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sexta-feira, 8 de julho de 2011
Campos de Lavanda


Maria J Fortuna
Era comum eu ficar recebendo e-mails cujo anexo eram fotos incríveis dos Campos de Lavanda, na região de Provence, França. Era um deleite sonhar com aqueles campos... Mas não imaginava que um dia eu pudesse estar lá. Mas aconteceu!
Fomos de carro, passando por vários campos de girassol e trigo. Os girassóis são outra grande atração, pois a plantação desta bela flor, que margeia a estrada, irradiando sua devoção pelo sol, expressa beleza luminosa por causa do seu amarelo quase dourado. Estas flores incríveis são irmãs das flores de trigo e lavanda, pois crescem lado a lado.
A minha primeira impressão foi de que a paisagem era algo virtual, talvez por influência dos tais anexos que recebo dos amigos. Eu estava ali numa cidadezinha muito linda chamada Sault. Ali, num restaurante aconchegante, comemos mais tarde, trutas com amêndoas e tomamos um doce vinho rosê.
O céu muito azul em degradê com as flores de lavanda, que nessa época ficam entre o lilás e o azul, o perfume da lavanda e o barulho das cigarras transportaram-me às reminiscências da infância, no sítio onde passava as férias de julho, quando dormia ao som desse cântico ritmado e rouco. Aquele cheiro despertava-me a memória do silvestre perfume de alfazema que minha mãe usava durante todo o dia. Quando me contava histórias de príncipes e princesas, para dormir, a última coisa a se apagar de minha consciência, era aquele seu tão suave perfume.
As casas no estilo provençal se agrupam formando ruelas. Nelas, o odor daquelas florinhas lilases e azuis está por toda parte. Os beneditinos tem uma Abadia, onde cultivam ervas aromáticas, naquela região. Cenário imortalizado por Cezanne.
A lavanda tem a força que restaura estados de desequilíbrio, trazendo harmonia para a mente e corpo. Sua colheita pode ser manual ou com máquina nas grandes fazendas. Essas flores têm um componente chamado esteres, que é uma substância que tranquiliza. Essas hastes, com florinhas retorcidas, ajudam na desobstrução das vias respiratórias, dentre outros benefícios, como óleo para dores musculares,aliviando bem a tensão nervosa. Podem se,r também, antissépticos e analgésicos, principalmente para dores de cabeça, bem como tratamento para palpitações e, segundo alguns médicos florais, elas aumentam a autoestima. Não é à-toa que lavanda vem de lavare (latim) que quer dizer fazer limpeza e desintoxicação.
Elas existem também na região de Avignon, onde Van Gogh pintou os girassóis e Arles. Além de que Matisse, Picasso, Camus e outros artistas, caíram-se de amores por aquelas paragens perfumadas e mudaram-se para lá. Nas planícies da região de Luberon. A presença das oliveiras também é constante, bem como as cerejeiras.
Aspirando as lavandas, tornei-me criança novamente. Caminhei pelos canteiros muito bem alinhados, fechei os olhos, meditei e me deixei levar pelo batismo de algo que nem sequer eu mesma sabia que iria se realizar. Além do que, esparramei pelos quatro cantos do meu quarto, todo aquele perfume dos deuses.
Fomos de carro, passando por vários campos de girassol e trigo. Os girassóis são outra grande atração, pois a plantação desta bela flor, que margeia a estrada, irradiando sua devoção pelo sol, expressa beleza luminosa por causa do seu amarelo quase dourado. Estas flores incríveis são irmãs das flores de trigo e lavanda, pois crescem lado a lado.
A minha primeira impressão foi de que a paisagem era algo virtual, talvez por influência dos tais anexos que recebo dos amigos. Eu estava ali numa cidadezinha muito linda chamada Sault. Ali, num restaurante aconchegante, comemos mais tarde, trutas com amêndoas e tomamos um doce vinho rosê.
O céu muito azul em degradê com as flores de lavanda, que nessa época ficam entre o lilás e o azul, o perfume da lavanda e o barulho das cigarras transportaram-me às reminiscências da infância, no sítio onde passava as férias de julho, quando dormia ao som desse cântico ritmado e rouco. Aquele cheiro despertava-me a memória do silvestre perfume de alfazema que minha mãe usava durante todo o dia. Quando me contava histórias de príncipes e princesas, para dormir, a última coisa a se apagar de minha consciência, era aquele seu tão suave perfume.
