segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sedenta de deserto

  Maria J Fortuna
Confesso que estou cansada de assistir a noticiários. Prefiro ler o jornal que tenho em casa por assinatura. Pelo menos as notícias de assaltos, mortes e roubos, não ficam me assombrando o dia inteiro, como se eu fosse mais que culpada do que está acontecendo no Brasil e no mundo. Doe na alma saber das guerras que destroçam o ser humano em sua dignidade. Que deixa órfãs tantas crianças num massacre inteiramente irracional! A disputa por territórios, que na realidade não são de ninguém, mas de todos deste planeta sofrido, que ameaça deixar a gente com fome e com sede, à medida que o agredimos com o desrespeito à própria vida. A tola sede de poder que nos leva à miséria humana. Estou cansada das milenares guerras santas, que nada tem a ver com Amor e Paz. Massacres históricos em nome do deus vingativo do “olho por olho, dente por dente”.
As noticias do jornal não fazem barulho externo e posso escolher se quero ou não me inteirar delas. Melhor ler uma boa crônica, como a do Veríssimo, por exemplo, de quem já digeriu a notícia e passa para o leitor em forma de um bom comentário. Ou saber dos espetáculos que estão por aí nos cinemas ou teatros da cidade. Bom assim. Podemos ir à cata de poesia, que certamente não mora dentro desses noticiários ou buscá-la em exposições de arte. Tem muita poesia nas paisagens dos parques e praias do Rio de Janeiro. Além das palestras e seminários interessantes sobre diversos assuntos, que estão sempre acontecendo por ai nos Centros Culturais, museus e outros locais. Bom para descansar a alma.
Outra forma de repousar interessante, que podemos propor a nós mesmos é um mergulho em nosso  deserto interior. Não é sem batalha que conseguimos isso. Mas quando conseguimos, esse hábito restaura-nos de uma forma incomparável! Fechando os olhos, numa postura adequada, estamos prontos para o mergulho. Apenas prestar atenção no respirar e nas batidas do coração. Só isso.
Jean Yves Leloup fala-nos desse momento prazeroso quando entramos no deserto de nós mesmos: “É uma espera que não guarda, mas uma espera não fechada àquilo que vem.”. Complementando as palavras de Leloup, lembro-me de Antoine Saint Exúpèrry com seu Pequeno Príncipe, que diz que “o que torna o deserto belo é porque esconde um poço que ninguém vê”... É o que importa.

2 comentários:

Guacira Maciel disse...

Olá, bom dia cara companheira da REBRA.

Gostei da sua crônica, também não sou muito adepta dos telejornais.Porém, sem dúvida não é fácil extrair um bom texto do que eu chamaria nosso oásis interior...seria como ir buscar água fresca num terrenos arrodeado de areias quentes e inférteis.
Beijo.
Guacira

Guacira Maciel disse...

Bom dia, cara companheira da Rebra.

Gostei do seu texto, também não sou adépta dos telejornais. Porém, ácho tudo menos doloroso se tenho a possibilidade de ignorá-los por ter um oásis interior, donde posso extrair beleza, ainda que não seja fácil algumas vezes...
Abraço fraterno,
Guacira

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