, para garimpar a bondade nos seus rios de sangue e fazê-lo pulsar na esperança. Quero ver seus cabelos soltos ao vento, fazendo-nos esquecer dos tsunamis da vida, na visão da liberdade!Tudo que quero, Senhor, é vê-lo ressuscitado, sentado à direita do Pai, lugar este que é teu, desde o princípio. Vem, Yeshua, preciso celebrar a Páscoa contigo. Saborear o pão do grão moído, como nós o somos em nossas dores, e o vinho antigo como a história de nossas mortes e ressuscitamentos. Tua visão beatífica, neste dia, me faz relembrar aquele sonho de estar contigo, desde menina, quando eu brincava de ninar e queria jogar bolinha de gude com o menino Jesus.Quero estar sempre contigo, principalmente quando tenho dúvidas que ameaçam minha fé. Quando a noite negra das minhas sextas-feiras se faz presente e eu não sei o que fazer com ela.Só através do teu amor, volto a enxergar as estrelas no meu céu interior, tão poluído, e seguir meu caminho de mãos dadas contigo.

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