As casas no estilo provençal se agrupam formando ruelas. Nelas, o odor daquelas florinhas lilases e azuis está por toda parte. Os beneditinos tem uma Abadia, onde cultivam ervas aromáticas, naquela região. Cenário imortalizado por Cezanne.
A lavanda tem a força que restaura estados de desequilíbrio, trazendo harmonia para a mente e corpo. Sua colheita pode ser manual ou com máquina nas grandes fazendas. Essas flores têm um componente chamado esteres, que é uma substância que tranquiliza. Essas hastes, com florinhas retorcidas, ajudam na desobstrução das vias respiratórias, dentre outros benefícios, como óleo para dores musculares,aliviando bem a tensão nervosa. Podem se,r também, antissépticos e analgésicos, principalmente para dores de cabeça, bem como tratamento para palpitações e, segundo alguns médicos florais, elas aumentam a autoestima. Não é à-toa que lavanda vem de lavare (latim) que quer dizer fazer limpeza e desintoxicação.
Elas existem também na região de Avignon, onde Van Gogh pintou os girassóis e Arles. Além de que Matisse, Picasso, Camus e outros artistas, caíram-se de amores por aquelas paragens perfumadas e mudaram-se para lá. Nas planícies da região de Luberon. A presença das oliveiras também é constante, bem como as cerejeiras.
Aspirando as lavandas, tornei-me criança novamente. Caminhei pelos canteiros muito bem alinhados, fechei os olhos, meditei e me deixei levar pelo batismo de algo que nem sequer eu mesma sabia que iria se realizar. Além do que, esparramei pelos quatro cantos do meu quarto, todo aquele perfume dos deuses.
domingo, 3 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
O inesquecível Mont Saint Michel
Maria J Fortuna
Eu estava ali, diante de um dos meus sonhos: O Mont Saint Michel! O bater das asas do chefe da milícia celeste havia me transportado até a Abadia nas ondas de uma antiga aspiração.
A subida pelas ruelas estreitas da pequena cidade medieval trouxe-me a sensação de estar caminhando no tempo, até aquela época em que os cavaleiros cruzados zelavam pelos devotos que visitavam lugares santos. Pensei no Santo Graal e sua não muito reconhecida matéria-prima: a pedra verde, encontrada nas Abadias e Catedrais da França. Acreditam alguns que ali seria um dos locais onde ela se encontra encrustada nas rochas.
O Santuário, que fica na Normandia, França, dedicado a São Miguel Arcanjo, traz a estatura dourada do Arcanjo vestido de guerreiro com asas, no topo da Igreja abacial. Reza a lenda que houve uma terrível batalha entre as forças do bem e do mal e, aquele ser angélico, penalizado com o sofrimento do povo que ali habitava, liderou as forças do bem, conseguindo a vitória contra um dragão maléfico que saía das águas. Depois, o anjo guerreiro pediu que construíssem uma Igreja em seu nome.
Após o tumulto na entrada das primeiras ruelas, onde o comércio de souvenir é feito em larga escala, percorremos becos silenciosos, que escondiam muitas surpresas! O silêncio bafejou o sagrado, logo que avistamos a Igreja do monastério. Havia cheiro de antiguidade no suor das pedras, muros e casas medievais.
Ao chegarmos à entrada principal da Igreja, ponto alto do passeio, encontramos os beneditinos que ainda vivem por ali, preparando os ofícios sagrados. A Missa foi rezada em meio ao perfume de incenso, flores e os badalos do sino. O órgão foi tocado, enquanto o coro angelical causou-me forte emoção. Entreguei-me totalmente àquele momento. Foi no dia em que a Igreja comemora Dia da Santíssima Trindade e pessoas, em várias línguas, cantavam Vivez em paix, et le Dieu d´amour et de paix sera avec vous...
Depois da Missa, percorremos os fantásticos labirintos no interior da Abadia. E as 11 h daquela manhã, assistimos a maré cavalgar soberana sobre o branco e imenso areal que cerca o Mont. Este fenômeno das marés ocorre todos os dias. A imensidão da paisagem, tanto recoberta de água, como em meio às areias, é esplendorosa! Carneiros e vacas malhadas pastam a certa distância, trazendo um ar bucólico àquelas paragens.
Mont Saint Michel foi uma fortaleza inexpugnável para os franceses durante a Guerra dos Cem Anos com a Inglaterra. Tornou-se o símbolo da identidade nacional francesa. O monte está ligado ao continente através de um istmo natural, coberto pelas já mencionadas marés altas. Em 2006, o governo francês anunciou um projeto para torná-lo novamente ilha, com a construção de barragens a ser completada até 2012. Recupera, assim, a aura mística que faz parte daquela misteriosa cidadezinha, que na verdade é imensa pela tradição e pela história e que insinua sempre a presença do que já se passou.
À noite, dormimos numa das casas que se tornaram hospedarias. Muito bem cuidada, acolheu a nós e nossos sonhos dentro de si, proporcionando grande conforto físico e espiritual.
Lá fora, o vento traquinava. O mar, agora, parecia sonolento. A escuridão era quebrada por uma ou outra luzinha saída das hospedarias. Dentro, o aconchego, o pão, o vinho, uma risada gostosa, o cheiro de comida quentinha, o ruído das gaivotas lá fora, arranhando o silêncio e insistindo, em vão, pintar a noite de branco com seus vôos harmoniosos.
Lá fora, o vento traquinava. O mar, agora, parecia sonolento. A escuridão era quebrada por uma ou outra luzinha saída das hospedarias. Dentro, o aconchego, o pão, o vinho, uma risada gostosa, o cheiro de comida quentinha, o ruído das gaivotas lá fora, arranhando o silêncio e insistindo, em vão, pintar a noite de branco com seus vôos harmoniosos.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Da Europa
Gente, não deu tempo de escrever que eu estou na Europa este mês. Aí vocês me veem, no interior do TGV, o chamado Trem Bala, estou na França, indo para Paris.
Com certeza quando chegar conto a viagem toda. O que senti ao ver o Mont Saint Michel, os Campos de Lavanda, o Show dos Pássaros em Lyon e outros lugares lindíssimos!
Até breve!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Uma Voz em tom maior - reprise

Maria J Fortuna
Hoje, o ser eterno falou para meu ser finito:
- Você é maior do que a dor dos seus ossos.
Escutei a voz da Consciência, que habita meu corpo há mais de sessenta anos!
– Você é maior do que seu corpo, insistia.
Experimentei uma nítida sensação de estranheza, como se eu não estivesse ouvindo estas coisas pela boca dos que estão a par desta verdade uma vida inteira! Como se eu, já há algum tempo, não me sussurrasse estas palavras, quando as dores da vida se hospedam em meu corpo. Mas a voz falava em tom novo, em nova cor.
Tudo era tão simples como o ato de jogar miolo de pão aos pombos... Ao mesmo tempo tão bizarro... Quase ridículo, que tanta grandeza podia caber num corpo tão frágil! Mas não coube duvidar, ouvia a voz que insistia:
- Você é maior do que seu tempo cumprido e do que há de vir. Maior que suas fantasias... Maior que seu medo e pecados. Maior do que sua loucura! Não. Não era fuga... Nem tão pouco magia... O que eu estava escutando era mais verdadeiro que a presença do sol na Terra. O que causa estranheza é que sendo tão maior do que meu corpo, ecoa e habita nele... Por que cargas d água estou neste planeta tão dilacerado, onde as pessoas passam fome e, quando comem, estão sujeitas, muitas vezes, a engolir venenos? Sujeitas a consequências das tragédias ambientais, que elas mesmas provocam...
O que este eu maior faz dentro de mim? Por quem me toma? Lembrei-me dos meus antepassados e de suas consciências frente ao perecível, a morte. Por que, mesmo assim, trazem filhos à vida? O que os levou a crer que eu, por exemplo, poderia sair-me melhor do que eles frente às limitações do tempo, ao inevitável? Por um acaso tiveram consciência de que eram maior do que eles mesmos?
- Você é maior que tudo isto... Continuou a voz interior.
Senti-me num circo, onde os maiores desafios de equilíbrio são mostrados em meio a uma festa, onde as pessoas perdem a noção do perigo! Num picadeiro, onde as coisas mais incríveis acontecem! Eu, voando num trapézio, de uma situação a outra, de uma emoção a outra, expondo corpo e alma ao perigo. Tendo que confiar em outro trapezista, que estende as mãos para me segurar, mas que pode falhar. Como domadora de leões fantásticos que me habitam o coração e que, quando rugem, deixam-me de cabelo em pé, frente a meus próprios desejos! Andando na corda bamba dos acontecimentos derrapantes do dia a dia... E o palhaço que sempre brota dentro de mim quando um risco maior aparece? E a platéia? Sem ela o circo não acontece. Ser expectadora de mim mesma... Enfrentar o picadeiro com galhardia. Um compromisso existencial de vida e morte... Pensei tudo isto...
E a voz persistia...
- Você é bem maior do que o perigo.
Quando uma vela está prestes a se apagar, pensei, a gente se junta à chama de outra que esteja próxima. E assim por diante... Mas se sou maior do que eu mesma, tenho essa luz própria. Mas onde está o gerador desta luz? Quem acendeu o eterno dentro de mim? Uma vez eterna, sou luz perene. Para isto há que eu esteja ligada a um gerador Maior cuja Luz sempre existiu...
Aí voltei no tempo e me vi pequenina no cais do porto...Fui receber minha família, da qual eu estava apartada fazia mais de ano... À medida que o navio foi se aproximando, eu fui experimentando uma felicidade tão grande no coração, mas tão imensa, que era quase insuportável esperar mais um pouco para abraçar meus pais e irmãos! Por pouco não me lancei nas águas escuras no cais. Foi uma das maiores felicidades que senti na vida! Naquele momento, no amor, tornei-me maior que eu mesma!
Todos os recados visíveis da Luz Maior nos são dados pela Natureza que destruímos. Pela inocência das flores, animais e crianças. Pelas alegrias dos encontros amorosos e do amor presente até nas dores do mundo.
Talvez seja por isto que eu e meus companheiros de jornada, estejamos neste corpo finito e perecível, mas com uma Luz maior do que nós mesmos. O objetivo cósmico talvez seja este: fazermo-nos entrar em estado de felicidade suprema ao regressar ao fogo de origem. Tornarmo-nos Um com Ele no Amor.
Assim foram aquelas horas da madrugada em que uma voz, dentro de mim falou, amorosamente, que sou maior que eu mesma e finalmente eu acreditei e confiei.
- Você é maior do que a dor dos seus ossos.
Escutei a voz da Consciência, que habita meu corpo há mais de sessenta anos!
– Você é maior do que seu corpo, insistia.
Experimentei uma nítida sensação de estranheza, como se eu não estivesse ouvindo estas coisas pela boca dos que estão a par desta verdade uma vida inteira! Como se eu, já há algum tempo, não me sussurrasse estas palavras, quando as dores da vida se hospedam em meu corpo. Mas a voz falava em tom novo, em nova cor.
Tudo era tão simples como o ato de jogar miolo de pão aos pombos... Ao mesmo tempo tão bizarro... Quase ridículo, que tanta grandeza podia caber num corpo tão frágil! Mas não coube duvidar, ouvia a voz que insistia:
- Você é maior do que seu tempo cumprido e do que há de vir. Maior que suas fantasias... Maior que seu medo e pecados. Maior do que sua loucura! Não. Não era fuga... Nem tão pouco magia... O que eu estava escutando era mais verdadeiro que a presença do sol na Terra. O que causa estranheza é que sendo tão maior do que meu corpo, ecoa e habita nele... Por que cargas d água estou neste planeta tão dilacerado, onde as pessoas passam fome e, quando comem, estão sujeitas, muitas vezes, a engolir venenos? Sujeitas a consequências das tragédias ambientais, que elas mesmas provocam...
O que este eu maior faz dentro de mim? Por quem me toma? Lembrei-me dos meus antepassados e de suas consciências frente ao perecível, a morte. Por que, mesmo assim, trazem filhos à vida? O que os levou a crer que eu, por exemplo, poderia sair-me melhor do que eles frente às limitações do tempo, ao inevitável? Por um acaso tiveram consciência de que eram maior do que eles mesmos?
- Você é maior que tudo isto... Continuou a voz interior.
Senti-me num circo, onde os maiores desafios de equilíbrio são mostrados em meio a uma festa, onde as pessoas perdem a noção do perigo! Num picadeiro, onde as coisas mais incríveis acontecem! Eu, voando num trapézio, de uma situação a outra, de uma emoção a outra, expondo corpo e alma ao perigo. Tendo que confiar em outro trapezista, que estende as mãos para me segurar, mas que pode falhar. Como domadora de leões fantásticos que me habitam o coração e que, quando rugem, deixam-me de cabelo em pé, frente a meus próprios desejos! Andando na corda bamba dos acontecimentos derrapantes do dia a dia... E o palhaço que sempre brota dentro de mim quando um risco maior aparece? E a platéia? Sem ela o circo não acontece. Ser expectadora de mim mesma... Enfrentar o picadeiro com galhardia. Um compromisso existencial de vida e morte... Pensei tudo isto...
E a voz persistia...
- Você é bem maior do que o perigo.
Quando uma vela está prestes a se apagar, pensei, a gente se junta à chama de outra que esteja próxima. E assim por diante... Mas se sou maior do que eu mesma, tenho essa luz própria. Mas onde está o gerador desta luz? Quem acendeu o eterno dentro de mim? Uma vez eterna, sou luz perene. Para isto há que eu esteja ligada a um gerador Maior cuja Luz sempre existiu...
Aí voltei no tempo e me vi pequenina no cais do porto...Fui receber minha família, da qual eu estava apartada fazia mais de ano... À medida que o navio foi se aproximando, eu fui experimentando uma felicidade tão grande no coração, mas tão imensa, que era quase insuportável esperar mais um pouco para abraçar meus pais e irmãos! Por pouco não me lancei nas águas escuras no cais. Foi uma das maiores felicidades que senti na vida! Naquele momento, no amor, tornei-me maior que eu mesma!
Todos os recados visíveis da Luz Maior nos são dados pela Natureza que destruímos. Pela inocência das flores, animais e crianças. Pelas alegrias dos encontros amorosos e do amor presente até nas dores do mundo.
Talvez seja por isto que eu e meus companheiros de jornada, estejamos neste corpo finito e perecível, mas com uma Luz maior do que nós mesmos. O objetivo cósmico talvez seja este: fazermo-nos entrar em estado de felicidade suprema ao regressar ao fogo de origem. Tornarmo-nos Um com Ele no Amor.
Assim foram aquelas horas da madrugada em que uma voz, dentro de mim falou, amorosamente, que sou maior que eu mesma e finalmente eu acreditei e confiei.
domingo, 5 de junho de 2011
A semeadura de Joyce

Maria J Fortuna
Passei bons momentos esta semana, lendo Longos trechos de dias líquidos, de Joyce Cavalcante.
Filha de cearense que sou e nascida numa Ilha – a de São Luís no Maranhão, senti cada palavra, cada frase, cada período desse livro, onde a autora, magicamente, trabalha seus personagens, com pinceladas molhadas no azul do mar! “Restou-me o mar ao crepúsculo, que entrando pela janela do meu quarto me emoldurou a infância.” A obra possui grandes trechos em prosa poética, onde o centro de tudo é a mulher com gosto de sal e frutos do mar! Não foi á-toa que li de uma vez, prazerosamente, essa obra, respirando lembranças da minha Terra natal e evocando meus antepassados...
Na verdade, Joyce é uma escritora que nasceu com o dom de semear. Não só o faz quando, através dos seus livros, deixa os leitores envolvidos numa energia de encantamento, como também porque convoca e congrega suas irmãs de sexo, a comparecerem ao mundo das letras, divulgando suas obras. Assim semeou a REBRA ( Rede de Escritoras Brasileiras). Depois , regou-a com carinho. Assistiu, com paciência, ao brotar da semente que ainda cresce, de tal forma que seus galhos e ramos já mostram associadas de vários Estados do Brasil e até no exterior! São ramificações de uma árvore que está se tornando adulta e dando inúmeros frutos! São várias Antologias publicadas pela Rede, que promovem a mulher que vive de sua arte literária. A última dessas Antologias, Show de Talentos, foi lançada no Salon du livre de Paris recentemente, com muito sucesso e a próxima brotará na Espanha.
Faço parte da semeadura de Joyce, deste admirável sonho concretizado: a REBRA! Todas as semanas, vejo meu trabalho em Artes e artes, divulgado para todas as que compõem essa Rede, que aumenta a cada dia. Outro dos meus contentamentos, que são vários, é descobrir fantásticas escritoras, como Eliane Accioly, Norália de Mello Castro e Rosane Zanini. Esta última convidou-me a participar de duas de suas Antologias. Com as três, mantenho ativa correspondência, onde trocamos ideias e comentamos nossos trabalhos respectivamente. Há muitos outros talentos, de grande categoria, divulgados pela Rede, o que nos deixa, a nós participantes, orgulhosas!
Uma dos mais nobres objetivos da REBRA é o resgate histórico da literatura feminina no Brasil. Joyce percebeu o quanto é importante fazê-lo, pois tudo o que queremos, como mulheres, é o reconhecimento também dos talentos de nossas inesquecíveis antecessoras.
Por fim, coloco aqui, as palavras desta mulher corajosa que acrescenta, soma naquilo que sabe sabiamente conquistar:
“Crescemos para conquistar espaços e estamos conquistando espaços porque crescemos. Muito conseguimos e ainda mais está a ser conseguido. Somos uma dinâmica. Mulheres em permanente movimento, como exige o próprio ato de criação, o motor que nos impulsiona e faz caminhar”
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